quinta-feira, 15 de novembro de 2012

ProSavana... e a logística?


Áreas com relevo adequado
à agricultura mecanizada.
Em Maio deste ano estive em Moçambique, acompanhado por mais um diretor da empresa para quem trabalho, para avaliarmos o potencial para investirmos na agricultura, em especial no milho e soja. As terras e condições climáticas, com alguns cuidados, são de um grande potencial para se atingir bons níveis de qualidade e produtividade. A vontade do Estado, dos governos central e provinciais nos seus vários níveis, também é aparente para que encoraje os investidores.
O problema fica na logística, tanto no que se refere a transporte, mas sabendo-se que não é a única variável para a capacidade de escoamento da produção ser eficiente. Há a necessidade de armazéns graneleiros, ou silos, nas próprias regiões de plantio como nas estruturas portuárias. A capacidade de produção de Moçambique, por questões populacionais e mesmo econômicas desta população, vai além da demanda ou capacidade de consumo do país e a exportação não se dá apenas colocando a colheita sobre camiões e os enviar até à China.
Nessa lógica organizacional da logística de escoamento da produção, como do acesso aos fertilizantes e defensivos, ainda está muito imaturo o desenho que o Estado pretende implementar. Aqui devo fazer um parêntese, alertando que tão importante quanto o escoamento da produção é o acesso aos insumos, pois a tecnologia avançada que o mundo exige para se ser competitivo não está somente nos equipamentos de ponta, mas também bastante dependente de um adequado equilíbrio de nutrientes no solo, até para garantir que a terra continue sendo um dos poucos recursos naturais renováveis.  E estas necessidades são possíveis se houverem boas condições de acesso a fertilizantes e defensivos químicos. É claro que os custos dos mesmos devem ser compatíveis, mas trato aqui especialmente o tema de logística, que também depende de transporte e de pontos de armazenagem e/ou pontos de distribuição.
Voltando aos obstáculos em relação ao escoamento da produção agrícola em Moçambique, e que não vi ser devidamente tratado nos projetos de incentivo e busca de investidores.
Manutenção das estradas.
Percorri um pouco mais de 3.000 km de estradas, entre idas e vindas, partindo da Beira e por isso atravessando parte da província de Sofala, como das províncias de Quelimane, Nampula e Cabo Delgado. Além das vias principais como a EN1, grande parte das estradas rurais, de terra batida, têm condições bastante razoáveis para um bom escoamento sobre rodas. Temos no Brasil, em algumas regiões agrícolas, vias sem as mesmas condições e não se deixa por isso de ver bons volumes de produção nas mesmas. Ou seja, pelo o pouco que vi as estradas não são um obstáculo para a movimentação de produtos e insumos. Além desta via, em algumas das regiões por onde passei, o potencial de transporte por ferrovia é muito bom, talvez proporcionalmente aos tamanhos de cada país, até melhor do que temos no Brasil. É claro que com o aumento de fluxo, tanto as rodovias como as ferrovias demandarão de ainda mais  manutenção.
A questão fica realmente na implementação de uma política de logística por parte do governo. Não quero deixar aqui a visão que deva ser o governo a garantir essas condições, mas se o estado não abraçar a ideia de que no seu programa de incentivo à agricultura através de investidores como de incremento na capacidade técnica da agricultura familiar moçambicana há que se dar um bom espaço para logística dos insumos e produtos, penso que será um projeto que estará fadado ao insucesso.
O governo moçambicano precisa criar equipes de articulação entre os vários perfis de investidores que possam vir a se instalar no país.
Posso mesmo afirmar que nos contatos que tive com pessoas do Ministério da Agricultura e de outros órgãos públicos provinciais, não percebi qualquer planejamento ou trabalho nesse sentido. Em todos os níveis destas autoridades o que se percebe é que têm a expectativa que o investidor leve, e implemente, essa rede de forma completa. Chegamos a ouvir que acreditam que o investidor na cultura de soja possa inclusive instalar indústrias como de esmagamento de soja, para produção de óleo e farelo. Isso é pensar pequeno e limitar a motivação de grandes investidores.
Além de ser muito difícil encontrar um investidor que participe em todas as etapas da economia, como plantar, colher, transportar insumos e produção, armazenar, manufaturar, distribuir os seus produtos, ter as suas próprias prateleiras para oferecer ao consumidor final, não é também este um perfil adequado para uma economia que tenha pretensões de melhor distribuição de renda e que os investidores puxem para cima não só a qualidade técnica dos pequenos agricultores como das demais áreas da economia do país.
A empresa para quem trabalho no Brasil, até atua em várias das etapas que, talvez exageradamente, descrevi acima. Nós plantamos soja, milho, e cana de açúcar. Até temos a capacidade de armazenar toda a nossa produção de grãos. Mas o nosso negócio a seguir, de armazenar a nossa capacidade, não sobrevive se também não prestarmos serviços de armazenagem para outros produtores, inclusive para o estado brasileiro nos seus estoques reguladores. Nós até temos uma estrutura em um porto brasileiro para escoar os nossos volumes direcionados para a exportação, de plantio próprio e comprado junto a produtores, mas também não este negócio sobreviveria se ficássemos restritos aos volumes por nós gerados. Para pagar a conta e termos alguma rentabilidade nesse negócio, precisamos também ter outros clientes. Na cana de açúcar até que a produção total é direcionada para uma usina de álcool do grupo e esta é somente abastecida pela nossa produção de cana. Entre soja e milho, movimentamos anualmente mais de 2 milhões de toneladas e não temos um único caminhão ou trem (comboio) para o fazer.  Isso vale também para o escoamento de álcool anidro e hidratado. Simplesmente não é o nosso negócio. Até temos duas unidades de processamento de soja para produção de óleo bruto e farelo, mas não refinamos este óleo. Não é o nosso negócio. Tem gente sabendo trabalhar com isso melhor. Vendemos o nosso óleo degomado para eles, no mercado interno ou de exportação. É mais inteligente e acaba sendo mais saudável para a economia. Contratamos transportadores para movimentarem o nosso produto, pois são especialistas nisso e por isso mais competentes que nós.
Volto a dizer: no projeto de busca de investidores no agronegócio moçambicano, está faltando uma perna no seu planejamento que é esta questão da logística e de um trabalho direcionado para os vários perfis de investidores necessários para que a agricultura do país decole. Condições se têm, precisa-se é organizar melhor o que se quer e como fazer.
Literalmente pequenos produtores
na agricultura familiar.
E como moçambicano, não posso deixar de pedir. Moçambique deve buscar esses investidores, precisa deles, mas nunca esquecendo de implementar políticas que garantam benefícios para o pequeno agricultor e demais população rural do pais. As duas condições são totalmente compatíveis, mas há que induzir e garantir que assim aconteça.
Não se espere dos investidores que tenham na sua essência um perfil filantrópico. Isso é responsabilidade do estado com apoio de ONG’s sérias... mas só as sérias!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Refletindo nas influências do meu roteiro no Acordo Ortográfico


Ontem um amigo, português com parte da sua história em Moçambique, sugeriu-me que se eu em vez de ter vindo de Moçambique para o Brasil tivesse como ele ido para Portugal, como ele também seria eu contra o Acordo Ortográfico.
Isso me fez parar para refletir e vou aproveitar estar aqui a escrever para tentar organizar os vários flashes que estalam-me dentro da  cabeça.
Os ares influenciam o organismo e as mentes, é um facto...
Mas será que o meu amigo não vê em Portugal quem apoie o Acordo Ortográfico?  Que os que não concordam estes últimos tempos vêm fazendo bem mais barulho, é um facto. Mas será isso realmente um sinal de maioria absoluta? Sei que não. Sei que há sim muito português apoiando o Acordo. Talvez sejam esses o que o meu amigo classifica algo como sendo todos uns analfabrutos, cheios de modismos...
Eu ter vindo de Moçambique direto para o Brasil, sem nunca ter passado por Portugal, amando portugueses e moçambicanos, detestando reacionários e continuísmos colonialistas ou critérios de gestão ditatoriais, independente de nacionalidades e origens, e depois passar também amar os brasileiros, terá me feito uma pessoa mais universalista do que nacionalista? Até acho que sim, mas tenho amigos e conhecidos que tiveram trajetória igual ou muito similar à minha, estando ainda hoje no Brasil e são, não todos, contra o Acordo. Ou seja, mesmo com uma visão menos nacionalistas do que a média têm estes amigos também um posicionamento contra o Acordo.
Vejo, aqui no Brasil, brasileiros dos dois lados, os a favor e os contras... e os favor não têm nada de parecido com o meu roteiro originado dentro de fronteiras moçambicanas.
E, como em Portugal tenho visto, também se tem por aqui subgrupos. Os do contra com argumentos razoáveis e outros com argumentos bisonhos. Nos a favor, também temos estes sub-grupos, com classificações similares aos do contra. Com quem alinho são aqueles que são a favor exatamente por admirarem  a língua de Camões e não terem nenhum trauma de ser Portugal que aqui tenha plantado uma das línguas mais completas dos povos que habitam este planeta. Mas também têm convicção, que independente de número de habitantes brasileiros falando português, têm sim hoje uma certa “propriedade” sobre o português que anda pelo mundo, inclusive no falado em Portugal.
Argumentam os do contra, daqui e de lá, com algumas questões que não lembram o diabo - com letra minúscula para ele não se achar o gás da Coca-Cola – que vou tentar também refletir em algumas delas:
“C” mudo – começam já por dizer que nem sempre o “c” é mudo. Mas não perceberam que nas regras do Acordo já trata disso a favor da preocupação que têm com o “C” que não é mudo. Ou seja, para os casos que o “C” ou o “P” não é mudo, deve-se usar estas consoantes. Mas também se mostram preocupados como identificar certas palavras que têm significados diferentes. Perguntam como vamos tratar estes casos. Nem levam em questão já termos muitos desses casos na nossa Língua Portuguesa onde usamos a mesma ortografia para vocábulos com significados diferentes. E depois fico cá a pensar com os meus botões. Se o “C” é mudo, ao usar esta palavra numa conversa verbal devemos então explicar, no meio da conversa, ao nosso ouvinte que a palavra tem ou não o “C” já que não pronunciamos a consoante, pois é muda? O nosso ouvinte poderá não nos entender?
O dinheiro, quanto se vai ganhar dinheiro com este acordo – Falam nisto apontando o dedo contra as editores e/ou gráficas, e às possíveis comissões gordas distribuídas entre corruptos e corruptores, que na versão dos que têm este argumento terão os abocanhadores de cifrões  que reeditar uma montanha de livros. Quem diz isto não conhece dois conceitos básicos para uma boa administração de um negócio. O primeiro é o conceito básico de administração de estoques. Poucos estoques de matéria prima e insumos e menos ainda de estoques de produtos acabados. Em se tratando de livros, especialmente os de educação, passa este critério de gestão a ter um valor ainda maior em países como os nossos que todos os anos os alunos compram novos livros, pois estamos sempre a inventar uma forma nova de aprender a tabuada. Levando em conta isto, a segunda questão é tecnológica. Não se fazem mais “tipos” de impressão como antigamente. Hoje é tudo nestes computadores , via ferramentas apropriadas e que com programas especialistas que corrigem a ortografia de uma coleção completa de uma enciclopédia em alguns minutos antes de começarem uma nova impressão. E podem ter a certeza que não vão sair a recolher o que já está nas prateleiras das livrarias pois isso representa um custo altíssimo.
Os povos que usam as línguas inglesa e espanhola nunca precisaram de tratados – meia verdade, já que os povos que usam o espanhol têm sim um acordo ortográfico sendo que no próximo passado ano de 2010,  vinte e duas academias de espanhol se reuniram no México – isso, não foi em Espanha – para debaterem a necessidade de uma revisão do acordo em vigor e concluíram que o deveriam manter com apenas algumas sugestões de acentuação e outras pequenas questões. Ou seja, aparentemente o último acordo, que não me recorda agora em que ano foi, mas sei que foi no século passado, teve qualidade suficiente para se manter até então com apenas pequenas reformas.
Levanto eu uma questão: A língua portuguesa, nas sua ortografia, vem evoluindo mais em cima de critérios fonéticos ou etimológicos? – Faz séculos que vem sendo mais fonética do que etimológica a evolução da língua portuguesa. O exemplo sempre válido e conhecido pela grande maioria é a “pharmácia” dos tempos de Camões e a “farmácia” dos tempos atuais. Mas os defensores do desacordo ortográfico usam muitas vezes questões etimológicas sem questionarem a nossa farmácia dos dias de hoje.
Um dos meus conhecidos luso moçambicano que mora no Brasil, gosta muito de usar a seguinte frase para questionar o Acordo Ortográfico -: “Um bicho rasteirinho, se arrastando pelo chão, por que deixaria rastRo?”
Alerta o Joaquim sobre a diferença entre o “rasto” deixado em Portugal e o “rastRo” deixado no Brasil. É um belo exemplo, deixando as xenofobias de lado, de se questionar o Acordo. Mas na minha linha, como defensor de acordos ortográficos, é o questionar o último Acordo Ortográfico na sua qualidade de algumas regras adotadas e questões não tratadas. Sobre isto, de forma resumida, vejo que o Acordo precisa sim ser melhorado e como sugestão coloco que nas diversas formas de se pronunciar uma palavra nos vários países lusófonos que se tenha o critério etimológico como regra para desempate. Ou seja, acredito que o fonético seja ainda um grande responsável pela evolução da língua escrita, e que o etimológico seja o equilíbrio entre os vários povos usuários de Língua de Camões.
No fim concluo que continuo um defensor do Acordo Ortográfico, ainda que na expectativa que o mesmo possa ser melhorado. E melhorar não é sinônimo de desacordo. 

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Amor bandido?

Depois do "Presidente Dilma, me desculpe, eu te amo", Ministro Carlos Lupi tem dificuldades para explicar carona em avião de ONG.

sábado, 17 de setembro de 2011

“Esta terra ainda vai cumprir seu ideal”...Qual?

O artigo “Esta terra ainda vai cumprir seu ideal”, se fosse para voltar à infância, me faria qualificar o seu autor como “o estraga prazeres do grupo de amigos da escola”. Já o havia lido mas ao reler o mesmo no competente ma-schamba, me induziu a voltar a cronicar na Lanterna Acesa.
É de uma carga negativa tremenda. Começa por se apegar a uma infeliz colocação de um consultor para passar a idéia de que os agricultores brasileiros são uns colonialistas à moda antiga, quando as nações sobre as suas caravelas buscavam descobrir terras além mar, fazendo-se esquecer que o agricultor do cerrado brasileiro não é um aventureiro e sim um investidor que está diretamente ligado ao desenvolvimento do Brasil e dos bons  resultados dos últimos anos na economia deste país. No Brasil, como em outros países desenvolvidos, emergentes ou não, quando a agricultura vai mal, a construção civil vai mal, a indústria automobilística vai mal e por aí afora.
Depois coloca como se a noticia não seja de fato uma novidade. Como se o tema já fosse propagado aos investidores de agronegócios brasileiros há muitas décadas, mas que ainda assim os agricultores brasileiros não conhecem a realidade moçambicana e fazendo um desfile de motivos para que estes investidores tremam de medo e tomem cuidado com onde pensam pisar. Fala da vegetação diversa, fala da população de 12 milhões de pessoas organizadas em várias línguas e culturas, cada um com a sua história. Levanta a questão de ter sido aquela região o principal palco das guerras que Moçambique viveu.  Fala da inexperiência de relações sociais dos agricultores brasileiros.
Fala de um monte de aspectos negativos, de uma forma negativa, que me deixam na dúvida a quem ele pretende proteger. Se aos ingênuos produtores e investidores brasileiros ou se a Moçambique. No fim, vejo o autor da crónica desqualificando um e outros. A descrição que faz de Moçambique é quase de um território não apropriado para o investimento e fadado a se manter um território subdesenvolvido, com várias nações passando por dificuldades (isso ele não chega a deixar claro) e que não haverão de ser apresentados a outras alternativas de sobrevivência e desenvolvimento. Deveria ele fechar o artigo dizendo: Querem ir a Moçambique gastar uns trocados e participar assim da economia e um país exótico? Vão à Gorongosa ver os leões e crocodilos e por lá visitarem umas aldeias indígenas... coisas assim, de colonialista do antigamente. Eu aqui, de patrão turista, e vocês lá, fazendo parte de um quadro exótico!
Entendo as preocupações que temos assistido em Moçambique sobre a possível execução deste projeto ao norte do país. Entendo também alguns dos cuidados, como cuidados, que o Beluce levanta na sua crónica. Mas não concordo em absoluto com o seu posicionamento negativo, sem apresentar sugestões para qualificar o projeto, como com a sua falta de lógica demonstrada em alguns momentos da sua crónica.
A afirmação que faz sobre não ser a disponibilidade de terras que atrai estes investidores brasileiros e sim a mão de obra barata é no mínimo maldade e até, tendo quem  acredite nele, deixar de cuidar do essencial. Digo isso porque sei, e o Beluce tanto ou mais do que eu, que a agricultura nos moldes atuais no cerrado brasileiro, de soja, milho e algodão, usa muito pouca mão de obra. E não haverá de ser nessa atividade que Moçambique poderá acreditar haver um retorno direto no índice de emprego do país ou das populações locais. Se Moçambique investir e se organizar para o restante da cadeia produtiva, como capacidade de pré-beneficiamento destes produtos e armazenamento dos mesmos, como até  o manufaturamento destes, ai sim haverá uma grande absorção de mão de obra.
Se Moçambique fizer um planejamento competente no uso da terra, este tipo de projeto não deve trazer prejuízos aos pequenos agricultores, podendo e devendo trazer sim valores agregados como tecnologia de ponta mais ao seu alcance.
Moçambique deve, com toda a certeza, avaliar o currículo dos investidores brasileiros, porque também aqui temos aventureiros ou aproveitadores. Deve Moçambique ter um cadastro levantado junto aos órgãos competentes brasileiros, como Ministério da Agricultura e Ministério do Trabalho, de cada um dos investidores que se apresentar para fazer parte desse projeto. Isso será muito fácil de o fazer, levando em conta a aproximação que sabemos existir entre os dois Governos dos Estados envolvidos.
É um projeto que tenho convicção poderá trazer grandes benefícios para Moçambique com bons resultados para os investidores.
Não há que nos prendermos a frases de efeito dos “Beluces”  como a que me referi anteriormente sobre estarem os investidores buscando mão de obra barata, quando eles sabem que não é, não para os plantios projetados, a mão de obra um componente comprometedor nos custos de produção. Não pelos baixos  salários, mas sim pelo pouco uso num plantio e colheita cada vez mais automatizados. Não querer vender a idéia que o que se vai plantar, milho, soja e algodão, não terá como foco o alimentar os moçambicanos porque destes só o milho se presta para o alimento. Ora! O que se faz com soja? Tanto atende como alimento direto para os seres humanos, pois trata-se de um feijão com alto teor nutritivo, como alimento indireto, na fabricação de óleo comestível de alta qualidade e farelo que poderá tanto atender a indústria de alimentos como para rações animais que depois também se transformarão em alimento humano.
O que deverá ficar transparente é que estes produtos serão direcionados pelos investidores para os mercados mais rentáveis. Se o mercado de exportação estiver pagando melhor do que o mercado interno pagar, assim ele será direcionado. O Estado é que deverá ter dispositivos para direcionar a produção mais ou menos para consumo interno, seja através de subsídios, seja através de investimentos complementares para o processamento destes produtos dentro do país, especialmente o mais perto possível de onde os mesmos são cultivados diminuindo  assim os custos de logística buscando custos finais melhores para os consumidores internos.
E fundamentalmente há que acreditar que o que alimenta uma população é dinheiro no bolso. Dinheiro no bolso, do estado e dos cidadãos, nos dá a condição de nos alimentar de comida, de acesso à saúde, à educação, e de acesso a tudo que uma sociedade tem direito, independente de culturas ou credos religiosos.
O Estado que fique com a obrigação de garantir investimentos, de criar condições de infraestrutura para o desenvolvimento e de garantias da melhor e mais justa distribuição de renda possível.
Sobre a competência dos agricultores brasileiros e da cada vez mais necessidade de produção de alimentos, deixo aqui um link pedindo desculpas antecipadas pela propaganda ao produtor deste vídeo. É que independente dos interesses comercias deste em relação aos mercados de fertilizantes e defensivos brasileiros, é uma matéria que mostra números que devem ser refletidos.

*Quem sabe um dia destes eu não venha a escrever algo sobre como o desenvolvimento dos Estados do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso vem evoluindo desde que os agricultores de soja, milho e algodão foram para estas terras plantar o alimento e outros produtos essenciais para o planeta.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A Beira, por Alberto Feliciano Marques Pereira

A Beira foi uma cidade que meu viu jogar ao berlinde nas covas feitas nas ruas de terra batida do Macúti. Entre a Ponta Gea e o Macúti vivi intensamente a minha infância entre os 5 e 12 anos, de 1965 e 1972 e passei a me entender como beirense ainda que tivesse nascido na capital Lourenço Marques. Se às vezes a traí, só pela Vila Pery quando por lá morei de 72 a 75.
Todos os outros lugares por onde passei por Moçambique foram sempre amores momentâneos. As paixões ficaram de fato pelas praias da Beira e depois mais tarde pelo Pôr do Sol do Chimoio.
Sabemos que todas as histórias têm passagens mais e menos bonitas, e a da Beira não haveria de ser diferente. A visão do Alberto Feliciano Marques Pereira, em 1966, pelo livro “A Arte em Moçambique”, foi-nos contada assim:



terça-feira, 9 de novembro de 2010

Lula viaja para Moçambique para inaugurar fábrica de medicamentos à Aids

Lula em  Moçambique, 09/11/2010
Origem: Site do MSN

Clonei o título deste post - melhor do que dizer que plagiei - de um artigo do site da "Folha", onde em pequena nota fala do objetivo da visita do Lula a Moçambique.
De imediato me lembrei de algo que escrevi a 25 de Março deste ano aqui na Lanterna Acesa sobre o tal investimento brasileiro em terras moçambicanas. O fiz incentivado por um artigo escrito pelo Machado da Graça, um respeitado jornalista do país que recebe o Lula como visitante para cortar faixas.
Dizia então o Machado da Graça que a a tal fábrica de remédios era de fato uma fábrica para embalar medicamentos para a AIDS (SIDA) e que os comprimidos eram enviados do Brasil.  Ou seja, que a tal transferencia de tecnologia ficava pelo investimento na estamparia em uma qualquer gráfica, que haverá de ter dono, e pelo que eu entendo agora também parte dos tais 13 milhões de reais para uma linha de empacotamento de comprimidos.
Será que o Machado da Graça e outros, como eu, estarão enganados e que o Brasil estará de fato passando a tecnologia na fabricação destes remédios e não apenas na embalagem dos mesmos?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A Arte em Moçambique

Fazem uns 3 a 4 anos atrás, ou até talvez um pouco mais, que encontrei em um sebo aqui em Curitiba uma bela edição, relativamente bem conservada, da “A Arte em Moçambique”, de Alberto Feliciano Marques Pereira, editado em 1966.

Um material vasto e de muito interesse que vai da arte rupestre à arquitetura militar, da arte religiosa do Séc. XVII a XIX à escultura, prosa e poesia moçambicana.

Tão interessante quanto é ler já na abertura algo dito por Costa Almeida, como “É preciso conhecer o Ultramar para se ter uma idéia exata da verdadeira grandeza do nosso País”, e depois ler um texto de Fernando Couto. Ler algo de Dom Custódio Alvim Pereira, Arcebispo da então Lourenço Marques, como: " Mas estes, digo-o com orgulho, são a glória e a coroa de quantos trabalhamos nestas terras da África Oriental, por Deus e pela Pátria e depois lemos da poesia de Noêmia de Sousa: “Quero te compreender, minha África, Quero penetrar-te, sonhar contigo, descobrir-te nua e verdadeira, sofrer os teus desalentos, esperar contigo, sempre contigo! Porque só assim merecerei viver...”.

Sem prazos e sem compromissos, tentarei aqui no andar dos dias indo colocando, em formato de imagem, umas e outras páginas com textos e imagens registradas neste interessante registro sobre a “A Arte em Moçambique” vista em tempos que se tentava lidar com a imagem das Ultramarinas com valores regionais, mas sempre ligados à “Pátria”. Diz o Costa Almeida no texto que estarei colocando hoje, na íntegra, em formato de imagem: “ A facilidade e rapidez das suas comunicações com a Metrópole e com os territórios vizinhos, os numerosos visitantes nacionais e estrangeiros que chegam com freqüência cada vez maior, o súbito interesse de algumas nações estrangeiras por problemas que só a nós dizem respeito, tudo tem contribuído para que o Ultramar passasse para a primeira linha das certezas e Moçambique seja uma das mais promissoras parcelas do mundo português.”





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