terça-feira, 15 de novembro de 2011

Amor bandido?

Depois do "Presidente Dilma, me desculpe, eu te amo", Ministro Carlos Lupi tem dificuldades para explicar carona em avião de ONG.

sábado, 17 de setembro de 2011

“Esta terra ainda vai cumprir seu ideal”...Qual?

O artigo “Esta terra ainda vai cumprir seu ideal”, se fosse para voltar à infância, me faria qualificar o seu autor como “o estraga prazeres do grupo de amigos da escola”. Já o havia lido mas ao reler o mesmo no competente ma-schamba, me induziu a voltar a cronicar na Lanterna Acesa.
É de uma carga negativa tremenda. Começa por se apegar a uma infeliz colocação de um consultor para passar a idéia de que os agricultores brasileiros são uns colonialistas à moda antiga, quando as nações sobre as suas caravelas buscavam descobrir terras além mar, fazendo-se esquecer que o agricultor do cerrado brasileiro não é um aventureiro e sim um investidor que está diretamente ligado ao desenvolvimento do Brasil e dos bons  resultados dos últimos anos na economia deste país. No Brasil, como em outros países desenvolvidos, emergentes ou não, quando a agricultura vai mal, a construção civil vai mal, a indústria automobilística vai mal e por aí afora.
Depois coloca como se a noticia não seja de fato uma novidade. Como se o tema já fosse propagado aos investidores de agronegócios brasileiros há muitas décadas, mas que ainda assim os agricultores brasileiros não conhecem a realidade moçambicana e fazendo um desfile de motivos para que estes investidores tremam de medo e tomem cuidado com onde pensam pisar. Fala da vegetação diversa, fala da população de 12 milhões de pessoas organizadas em várias línguas e culturas, cada um com a sua história. Levanta a questão de ter sido aquela região o principal palco das guerras que Moçambique viveu.  Fala da inexperiência de relações sociais dos agricultores brasileiros.
Fala de um monte de aspectos negativos, de uma forma negativa, que me deixam na dúvida a quem ele pretende proteger. Se aos ingênuos produtores e investidores brasileiros ou se a Moçambique. No fim, vejo o autor da crónica desqualificando um e outros. A descrição que faz de Moçambique é quase de um território não apropriado para o investimento e fadado a se manter um território subdesenvolvido, com várias nações passando por dificuldades (isso ele não chega a deixar claro) e que não haverão de ser apresentados a outras alternativas de sobrevivência e desenvolvimento. Deveria ele fechar o artigo dizendo: Querem ir a Moçambique gastar uns trocados e participar assim da economia e um país exótico? Vão à Gorongosa ver os leões e crocodilos e por lá visitarem umas aldeias indígenas... coisas assim, de colonialista do antigamente. Eu aqui, de patrão turista, e vocês lá, fazendo parte de um quadro exótico!
Entendo as preocupações que temos assistido em Moçambique sobre a possível execução deste projeto ao norte do país. Entendo também alguns dos cuidados, como cuidados, que o Beluce levanta na sua crónica. Mas não concordo em absoluto com o seu posicionamento negativo, sem apresentar sugestões para qualificar o projeto, como com a sua falta de lógica demonstrada em alguns momentos da sua crónica.
A afirmação que faz sobre não ser a disponibilidade de terras que atrai estes investidores brasileiros e sim a mão de obra barata é no mínimo maldade e até, tendo quem  acredite nele, deixar de cuidar do essencial. Digo isso porque sei, e o Beluce tanto ou mais do que eu, que a agricultura nos moldes atuais no cerrado brasileiro, de soja, milho e algodão, usa muito pouca mão de obra. E não haverá de ser nessa atividade que Moçambique poderá acreditar haver um retorno direto no índice de emprego do país ou das populações locais. Se Moçambique investir e se organizar para o restante da cadeia produtiva, como capacidade de pré-beneficiamento destes produtos e armazenamento dos mesmos, como até  o manufaturamento destes, ai sim haverá uma grande absorção de mão de obra.
Se Moçambique fizer um planejamento competente no uso da terra, este tipo de projeto não deve trazer prejuízos aos pequenos agricultores, podendo e devendo trazer sim valores agregados como tecnologia de ponta mais ao seu alcance.
Moçambique deve, com toda a certeza, avaliar o currículo dos investidores brasileiros, porque também aqui temos aventureiros ou aproveitadores. Deve Moçambique ter um cadastro levantado junto aos órgãos competentes brasileiros, como Ministério da Agricultura e Ministério do Trabalho, de cada um dos investidores que se apresentar para fazer parte desse projeto. Isso será muito fácil de o fazer, levando em conta a aproximação que sabemos existir entre os dois Governos dos Estados envolvidos.
É um projeto que tenho convicção poderá trazer grandes benefícios para Moçambique com bons resultados para os investidores.
Não há que nos prendermos a frases de efeito dos “Beluces”  como a que me referi anteriormente sobre estarem os investidores buscando mão de obra barata, quando eles sabem que não é, não para os plantios projetados, a mão de obra um componente comprometedor nos custos de produção. Não pelos baixos  salários, mas sim pelo pouco uso num plantio e colheita cada vez mais automatizados. Não querer vender a idéia que o que se vai plantar, milho, soja e algodão, não terá como foco o alimentar os moçambicanos porque destes só o milho se presta para o alimento. Ora! O que se faz com soja? Tanto atende como alimento direto para os seres humanos, pois trata-se de um feijão com alto teor nutritivo, como alimento indireto, na fabricação de óleo comestível de alta qualidade e farelo que poderá tanto atender a indústria de alimentos como para rações animais que depois também se transformarão em alimento humano.
O que deverá ficar transparente é que estes produtos serão direcionados pelos investidores para os mercados mais rentáveis. Se o mercado de exportação estiver pagando melhor do que o mercado interno pagar, assim ele será direcionado. O Estado é que deverá ter dispositivos para direcionar a produção mais ou menos para consumo interno, seja através de subsídios, seja através de investimentos complementares para o processamento destes produtos dentro do país, especialmente o mais perto possível de onde os mesmos são cultivados diminuindo  assim os custos de logística buscando custos finais melhores para os consumidores internos.
E fundamentalmente há que acreditar que o que alimenta uma população é dinheiro no bolso. Dinheiro no bolso, do estado e dos cidadãos, nos dá a condição de nos alimentar de comida, de acesso à saúde, à educação, e de acesso a tudo que uma sociedade tem direito, independente de culturas ou credos religiosos.
O Estado que fique com a obrigação de garantir investimentos, de criar condições de infraestrutura para o desenvolvimento e de garantias da melhor e mais justa distribuição de renda possível.
Sobre a competência dos agricultores brasileiros e da cada vez mais necessidade de produção de alimentos, deixo aqui um link pedindo desculpas antecipadas pela propaganda ao produtor deste vídeo. É que independente dos interesses comercias deste em relação aos mercados de fertilizantes e defensivos brasileiros, é uma matéria que mostra números que devem ser refletidos.

*Quem sabe um dia destes eu não venha a escrever algo sobre como o desenvolvimento dos Estados do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso vem evoluindo desde que os agricultores de soja, milho e algodão foram para estas terras plantar o alimento e outros produtos essenciais para o planeta.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A Beira, por Alberto Feliciano Marques Pereira

A Beira foi uma cidade que meu viu jogar ao berlinde nas covas feitas nas ruas de terra batida do Macúti. Entre a Ponta Gea e o Macúti vivi intensamente a minha infância entre os 5 e 12 anos, de 1965 e 1972 e passei a me entender como beirense ainda que tivesse nascido na capital Lourenço Marques. Se às vezes a traí, só pela Vila Pery quando por lá morei de 72 a 75.
Todos os outros lugares por onde passei por Moçambique foram sempre amores momentâneos. As paixões ficaram de fato pelas praias da Beira e depois mais tarde pelo Pôr do Sol do Chimoio.
Sabemos que todas as histórias têm passagens mais e menos bonitas, e a da Beira não haveria de ser diferente. A visão do Alberto Feliciano Marques Pereira, em 1966, pelo livro “A Arte em Moçambique”, foi-nos contada assim:



terça-feira, 9 de novembro de 2010

Lula viaja para Moçambique para inaugurar fábrica de medicamentos à Aids

Lula em  Moçambique, 09/11/2010
Origem: Site do MSN

Clonei o título deste post - melhor do que dizer que plagiei - de um artigo do site da "Folha", onde em pequena nota fala do objetivo da visita do Lula a Moçambique.
De imediato me lembrei de algo que escrevi a 25 de Março deste ano aqui na Lanterna Acesa sobre o tal investimento brasileiro em terras moçambicanas. O fiz incentivado por um artigo escrito pelo Machado da Graça, um respeitado jornalista do país que recebe o Lula como visitante para cortar faixas.
Dizia então o Machado da Graça que a a tal fábrica de remédios era de fato uma fábrica para embalar medicamentos para a AIDS (SIDA) e que os comprimidos eram enviados do Brasil.  Ou seja, que a tal transferencia de tecnologia ficava pelo investimento na estamparia em uma qualquer gráfica, que haverá de ter dono, e pelo que eu entendo agora também parte dos tais 13 milhões de reais para uma linha de empacotamento de comprimidos.
Será que o Machado da Graça e outros, como eu, estarão enganados e que o Brasil estará de fato passando a tecnologia na fabricação destes remédios e não apenas na embalagem dos mesmos?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A Arte em Moçambique

Fazem uns 3 a 4 anos atrás, ou até talvez um pouco mais, que encontrei em um sebo aqui em Curitiba uma bela edição, relativamente bem conservada, da “A Arte em Moçambique”, de Alberto Feliciano Marques Pereira, editado em 1966.

Um material vasto e de muito interesse que vai da arte rupestre à arquitetura militar, da arte religiosa do Séc. XVII a XIX à escultura, prosa e poesia moçambicana.

Tão interessante quanto é ler já na abertura algo dito por Costa Almeida, como “É preciso conhecer o Ultramar para se ter uma idéia exata da verdadeira grandeza do nosso País”, e depois ler um texto de Fernando Couto. Ler algo de Dom Custódio Alvim Pereira, Arcebispo da então Lourenço Marques, como: " Mas estes, digo-o com orgulho, são a glória e a coroa de quantos trabalhamos nestas terras da África Oriental, por Deus e pela Pátria e depois lemos da poesia de Noêmia de Sousa: “Quero te compreender, minha África, Quero penetrar-te, sonhar contigo, descobrir-te nua e verdadeira, sofrer os teus desalentos, esperar contigo, sempre contigo! Porque só assim merecerei viver...”.

Sem prazos e sem compromissos, tentarei aqui no andar dos dias indo colocando, em formato de imagem, umas e outras páginas com textos e imagens registradas neste interessante registro sobre a “A Arte em Moçambique” vista em tempos que se tentava lidar com a imagem das Ultramarinas com valores regionais, mas sempre ligados à “Pátria”. Diz o Costa Almeida no texto que estarei colocando hoje, na íntegra, em formato de imagem: “ A facilidade e rapidez das suas comunicações com a Metrópole e com os territórios vizinhos, os numerosos visitantes nacionais e estrangeiros que chegam com freqüência cada vez maior, o súbito interesse de algumas nações estrangeiras por problemas que só a nós dizem respeito, tudo tem contribuído para que o Ultramar passasse para a primeira linha das certezas e Moçambique seja uma das mais promissoras parcelas do mundo português.”





* Clique com o mouse sobre as imagens para as aumentar de tamanho e se necessário ajuste o zoom para melhor leitura.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Será verdade?

Por muito tempo fui fã do Luis Inácio Lula da Silva e das conquistas do seu governo, respaldadas muitas delas pelo bom trabalho do governo anterior, mas o seu comportamento dos últimos meses, principalmente a partir da confirmação da sua candidata para o substituir, candidata esta que que atendeu a sua necessidade de ser seu próprio cabo eleitoral.
A escolha de um(a) candidato(a) desconhecida atendeu totalmente essa estratégia. Ninguém vota numa desconhecida mas vota em mim.
E no final tenho que aceitar que conseguiu atingir o seu objetivo, e confirmar que o seu nome tem de fato uma grande penetração junto ao povo brasileiro. Afinal, se não se confirmou que os badalados 80% da população brasileira vendo o seu governo como sendo bom ou muito bom tenha votado maciçamente na sua desconhecida mas à sua semelhança, conseguiu que 55% dos eleitores apostassem na sua candidata, ainda que 45% não tenham comprado essa idéia.
Parece que isto foi o bastante para que o Lula confirmasse uma promessa...promessa que vejo ser mais para  a sua vaidade do que para terceiros; vai registrar em cartório o que acredita serem conquistas do seu governo. Para isso já alocou um responsável em cada um dos Ministérios para fazer algo como um inventário catologando conquistas, números e obras em andamento.
Agora a população através dos seus impostos também tem que pagar esta conta.

Adenda: Mais informações, aqui!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

gaudium et spes, o espaço do Dr. Carlos Adrião Rodrigues

Eu sou reconhecidamente, por mim e por pessoas chegadas a mim, um tanto distraído. Tão distraído que nunca tinha me apercebido que o renomado advogado luso-moçambicano Dr. Carlos Adrião Rodrigues tem o seu espaço na blogosfera, ainda que não escrevendo com a freqüência que agora eu gostaria que tivesse.

Abaixo coloco uns retalhos de um dos post’s do seu blogue “gaudium et spes”. Selecionei meia dúzia de parágrafos para dar uma idéia da importância de um dos seus textos, intitulado "História do Zeca Russo ou o assassinato de chefe de policia”. A história começa no ambiente do Moçambique colônia e acaba no Moçambique independente.

Não indico que leiam os parágrafos salteados que aqui coloco, mas sim que cliquem com o mouse sobre qualquer parte destes parágrafos para migrarem imediatamente para a integra do texto no blogue do autor, até porque lá poderão ler ouros textos tão interessantes quanto este.

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O Zeca Russo foi uma figura mítica na Lourenço Marques colonial. Filho ou sobrinho da moça das docas, figura que povoava os primeiros poemas do poeta Virgílio de Lemos, era jovem, bem parecido, simpático no trato mas cedo se começou a meter pelos trilhos do pequeno crime. Um furto aqui, uma burla acolá, adquiriu também a fama de ser uma espécie de Zé do Telhado que roubava aos ricos para dar a pobres. Não seria bem assim, mas a verdade é que ajudava a mãe, pessoa pobre que o adorava e não fazia a menor ideia da origem do dinheiro que ele lhe dava. Ao mesmo tempo Zeca ajudava familiares e amigos também pobres, com pequenas importâncias, cuja posse atribuía sempre ao trabalho ou a pequenos negócios de ocasião. Segundo me contou a sua advogada, Ruth Garcez, nesta fase ele sempre teve a preocupação de disfarçar e justificar a origem dos fundos que doava a familiares e amigos pobres, de modo que estes tinham por ele grande estima.

Nessa altura, o nosso grupo (eu, o Eugénio Lisboa, o Rui Knopfli, o Fernando Magalhães, o Zé Craveirinha e outros) colaborávamos ( à borla ), na TRIBUNA cuja redacção era chefiada pelo Gouveia Lemos, que, esse, não trabalhava à borla mas se via à nora para receber o vencimento. A Tribuna era o jornal da oposição, tanto quanto a censura deixava, e funcionava democraticamente. Assim, perante tal boato, o Gouveia Lemos ouviu-me primeiro, como jurista do grupo.Eu expliquei-lhe que essa coisa de entrega administrativa de presos policia a policia de países diferentes não existia no nosso direito e que a sua prática podia transformar a detenção pela policia moçambicana em sequestro, o que seria grave A única medida admissível era a extradição,naquele caso inaplicável, porquanto o Tembe era português e o crime porque seria julgado na África do Sul era punido com pena de morte,contrátia à ordem jurídica portuguesa o que impedia a extradição..Portanto o boato merecia uma notícia desenvolvida ou mesmo um artigo de fundo.


O 25 de Abril, em Lourenço Marques, foi um pouco estranho.Logo de manhã, pelas 8 horas, uma parente minha que trabalhava na TAP, me telefonou avisando que algo tinha acontecido em Portugal. A partir daí, comecei a dar trabalhos forçados ao meu “ Nordmend world wide”, que apanhava tudo quanto era estação a transmitir em onda curta, enquanto deixava outro rádio ligado para a rádio local que se limitava a repetir o noticiário da noite anterior. Mas a EN,de Lisboa não deixava dúvidas, pois transmitia o comunicado do MFA, dando conta, sem pormenores, da revolução. A BBC e a France International davam mais pormenores, todavia escassos. De modo que quando às 10 horas, um militar ligado ao serviço de informações do exército me telefonou a perguntar se eu sabia se o golpe era do Kaulza ou do Spínola, foi com muito gozo que lhe respondi que era do MFA.