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quinta-feira, 11 de junho de 2009

Ricardo Rangel

Há pessoas que fazem parte da nossa história, que nos ajudam contando-nos a nossa própria história.
Ricardo Rangel era um deles. Com as suas fotos ele contava-nos a história de terceiros que faziam parte da nossa história. Para mim, ele me contou um pouco como era o meu Pai, como ele o via. Através dele conheci um pouco do jornalista Gouvêa Lemos. Através do Gouvêa Lemos, quando eu ainda era um miúdo, no início da década de 70, já percebia o respeito que o Ricardo Rangel impunha no meio jornalístico.
Hoje, ao receber a notícia por mensagem (SMS) via celular (telemóvel) do falecimento do Tio Rangel, tive a invasão da tristeza de perder alguém muito querido, e também de perder um pouco mais dos meus Pais.

Ricardo Rangel (direita) e Gouvêa Lemos, na década de 70, em jantar de despedida do GL que partia para o Brasil.

Ricardo Rangel e Madalena Gouvêa Lemos, em 1996, em Curitiba.
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Adenda:
Do JPT, um belo material relacionado ao RR, recolhido durante os anos no Ma-schamba.
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Na versão 1 do Lanterna Acesa, também se pode ver algum material relacionado ao RR

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Atentado a Cahora Bassa ou atentado à informação transparente?

Foto daqui


Através do competente blog Diário de um Sociólogo, do Carlos Serra, fiquei sabendo que a Hidroelétrica Cahora Bassa de Moçambique havia sofrido um pressuposto atentado.
Li depois, porque um amigo me enviou “recortes”, nas edições digitais dos jornais “Mediafax” e “Diário Independente” de hoje, 06/05/09, sobre este fato, e fico achando se o atentado não é a forma como o Comando Geral da PRM de Moçambique passa uma informação nesta terça-feira de um acontecimento que se passou já fazem 7 dias e cheia de “senões” .
Ora vejamos: falam em 500 kg de produto não identificado, mas antemão já sabem que é corrosivo ao ferro e ao betão. Teriam sido os detidos que lhes contaram os tais efeitos corrosivos? E não lhes disseram que produto é? Teriam contado os efeitos corrosivos mas não houve qualquer colocação dos quatro, ou de pelo menos um dos detidos, sobre as motivações de estarem despejando a tal substância ? Ou a dica que deram não é de tanto impacto quanto gostariam que fosse? Ou talvez seja mesmo segredo de investigação e seja eu mais um a reagir com a imaginação fértil como a que já se vê por aí nos visitantes da blogosfera?
Já há quem tenha a certeza que existam interesses claros nos portugueses em provar a incapacidade moçambicana em administrar este empreendimento, o que sabemos que os moçambicanos já pagaram com suor e lágrimas e agora em dólares. Talvez faça sentido aí o envolvimento de um profeta nesta missão. Tenha ele já visto que os poucos que ainda não acreditam na competência dos moçambicanos em pouco tempo terão as provas definitivas para se convencerem desta capacidade moçambicana de administração da hidroelétrica, e para isso há que criar situações para mudar os caminhos do destino.
Fica então a minha projeção para este grupo terrorista, sendo o seguinte: O português hoteleiro é o líder do grupo, mas ao contrário do que muitos pensam não tem como maior objetivo provar que os moçambicanos não têm capacidade de administrar o negócio Cahora Bassa e sim garantir o seu negócio de eco-turismo com jantares à luz de velas. O profeta sul-africano é o seu assessor para assuntos aleatórios, inclusive das adivinhações...mas falhou ao não prever que seriam detidos. Parece que já perdeu o emprego. O twsana piloto militar estaria também interessado em negócios de aviação de pequeno porte, onde só poderia decolar e pousar em dia claro. O alemão, um ex-militar, é o responsável pela ONG que financia o grupo para destruir uma das obras responsáveis pelos abalos sísmicos no sul do continente africano.
Mas com tudo isto, em um assunto tão sério, que ao ser noticiado tão tardiamente, e ao que parece nem a administração da Cahora Bassa conhece bem os fatos, embora digam que parte do material apreendido está no laboratório desta, espera-se que as informações complementares venham logo à tona sem distorções políticas e com toda a transparência necessária para que a população possa digerir bem a notícia e depois saber como lidar com o facto. E em quanto as informações tão necessárias não estiverem disponíveis, que haja serenidade, paciência, pouca xenofobia (ou nenhuma), como também pouco contra ataque barato à xenofobia, e principalmente cobrança das autoridades sobre a evolução do caso, para então se poder ter alguma conclusão.

sábado, 25 de abril de 2009

25 de Abril em Moçambique

Como um relato histórico, editei e reproduzo aqui partes de uma entrevista de um dos maiores intelectuais em solo moçambicano nos tempos coloniais fascistas. Entrevista esta dada à Rádio Nacional, ao programa “Em Limite”, pelo Dr. Adrião Rodrigues.
O Dr. Carlos Adrião Rodrigues, como advogado renomado em Moçambique, deu assistência jurídica a muita gente perseguida politicamente pela ditadura fascista da época.
Não posso deixar aqui de realçar o apoio que ele, a sua queridíssima falecida esposa Quina, os seus pais, o seu irmão Vitor e a sua então esposa Teresa, deram à minha família, inclusive material. Isso quando o meu Pai como jornalista e homem questionava o modelo colonialista fascista da época, e por isso passou por grandes dificuldades que o sistema lhe oferecia, e ainda depois da sua morte quando a minha Mãe passou a fazer o papel de Mãe e Pai.
Mas hoje tudo isto é motivo de festejar. Afinal, além de tudo, festejamos hoje o 25 de Abril.
Parabéns Portugal ! Parabéns Moçambique !


1a. Parte


2a. Parte


3a. Parte


4a. Parte


5a. Parte

sábado, 18 de abril de 2009

Jornalista - ainda uma profissão perigosa em Moçambique

Recebi de um amigo um "recorte" de uma edição do Diário de Notícias desta semana, com a notícia abaixo. Fica-se apreensivo com estes factos, pois daqui para se chegar a uma tragédia como a do jornalista Carlos Cardoso é um passo.
Fica-se agora na expectativa de quais as consequências reais e formais para o acusador de Felismino Jamissone, e autoridades (orgãos da justiça local e do estado) quando se tem conhecimento que o empresário, de que a notícia não informa o nome, retirou a queixa um mês depois da detenção da vítima porque reaveu o dinheiro, pois afinal estava bem guardado por familiares (!), e o que vai ser investigado e concluído sobre as ameaças que o outro jornalista, Raimundo Matola, vem sofrendo do Secretario Permanente do distrito de Marrupa, Domingos Covane.

Com a devida vénia, do Diário de Notícias:

MISA-Moçambique denuncia detenção ilegal de jornalista
(Maputo) O MISA- Moçambique veio a publico denunciar actos de intimidação a dois jornalistas em serviço na província do Niassa, um dos quais detido durante um mês sem justa “causa”.
Os visados, segundo o MISA- Moçambique, são um produtor radiofónico da Rádio Comunitária de Mecanhelas, Felismino Jamissone, e um jornalista da emissora publica nacional, a Rádio Moçambique (RM), baseado em Lichinga, Raimundo Matola.
No primeiro caso, segundo a fonte, o produtor radiofónico foi ilegalmente detido nas celas da Polícia (PRM) no distrito de Mecanhelas durante cerca de um mes, entre Janeiro e Fevereiro do corrente ano, alegadamente por este ter furtado dinheiro de um empresário local. Em comunicado, o MISA- Moçambique refere que Jamissone, produtor de um programa sobre direitos humanos, no qual vários cidadãos intervêm criticando quase que constantemente a actuação dos agentes da PRM naquele ponto do sul do Niassa, “foi inexplicavelmente” acusado de ter furtado 60 mil Meticais, no decurso de uma festa de passagem do ano, na residência do empresário.
O Núcleo Provincial de Niassa do MISA-Moçambique apurou que a Procuradoria da República ao nível do distrito de Mecanhelas, desde princípio, não haver matéria para deter o acusado, recomendação que não foi acatada, tendo o produtor sido mantido em reclusão e mais tarde transferido para a Cadeia Distrital de Cuamba, para onde os indiciados em Mecanhelas eram, até recentemente, levados, uma vez que este distrito ainda não tinha juiz, refere o comunicado.
Porém, segundo o MISA, Jamissone viria a ser restituído a liberdade cerca de um mes depois, após o empresário, que o acusara, ter retirado a queixa, por alegadamente ter “recuperado” o seu dinheiro, afinal guardado em lugar seguro por membros da sua família na sua residência.
O segundo caso envolve o jornalista da RM, Raimundo Matola, e o Secretario Permanente do distrito de Marrupa, Domingos Covane.
Matola afirma estar a ser alvo de telefonemas intimidatórios provenientes do Secretário Permanente que não terá gostado de um despacho noticioso seu no “Jornal da Manha” da RM, do dia 30 de Março último.
No referido despacho, Matola reproduziu criticas feitas a administração daquele distrito pelo Ministro de Planificação e Desenvolvimento, Aiuba Cuereneia, durante a sua última visita aquele distrito, entre os dias 26 e 28 de Mar passado, onde deplorou os magros resultados alcançados pelo distrito na aplicação de Investimento de Iniciativa Local, vulgo ‘Sete Milhões’.
Reagindo ao despacho noticioso contendo as críticas de Cuereneia, segundo o MISA, o Secretario Permanente de Marrupa, Domingos Covane teria enviado uma mensagem por telemóvel dizendo que o jornalista “destruiu o governo de Marrupa” e que assim fez por não lhe ter sido oferecido comida.
Covane termina a sua mensagem ameaçando o jornalista de vir a “passar mal”.