domingo, 15 de novembro de 2009

É certo que se convide ditadores, sejam eles religiosos ou políticos, com honras de Estado?

Por António Maria G. Lemos

Não concordo com o patrulhamento da imprensa em cima do governo Lula. Ressaltando os erros do seu governo em manchetes, e os acertos, em notas pequenas de ultima página. Mas cá entre nós, há coisas deste governo que apesar de achar dos melhores que já tivemos, também não consigo engolir em seco.
A sobreposição de valores próprios, típicos da nossa cultura, defendidos por ele em campanha e durante uma vida - que espero seja longa na política - em nome da "paz" (ou interesses comerciais) , não a vejo sempre com bons olhos.
Como por exemplo, que a diplomacia pragmática, (desculpem o pleonasmo), do governo atual, vem priorizando na agenda de encontros internacionais. Convidando, e depois claro, recebendo e sendo recebido por Tiranos. Sejam eles representantes de monarquias árabes , os ditadores do Irão e Líbia, o percussor da corrida da militarização na América do Sul; Chavez, que nos moldes do velho socialismo do seu Tio Fidel, precisa urgentemente de um inimigo internacional, para desviar as atenções do povo, sobre os verdadeiros problemas internos que assolam o seu pais. Pobre da Colômbia, que foi escolhida por ele, como sendo a “bola da vez”. Será por isso que o Brasil, resolveu dar prioridade de interesses nacionais, à compra de submarinos atômicos franceses? Baseado no princípio dos interesses nacionais; amigos-amigos, negócios á parte? Há que manter o taco do Chavez - também conhecido como “mamãe quando crescer eu quero ser Bolívar” - à distancia.
Deve o nosso governo priorizar o desenrolar do tapete vermelho a tais tiranos, e recebê-los com honrarias de Estado Democrático ?! Não haverão outros Chefes de Estado, de interesse nacional, menos antagônicos á nossa Constituição, para ser convidados?
Se Lula fosse bem assessorado, teria conseguido as mesmas vantagens comerciais, ou “ajuda para a paz”, se tivesse levado esses contactos ou investimentos diplomáticos, no patamar de ministros, como outros países o fazem. Assim , de forma simbólica, tentam mostrar aos tiranos que eles têm ainda que mudar muito, para poderem entrar pela porta da frente, e se sentar no sofá da casa que pretendem freqüentar.
Se o nosso governo fosse honesto consigo mesmo, não poderia se dizer a favor do respeito unilateral dos Direitos Humanos; liberdade de expressão, igualdade entre homem e mulher, abolição da escravatura, etc... Ser contra a perseguição ao homossexualismo, uso das crianças-soldado... e ao mesmo tempo lidar com tiranos que até hoje tem o seu "pelourinho" ativo, e em praça pública chicoteiam homens e mulheres em nome da Charia (lei religiosa). Lei mais do que medieval, (como a queima das bruxas no ocidente), usada por usurpadores de poder, que nada tem haver com a religião islâmica, que dizem defender.
Aliás se Deus existir, em qual formato religioso que seja, esses tiranos seriam os "fariseus" a ser expulsos do paraíso.

Somos a favor ou contra os Direitos Humanos?

Se podemos abdicar dos nossos valores humanos e culturais em nome de necessidades comerciais do país, porque então não começarmos com a produção e exportação de droga, que nem o Talibã no Afeganistão? Se os valores que achamos crer, e até bradamos ao mundo os defender, podem baixar no escalão das prioridades governamentais. Baseado nesse princípio, de uma só tacada , poderíamos matar dois, ou mais, coelhos. Passaríamos a produzir e exportar drogas, acabando com os subsídios à agricultura, aumentando assim as exportações, entrada de divisas, e melhorando consideravelmente a subsistência dos nossos peões de roça.
Os latifundiários ganhariam ainda mais do que já ganham... mas como se diz por aí, não há política perfeita, e em nome da diplomacia pragmática.
Sei que para alguns agora estarei sendo um tanto radical na minha "linguagem plástica/visual", sobre o tema; “Valores” x “Interesses” = Y : Y = Tolerância ?!
Nasci e morrerei tolerante, mas desde que o preço não seja o de ter que vender os valores que acredito e defendo.
Se elege um governo, por acreditar que ele jamais apertaria a mão de pessoas que desrespeitam os mais básicos e primordiais Direitos Humanos. E que venha a defender os valores que a nossa cultura política, religiosa e constitucional, defende. Abominando abraços de urso, como o foi o de Hitler e Stalin, que por um não respeitar os seus próprios valores constitucionais, acabou sendo invadido um ano depois desse "abraço de diplomacia pragmática", pelo exército do já então conhecido tirano nazi.
Um governo deveria representar não só os interesses econômicos, como também defender os valores da Constituição - pilar social, político da Nação - que ele representa.
Será que em nome da "pseudo-tolerância" cultural e religiosa, deveremos aceitar que filosofias, sejam elas políticas ou religiosas, estejam acima dos Direitos Humanos e da nossa Constituição ?















Manifestantes  no   Rio   de   Janeiro,  em   3
de Maio de 2009,  na  véspera  da  visita  de
Ahmadinejad que acabou por ser adiada.
Agora está agendada a visita do ditador ao

Brasil para Novembro.


Fonte da foto: Site do Estadão

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Fui à feira de imóveis, voltei com música...


Fui a uma feira de imóveis e voltei com 6 DVD’s de música.


Comprei o Zé Ramalho canta Bob Dylan (tá tudo mudando), lançado no ano passado; na onda nostálgica, dois da Elis Regina, sendo um show produzido pela TV Cultura (que vejo e ouço em quanto escrevo esta nota), e um outro produzido pela TV Globo, um do Toquinho, de um show em 1983 na RTSI, um do Deep Purple, onde posso ouvir Woman From Tókio e outras preciosidades, e por último um DVD de uma bela coletânea de gente brasileira, com algumas performances mais antigas, outras não tantas, como Rita Lee, Cássia Eler, Lulu Santos, Zeca Baleiro, Jorge Bem Jor, Titãs e tantos outros da boa música tupiniquim.

Comentando o DVD do Zé Ramalho, ainda que seja eu um suspeito para falar de alguém que já bato palmas antes mesmo de ouvi-lo, é mais uma grande performance deste nordestino. Para não haver frustrações, não podemos querer ali ouvir o Bob Dylan e nem mesmo as músicas no seu formato original. São versões com a personalidade interpretativa do Zé Ramalho, onde apenas uma música é em versão original e em inglês, ainda que interpretada pelo pernabucano, que é a"If not for you".
Destaco a participação em uma das faixas do grande guitarrista pernambucano, que tanto curti na minha juventude, Roberto do Recife.

Na minha consciência leve, e para garantir o código de ética de décadas atrás, estarei dividindo algumas destas belas performances em “K-7”, pois quando ali gravávamos as nossas músicas preferidas e a emprestávamos aos amigos ninguém nos classificava de piratas. Continuo apostando nesta alternativa, que como consumidores temos; Gravar o que compramos e dividir, sem fins comerciais, não deixando de usufruir das novas tecnologias, inclusive de comunicação, como a internet.

Por outro lado, já indico que comprem estes dois primeiros que já ouvi e que ouço, que são este do pernambucano Zé e o da Pimentinha produzido pela TV Cultura. Assim os terão na integra e com melhor qualidade.
E não comprem DVD e CD pirata. Não alimentem pilantras. No entanto, um "K-7" é sempre bem vindo!

domingo, 4 de outubro de 2009

Mercedes Sosa, ficou o seu legado.

A argentina Mercedes Sosa era naturalmente internacional. É difícil se mensurar o quanto ela influenciou, como artista e cidadã do Mundo, artistas e intelectuais e menos intelectuais do planeta, em especial na América do Sul.
Quando se anuncia o falecimento de artistas internacionais reconhecidos pela a sua arte, surge sempre um sentimento de perda, mas não com o mesmo impacto quando se recebe a notícia do desaparecimento de uma Mercedes Sosa. Ao acordar hoje e ao me deparar com esta noticia, a sensação é que havia perdido algo importante na minha própria história.
Ouvindo Mercedes Sosa se ganha coragem em se lutar para que se seja um cidadão do Mundo com mais responsabilidade, com mais comprometimento com questões sociais.
Já estava no Brasil quando as portas, por aqui, começaram abrir para a democracia no final da década de 70, inicio de 80. Logo depois começamos a ouvi-la, quando muitos ainda inseguros perguntavam se não era proibido a execução, na TV e rádios, das músicas desta argentina. Milton Nascimento e Chico Buarque passaram a ser os cicerones para esta artista no mercado brasileiro, e como conseqüência para esta cidadã no país vizinho ao das suas origens.
Mais tarde,em 1986, Mercedes Sosa patrocinou um dos momentos mais altos, ao meu ver, da TV brasileira quando participou com Milton Nascimento e Gal Costa do então programa “Chico e Caetano” da TV Globo.
Morreu hoje Mercedes Sosa... ainda bem que a história não se apaga.






sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Back to the garden


Ao se festejar, em Agosto, os 40 anos da Feira de Arte e Música de Woodstock, alguns livros foram lançados e outros tantos relançados.
Peguei, em uma prateleira da livraria do aeroporto de Curitiba, o escrito pelo DJ da então rádio americana WNEM- FM, Pete Fornatale.
Um livro recheado de antigos e menos antigos depoimentos de gente que participou do maior festival de todos os tempos, no palco, nos bastidores e na platéia.
Depoimentos que falam sobre ausências dos já ícones da música, como os Beatles e Roling Stones, dos problemas de organização, da supresa inesperada de uma platéia de algo próximo a 500 mil jovens, onde em 3 dias de paz, amor, sexo, drogas e muita música, ouve uma manifestação onde a política ficou em segundo plano mas movido substancialmente pelo despertar de uma nova consciência de jovens ávidos por Paz e contra a então guerra no Vietnã, onde a USA estava envolvida.
Depoimentos como o do desconhecido Carlos Santana, que até aquela data não havia lançado ainda o seu primeiro disco, e que explodiu ali para o mundo com uma memorável performance: “É sempre uma onda e um ponto alto recordar o som. Me lembro do som antes de sair dos meus dedos, depois o ouvi saindo dos meus dedos para as cordas da guitarra. Da guitarra para o amplificador. Do amplificador para o PA. Do PA para todo um oceano de gente – uma montanha –, todo um oceano de gente e depois de volta para você. Impossível de esquecer. Foi lá que descobri meu primeiro mantra. A esta altura, muita gente sabe que eu estava chapado de mescalina, porque me disseram que eu só ia tocar às 2h ou algo parecido. Mentiram para a gente. Assim que tomei o lance e comecei a pirar, subimos – eram 14h. Foi essa a primeira vez que repeti meu primeiro mantra, que era, “Deus, por favor me ajude a ficar no tempo e no tom certos”. Fiquei repetindo esse mantra.”
Para quem gosta de rock, country, blues, e tem curiosidade sobre o que rodeava e acontecia com as grandes estrelas antes, durante e depois de Woodstock, aconselho a leitura deste livro.

Título: Woodstock, quarenta anos depois
Título original: Back to the garden
Autor: Pete Fornatale
Editado no Brasil pela Agir Editora Ltda.


sábado, 19 de setembro de 2009

Sim, eu te aceito...


Ao ler a crônica “Sorry. I still a conservative member…”, a minha resposta imediata é: Sim, eu te aceito, a ti e a muitos mais, cada um com a sua forma de ver o mundo, dito virtual. Aceitar-te, somente ao ler esta crônica, sem mesmo levar em conta o que te conheço como irmão e amigo, o que me faz de ter como irmão herói, faço-o mesmo é com mais vontade que tivesses registrado nas “redes sociais” a que pertenço.
Afinal, se apontas perfis de usuários das várias alternativas de comunicação que a internet oferece, onde comungo contigo que se excedem, para as minhas próprias regras de medição, no se expor ou querer a invasão de espaço alheio, penso que não seja essa uma linha geral.
Também não me assusta a mim as misturas de culturas, sem necessariamente estar sempre na onda do que é “IN”.
Redes sociais, como o Facebook, o Multiply, e similares, são caminhos, para mim, não de recordes na minha lista de amigos. Nesses espaços eu procuro diminuir as distancias entre o meu espaço geográfico com outros mundos, em especial aqueles que estão fortemente ligados à minha mente, como o próprio Brasil além Curitiba, Moçambique e Portugal. Acontece que nem sempre são os meus amigos, reais e/ou virtuais que complementam as minhas necessidades na interpretação do que acontece além do meu território físico e de atuação intelectual. Nessas listas, onde alguns podem estar buscando recordes imaginários, encontram-se na minha alguns amigos, família ou não, alguns conhecidos, e alguns desconhecidos, mas todos eles sendo para mim uma alternativa de interpretar o mundo. Não clico aleatoriamente no “Accept” para todas as propostas ou dicas de amizades que me enviam. Já todas as que me enviam fazendo-me um convite direto de fazer parte da sua lista de “amigos, conhecidos e desconhecidos”, são aceitos de imediato. Afinal deverá haver ali algum potencial de uma nova informação, a ser aproveitada ou não. Onde será guardada ou se será guardada, vejo isso depois. Claro, este é o meu comportamento quando já estou registrado, e mantenho ativa, uma conta em uma destas redes em questão.
Por vezes, sou eu que faço convites a pessoas que já fazem parte de uma rede onde estou, que irão me ver como um desconhecido, que acabam aceitando ou não aceitando. Faço-os pelo mesmo motivo: buscar alternativas de contato com o meu mundo externo.
Com alguns destes, passo até a ter contato via e.mail ou mensagens pessoais, usando as ferramentas das próprias redes. De um desconhecido passa a ser um conhecido, que posso ver ou não potenciais de amizade a serem desenvolvidos, onde tenho já alguns bons exemplos reais (Não seriam estas pessoas, antes, reais? Seriam elas virtuais?)
Para uma análise mais prática sobre a crônica “Sorry. I still a conservative member…”, eu diria que é um ponto de vista, crítico e muito válido, em relação a usuários que não têm um comportamento adequado ao teu, e meu, estilo de aproveitamento no uso das alternativas que a internet nos oferece. Desqualificar estas alternativas porque tem quem as use de forma “indevida”, seja no ambiente destas alternativas ou porque abandonam outros meios de se sociabilizarem, como ir a um barzinho, a um show com amigos e bater um papo com estes no “face to face”, é como deixar de ir a um show porque sabemos da possibilidade de ter por lá gente que não sabe o momento de ouvir a música ou de bater palmas, ainda que esta falta de sintonia entre os momentos não chegue a atrapalhar o show no seu todo.
Então meu mano e meus amigos, estou também disponível para manter contato com vocês, e com alguns desconhecidos, via tais “redes sociais”;

You “accept me”?

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

“Sorry. I still a conservative member…”


Por António M. G. Lemos

Volta e meia abro o meu Mail e vejo que não tenho notícias novas e pessoais, e sim pedidos para aceitar um amigo ou amiga, no MSN , Yahoo, Orkut, Netlog, Facebook Network, ou seja lá como todos esses “Friends Networks”, primos do Big Brother, se chamem.
Antes, para evitar melindres, ainda me dava o trabalho de responder à pessoa que me havia enviado o pedido de “aceite”. Hoje já são tantos que se lhes ajuntar os E-mails que são repassados de massa para massa, (chego a receber o mesmo Mail 3 vezes), não me sobraria tempo para ler algo verdadeiramente interessante, ou mesmo usar o meu tempo livre, fora da telinha.
Na minha vida privada real, costumam me perguntar pelo meu nome de membro de uma dessas “rede de amigos”. E quando respondo que nem membro do “Bompreço”, ou do “Pingo Doce” sou, de resposta recebo um indignado(!?); Oooh pá, não sejas chato! Diz’me lá pá. Ou não és meu’migo? Ou, “Qual é brother? Não enche o saco meu! Abre o jogo mai frendchi...”
Se governos totalitários até hoje não conseguiram que a Humanidade andasse toda vestida de verde-oliva, ou roupas que nos escondessem a maior parte do corpo, e deixássemos de pensar, para o Estado vigente pensar por nós. O tal mundo de manipulação Global - apesar de parecido, não confundir com a TV Globo do Brasil - conseguiu que da Antártica ao Ártico, se consumam os mesmos produtos, valores e códigos de conduta. O “IN” do urso polar, passou a ser o mesmo do pingüim real do sul. Todo mundo numa Nikentendo meu!
Se antes resistíamos ao poder de manipulação das massas, hoje de biquínis e shorts iguais, pulamos voluntariamente e de sorriso escancarado, na piscina do “Grande Irmão”.
Quando pergunto porque é que têm que pertencer a tais grupos ouço várias justificativas. Uma delas que pretende explicar porque é que arrumam tempo para ficar horas em frente do Facebook, e não investem 15 minutos para tomar um copo depois do trabalho com um amigo ou colega de trabalho, acho extremamente interessante; “trabalho muito, as obrigações familiares... e como não tenho tempo para encontrar as pessoas que gosto...” (!?)
Outra justificativa que parece ter sucesso, pois é usada por muitos, e acho mesmo a mais “queridinha” de todas; “...nem imaginas, como tenho encontrado amigos que não vejo há anos!” (Só não me explicam depois como é que com a falta de tempo diária para cuidar das amizades atuais, ainda arrumam tempo para os amigos do passado.)
A justificativa que melhor esclarece a solidão dos cidadãos do mundo do Grande Irmão é sem dúvida; “Sabes quantos amigos eu já tenho? 247!!!” (Mesmo não tendo cem por cento de certeza, se também reconheceriam todos esses amigos, se porventura os encontrassem na sua vida privada, em lugares públicos e convívio social. )
Tudo bem, não devo ser tão “conservador” ou “extremista” e aceitar um pouco mais os “ins” de hoje. Afinal também gosto de jogar futebol e xadrez com algum incógnito do outro lado do mundo ...sem trocar uma palavra. E afinal também não posso garantir que se antes investíamos o nosso tempo livre colecionando moedas e selos, fosse realmente mais interessante que colecionar e bater recortes de amigos virtuais. Nessa coleção, devo ser o pior de todos, afinal só tenho 5, que entraram de gaiato no meu navio, quando eu ainda não me tinha apercebido, das dimensões da moda. E agora nem sei mais como os apagar, sem os apagar da minha lista de endereços de mails.
O que me impressiona é que a força do voyeurismo parece ter renascido em cada um de nós com uma força quase doentia. Mais importante do que escrever algumas linhas, que mesmo por poucas e curtas, fossem pessoais e dirigidas a uma só pessoa que tenhamos a vontade e necessidade de escrever. O porreiro, o legal, o bué da fixe, o cool, o geil..etc, é colocar as “news” no ventilador do mundo virtual e espalha-las aos quatro ventos. Uma espécie de auto-paparazzi. Fazemos a notícia e divulgamos com uma frase num desses “Friendly Network”.
Mesmo que não tenha interesse nenhum em saber, ao abrir alguns dos provedores de E-mail, sou confrontado com “informações” como; “estou no banho e já volto”, “estou feliz, amanhã parto para a Turquia”, “deitado em casa com uma gripe”, “riscaram o meu carro snif,snif”, etc, etc...
Raios que me partam, quem lhes pediu para me colocarem na posição de voyeur!? É por isso que se no início dessa moda, ainda havia aceito algum desses pedidos para evitar melindres, já faz tempo que passei a rejeitar todos eles. Desde então, podem ir ao banheiro á vontade sem me explicar que em breve “vai feder”. Eu cá uso o banheiro para resolver negócios, que ninguém no mundo pode resolver por mim. Ou seja, papo privado mesmo!
Da mesma forma que eu digo Não à colocação de câmaras de vídeo espalhadas por escolas, estádios, ruas, estações de metrô e trens, que alegadamente deverão diminuir a violência em certos locais “nefrálgicos” das nossas cidades e sociedades. Por estar certo de que tais medidas na verdade não combatem as causas e sim, as conseqüências do problema. E ainda roubam de paralelo, a liberdade e privacidade da maioria dos inocentes da sociedade. Também me nego a abdicar voluntariamente do meu direito de privacidade, e a assumir o lema do “Grande Irmão” - “Guerra é paz, Liberdade é escravidão, Ignorância é força.” - do mundo totalitário , escrito por George Orwell no seu livro “1984” . Onde os Ministérios da Verdade, Paz, Fartura e Amor, controlam a informação, a memória, a fome, a guerra. Ou seja, o “Grande Irmão” ama, pensa e decide por todos os cidadãos.
Gostos não se discutem, e se eu respeito os vossos, por favor não levem pessoal e nem se melindrem se rejeito os vossos “aceite”. Com os Amigos “de longe”, antigos ou novos, mantenho as amizades vivas através de E-mails, e conferencia de voz e câmara. (Cartas continuam sendo as mais raras e ansiadas). Para os amigos “de perto” procuro priorizar o tempo e cuidar das amizades, como sempre fiz. Com encontros mesmo que às vezes mais curtos que a vontade, em casa, no bar, jardim, lago, cinema da esquina, motel, ou na igreja.
Com as novas tendências e modas da Sociedade Virtual, nos vejo cantando e rindo, marchando voluntariamente para esse mundo de G. Orwell, que já é parte real dos nossos dias.
Por isso não me empurrem! Não vou pular no mar do “Partido IN” atual, e nem vou aceitar a verdade imposta pelo Ministério da Verdade Virtual. Não serei membro da rede de amigos do “Sejaláqualfor”. Se é para ser peixe, lutarei até ao fim, feito um Merlin.
Vão ter que me pescar à linha corrida, e em alto mar!
Me desculpem meus verdadeiros e reais amigos, mas é que eu continuo um membro conservador do grupo Face to Face.

You “accept me”?


António Maria Gouveia Lemos
16/09/2009