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domingo, 1 de dezembro de 2013

Cuidado! A Fernanda Lima paga impostos...


Ao ler o artigo “Sobre impostos, racismo e um conselho de minha avó (comentário à entrevista de Fernanda Lima)”, me enviado em uma rede social por uma querida amiga, apeteceu-me falar sobre conselhos da avó dos meus filhos.
Entendo as preocupações da Camila, a branca e filha da professora de francês, em relação à concorrência desleal de alunos bem preparados contra aos que por questões econômicas e conjunturais não tiveram a oportunidade de usufruir de uma escola com a mesma qualidade dos que têm, por exemplo, acesso às escolas privadas.
E usando também o direito a um parênteses, devo lembrar que todos pagamos impostos, pelo menos os certinhos, para que entre outras coisas o estado patrocine uma escola com educação de qualidade, para todos, brancos, negros e outros tons. Diria mesmo, ainda que atualmente quase que utopicamente, para ricos e pobres, pois também os mais favorecidos economicamente têm o direito democrático e social a escola pública. E com o direito democrático em mãos temos que cobrar muito para que o estado busque com prioridade máxima incrementar a disponibilidade da vagas nas escolas e universidades públicas, tanto quanto buscar incrementar qualidade nas mesmas. Aprenda-se com o que o “Mais médicos” esteja trazendo de bom para direcionarem também esforços na educação e não quererem apenas cortar caminhos para não se correr o risco de cobrar a conta das injustiças sociais de quem possa não ter também como pagar.
Ainda no parênteses, não entendo porque a filha da empregada pobre tenha que ser negra para ser uma concorrente a menos de uma filha de uma mãe que é professora de francês e branca. Professora e possivelmente não de escola pública. Se a comparação fosse entre uma filha de mãe pobre e de uma filha de família com melhores condições financeiras, não chagaríamos ao mesmo resultado?
Mas indo então para o tema das duas mulheres globais belíssimas, Fernanda Lima e Camila Pitanga, já que se esqueceram que Lázaro Ramos também foi preterido pela opção por Rodrigo Hilbert. Pelo menos é o que dizem os boatos. Pois de confirmação mesmo é a afirmação da Camila Pitanga de que nunca recebeu o convite da Fifa para a apresentação do evento do sorteio dos grupos da Copa. Sendo assim, ninguém voltou atrás. Simplesmente mantiveram o casal que já havia apresentado o emblema oficial da Copa de 2014, feita em Johanesburgo quando da Copa na África do Sul.
Sobre a (des)qualificação do termo usado pela Fernanda Lima “pago os meus impostos”, penso que a Camila, a filha da professora, usou como gancho uma colocação - talvez infeliz? – que não vejo como consistente. Algumas vezes, talvez de forma infeliz, também uso o termo “pago impostos”, especialmente quando me dou como português de nacionalidade, moçambicano por naturalidade, mas cidadão brasileiro ao aqui residir há umas dezenas de anos, pagando os meus impostos em dia, e me dando ao direito de questionar o que acredito não ser tão bom neste imenso país, territorialmente e de potencialidades multirraciais e culturais. Ou seja, o termo “pago impostos” é me colocando ao lado dos demais, nas mesmas condições, e não num pedestal olhando os pecadores de cima.
Temos sim problemas graves de racismo, em algumas regiões chegando mesmo a ser algo que nem mesmo é tão bem disfarçado. No entanto parte do país, tanto por entidades individuais como institucionais, vêm perdendo o rumo trazendo assim prejuízos no formato do combate a tão retrogrado sentimento que é o racismo.
A avó dos meus filhos sempre me disse: “Não mistures valores para justificares outros.”
Sempre li esse conselho da seguinte forma: “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa!”

Clique aqui para acessar o artigo a que me refiro neste post...

sábado, 20 de junho de 2009

Lucrécia Paco – Então é verdade, no Brasil é duro ser negro?

Foto do Site Época

A atriz moçambicana Lucrécia Paco mostrou ter personalidade quando estando em país estrangeiro, a convite de uma instituição deste país para apresentar uma peça de teatro, ter aberto o trombone através da imprensa local e afirmado ter passado por discriminação racial na maior cidade brasileira.

Lucrécia Paco estaria em uma fila de uma casa de câmbio, em um shoping comercial na cidade de São Paulo, trocando dólares, quando uma mulher teria, de forma agressiva, insinuado que a mesma havia tentado mexer na sua bolsa. Quando a atriz moçambicana pediu desculpa se por ventura houvesse tocado, de forma não proposital, na bolsa, a tal senhora teria ficado ainda mais agressiva, ameaçando chamar a segurança e polícia de imigração.

Uma pena que a Lucrécia Paco, ainda que entendível por estar em solo estrangeiro, não ter apenas contado esta história à imprensa após os fatos. Pena que a mesma, para mostrar ao mundo inteiro que também no Brasil, ainda que haja uma corajosa legislação pertinente, o racismo é ainda uma realidade, não tenha levado a situação a consequências mais sérias para a acusadora. Penso que para isso não fosse nem mesmo necessário saber que no Brasil racismo é crime inafiançável.

E se pudesse estar com a Lucrecia, também lhe passaria uma mensagem de calma para que não entrasse na paranóia que diz que entrou ao começar a achar que começa a ver sinais de discriminação por todos os lados, e que fico na torcida que deixe por aqui as melhores impressões do teatro moçambicano.

Pode-se ler a notícia em questão aqui , e nos comentários da mesma poderão constatar o que alguns não querem reconhecer; que o racismo neste país existe, principalmente quando se pode exercê-lo no anonimato.

Lucrécia(s), lute, mas lute muito contra o racismo, e contra todos os preconceitos em relação às minorias, inclusive em Moçambique, inclusive sendo seja lá qual for o tom de pele que sofra com o preconceito.

* Interessante ouvir o cantor e escritor Chico Buarque falar sobre o racismo no Brasil, aqui.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Neonazismo brasileiro

Foto daqui...

Depois da morte do casal de namorados em Curitiba por companheiros neonazistas, após festa organizada por uma das vítimas em homenagem ao aniversário de Adolf Hitler (ler aqui), um dos envolvidos no crime, o gaúcho Jairo Fischer, de 21 anos, foi identificado como o líder do grupo neonazista do Rio Grande do Sul denominado de Neuland.
As investigações começam a mostrar que uma rede de grupos neonazistas nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo, envolvendo ainda um grupo no país vizinho da Argentina, estariam envolvidos em mais de 10 homicídios nos últimos sessenta dias.
Há que se dar atenção à evolução deste movimento e agir duramente sobre o mesmo, pois já fica claro que se está a sair de um já crime que é o da propagação de ideais racistas, para em cima destes ideais se executar assassinatos .
Ler reportagem no Jornal Globo, aqui.

sábado, 2 de maio de 2009

Skinheads em versão brasileira

Skinheads suspeitos de participarem do assassinato do líder do grupo no Paraná
Imagem da Gazeta do Povo

Na madrugada de 21 de Abril, um casal de namorados, universitários, foi morto a tiros na região metropolitana de Curitiba. Ele líder regional do Paraná, Brasil, de um movimento neo-nazista, havia organizado um encontro de skinheads em Curitiba, onde residia, para se festejar o aniversário de Adolf Hitler a 20 de Abril.
Apareceram logo em vários sites neo-nazistas pelo mundo mensagens de apoio e de idolatração aos novos “heróis” mortos e pedindo justiça, pois afinal tinham assassinado duas pessoas apenas por sua visão política, um assassinato por ódio.
A mídia curitibana dá espaço para se falar da personalidade pacata da universitária que foi morta e da provável intelectualidade e inteligência do rapaz morto...
O que se pode esperar é que a mídia mostre que não pode haver inteligência onde se defenda o racismo e o preconceito de qualquer natureza. É preciso alertar que o ser pacato pode até parecer sinônimo de ingenuidade, mas também de estratégia.
Sinto muito pelas famílias envolvidas, que muito possivelmente nem estivessem em sintonia com que os filhos estavam envolvidos.
Agora há que, como os amigos das vítimas pediram, esperar que aconteça justiça, e que começando pelo seu grupo, das vítimas e dos tais amigos, se identifique os criminosos; tanto dos que fazem sangrar ou induzem a tal, tanto dos que cometem crimes sociais como a discriminação racial, sexual e social. Afinal, como já se apontava, quem matou o casal foram próprios skinheads, da liderança nacional, preocupados com a nova liderança que se formava em Curitiba.

Para ler sobre este crime, acesse aqui e aqui.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

comÁfrica.org



Ao ter-me manifestado sobre a reportagem do Esporte Espetacular, a qual intitulei aqui na Lanterna Acesa de "Tempos de apartheid", acabei por receber um simpático e.mail da comÁfrica.org, através do seu diretor de comunicação, Dr. Salomon Blajberg.
Por fomentar os conceitos de amizade e solidariedade entre os países sul-africanos e o Brasil, por reforçar a importância do fato histórico do jogo que não aconteceu em 1959 na cidade do Cabo, pela iniciativa que tiveram em pesquisar o nome do meu Pai e a fotografia que fizeram do mesmo, pedi a autorização para transcrever aqui o e.mail, que creio deva ser de interesse dos visitantes da Lanterna.
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Prezado José Paulo Moreira de Carvalho Gouvêa Lemos.

Tivemos a satisfação de acessar o seu blog http://lanternaacesa2.blogspot.com/2009/04/tempos-de-apartheid.html , pois estamos acompanhando através de buscas na internet as repercussões da reportagem "Há 50 anos, Portuguesa Santista sofreu com racismo na África do Sul" veiculada no Esporte Espetacular em 12/04/09.
O Instituto ComÁfrica, também denominado comAfrica.org, antigo Comitê Brasileiro de Solidariedade aos Povos da África do Sul e Namíbia - COMÁFRICA, fundado em 22.08.1985, dá continuidade à ponte entre pesquisa acadêmica e a efetivação da política externa como política pública pela sociedade civil no Brasil.
Neste sentido contribuímos para que os 50 anos das primeiras manifestações brasileiras contra o apartheid fossem condignamente comemorados com a matéria veiculada.
Mais abaixo reproduzimos o boletim enviado para anunciar a transmissão da reportagem, que estava programada para 5/4, porém por problemas técnicos só se efetivou no dia 12, coincidindo com os 50 anos do "jogo que não houve" e que mudou os rumos da relação do Brasil com a África do Sul. O Boletim, traz algumas informações mais detalhadas sobre o episódio inclusive com dois links para páginas de nosso site que motivaram a reportagem e onde o assunto é relatado.
Além de repassar estas informações, gostaríamos de manifestar o apreço pela figura de seu Pai, que nos foi dada a conhecer de forma fragmentária no âmbito das buscas na Internet mas que nos revelou o perfil de um jornalista investigativo, combativo e anti-colonialista cuja memória merece ser cultivada nos países de língua portuguesa.
Gostariamos igualmente de solicitar autorização sua para incorporar a foto publicada em seu blog, bem como seu depoimento, a nosso acervo de memória social.
Como poderá notar no texto do Boletim abaixo, pretendemos futuramente levar ao site materiais sobre estes acontecimentos, que incluem também uma pesquisa mais aprofundada sobre a receptividade que teve a Portuguesa Santista em Moçambique e Angola após terem seus jogadores sido vitimizados pelo Apartheid. Consta nos que em Lourenço Marques foram recebidos em meio a manifestações populares. A foto publicada em seu Blog é com certeza uma demonstração da solidariedade de seu Pai, representativa da solidariedade moçambicana.
Assim, se por acaso no acervo do Jornalista Gouvêa Lemos existirem outras recordações desta época, inclusive no âmbito do jornal "A Notícia", sugerimos que as publique caso seja possível .
Ficamos ao seu dispor e prezamos muito a contribuição feita em seu blog à amizade entre o Brasil e os povos africanos.

Saudações solidárias
Instituto ComÁfrica
Salomon Blajberg ,Ph.d. Viena
Diretor - Comunicação
Director - CommunicationCaixa

domingo, 12 de abril de 2009

Tempos de apartheid


Á esquerda o jornalista Gouvêa Lemos com parte da delegação da equipe brasileira Portuguesa Santista. (Jornal "Notícias", de Lourenço Marques)

Tenho esta fotografia como uma das recordações do meu Pai como jornalista (repórter, cronista, diretor de redacção).
Foi quando da visita a Lourenço Marques, Moçambique, em 1959, do clube de futebol brasileiro Portuguesa Santista.
O que eu não sabia é que nessa excursão da Portuguesa por África, em especial pelas colônias portuguesas, também haviam passado pela África do Sul, onde iriam jogar na cidade do Cabo, e que acabaria por haver um incidente diplomático entre o Brasil e a então África do Sul, porque estes últimos não aceitaram que três dos jogadores da Portuguesa, por serem negros, participassem da partida.
Os jogadores da Portuguesa, com o apoio do governo brasileiro, já no vestiários, depois de já terem passado por humilhações no porto por terem negado inicialmente o desembarque a estes três jogadores, e ao ficarem sabendo que estes estariam proibidos de participar, negaram-se a jogar e retiram-se do estádio e do país.
Com esta decisão passou a ser o Brasil um dos primeiros países, tendo na época o Juscelino Kubitschek como Presidente da República, a tomar uma posição internacional contra o regime do apartheid.
Indico que se assista à reportagem exibida hoje no “Esporte Espetacular”, da TV Globo, abaixo.