“Os homens mais respeitados não são sempre os mais respeitáveis.” Marquês de Maricá (1773-1848), político carioca.
sábado, 11 de maio de 2013
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Tchau Marcos Feliciano...
Em protesto pela permanência do pastor Marcos Feleciano na presidência, deputados começam a se retirar da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara.
O bom senso destes é completado por levantarem a possibilidade de criarem uma Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos que faria um trabalho paralelo à comissão desqualificada pela presidência de Feleciano.
Os deputados que tomaram essa iniciativa são:
Chico Alencar ( PSOL - RJ)
Jean Wyllys ( PSOL - RJ)
Luiza Erundina (PSB - SP)
Padre Tom ( PT - RO)
Erika Kokay ( PT - DF)
Domingos Dutra ( PT - MA)
Nilmário Miranda ( PT - MG)
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Moçambique
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
12/12/12
Dizem que esta data, 12 do 12 do 12, é especial. Eu
concordo. Concordo que seja para mim tão especial quanto a de 12 do 12 de 60,
há 52 anos atrás. Como especial foram todos os outros 12 do 12 nestas 5 décadas
e mais dois anos. Umas vezes porque vivi, outras porque sobrevivi.
Este 12 do 12 do 12 é sem dúvida uma data para festejar a
vida. Porque me faz , mais uma vez, reconhecer o quanto amo a minha família, o
quanto amo a minha mulher que está junto comigo fazem mais de 3 décadas, o
quanto tenho a amizade dos meus filhos, o quanto agradeço à vida poder ter
voltado a pisar terras moçambicanas.
Foi um ano que teve reencontros além-oceanos, reencontros com
velhos amigos curitibanos, onde fizemos novos amigos que quando nas sextas
feiras não os encontramos é sinônimo de ausência.
Mas que 12 do 12 do 12 me soa bem, lá isso é verdade!
Felicidades para todos nós!
domingo, 25 de novembro de 2012
Fernando Alonso, Super Man ?
![]() |
| Foto do blogue Auto Circuito |
Acabou hoje o Campeonato Mundial de F1, onde o piloto alemão
Vetel garantiu, com o seu sexto lugar no GP do Brasil, o título mundial de
2012.
Foi realmente um dos melhores campeonatos que acompanhei
desde os anos 70. Já havíamos passado mais da metade do ano e ainda tínhamos quatro
possíveis campeões e na última corrida o alemão e o espanhol Alonso disputaram
o título já na típica corrida maluca que historicamente o GP de São Paulo se
mostra com as constantes mudanças entre pista seca e molhada.
No fim o título de pilotos ficou nas mãos certas. O Vetel e a Red Bull, que já havia garantido o título
de marcas, fizeram a melhor equipe em 2012 com a participação do Weber. O Fernando Alonso, que tem uma grande capacidade de auto
marketing não teve nos números de um
campeão. Para justificar isso colocou sempre a culpa no carro.
Na primeira metade do campeonato os pontos conquistados eram
vendidos como suados, por pura capacidade de tirar do carro o que ele não teria
para dar. A performance pífia do Massa nesta
fase ajudavam a estratégia de se vender a imagem do espanhol como de um quase
super homem. Alonso na primeira metade do campeonato conquistou 164 pontos do
total dos 278 que conquistou ao final. Na segunda metade, com ajuda clara do
Massa nas três corridas da Coreia do Sul, Estados Unidos e a de
hoje no Brasil, o companheiro do brasileiro conquistou 114 pontos. Já Massa
conquistou nesta segunda metade do campeonato, cedendo posições para o Alonso,
97 pontos.
Se levarmos em conta a simples inversões de posições entre o
espanhol e o brasileiro nestes três GP’s que apontei acima, o Massa teria
conquistado 106 pontos contra 105 pontos do Fernando Alonso. Poderíamos dizer
que na briga interna da Ferrari o Alonso conquistou a primeira metade do
campeonato e o Massa conquistou a segunda metade.
É claro que o campeonato é do primeiro ao último GP, e o
agora tricampeão Vetel mostrou isso, mas estes números mostram que o Alonso não
é esse super homem que o seu marketing pessoal e parte da mídia mundial quer
fazer ver.
Que venha 2013 !
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Sebastian Vetel
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Reabrindo "A Arte em Moçambique"...
Em Novembro de 2010 havia iniciado a colocar na Lanterna
Acesa uns retalhos da edição “A Arte em Moçambique”, de autoria de Alberto
Feliciano Marques Pereira, então professor do Instituto Superior de Ciências
Sociais e Política Ultramarina. Edição esta do ano de 1966. Percebi, pelo
contador de acessos, que são é um dos temas mais lidos no blogue e tomei a
iniciativa de aqui voltar a transcrever, ou passar cópias, do que me vier a
interessar mais. Com calma colocarei aqui o índice do livro para que os
leitores possam sugerir a priorização do tópicos a serem aqui colocados.
É uma obra de uma miscelânea de personalidades presentes com
contribuições, ou mesmo como coautores. Vão elas do próprio General Alberto
Feliciano a Rui Knopfli, passando pelas grandes Glória de Sant’Ana e Noémia de
Sousa, Fernando Couto, Reinaldo Ferreira, Nuno Bermudes, o muito querido
Edmundo Vieira Simões, e tantas outras preciosas participações. E isto tudo com
uma abertura do livro com um texto do General José Augusto da Costa Almeida,
então Governador Geral da Província de Moçambique, outro do seu antecessor
Sarmento Rodrigues e por fim um do arcebispo de Lourenço Marques Dom Custódio
Alvim Pereira.
Estes textos, que estarão colocados neste post, repetindo
inclusive o do primeiro já aqui editado em 4 de Novembro de 2010, mostram o
perfil colonialista da época com um grande tom nacionalista dos governadores e
arcebispo, mas não estragam em nada a reprodução da história de Moçambique nas
suas mais variadas formas de arte, como a sacra, pintura, escultura,
arquitetura civil e militar, em prata, vitrais, poesia, prosa, dança e música.
Bom proveito!
* Dica para leitura das imagens abaixo: Clique com o botão direito do mouse sobre a imagem e em seguida escolha a opção "Abrir link em uma nova guia". Agora, nesta nova guia, clique mais uma vez sobre a imagem usando a lupa para aumentar a mesma.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Dia Nacional da Consciência Negra
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| Foto do site Publique ideias |
Dia 20 de Novembro é
no Brasil o Dia Nacional de Consciência Negra. Neste tão importante movimento
de valorização dos afrodescendentes, o grande ponte negativo dos últimos anos
foi a “conquista” das cotas dos negros para as universidades públicas.
É incoerente com a
própria condição da (des)organização da sociedade brasileira. Um dos argumentos
dos defensores é a afirmação que brasileiros brancos têm, em média, dois anos a
mais de escolaridade do que negros e pardos, de acordo com dados de 2008 do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ora, há que buscar
outras estatísticas para melhor avaliar se este argumento é forte suficiente
para se criar um código que gere mais chances
de acesso a uma universidade pública para negros e pardos do que para
outros cidadãos brasileiros, que hoje não têm culpa alguma pela história dos
colonizadores e brasileiros do passado e que têm tantas dificuldades quanto os
negros de classes menos favorecidas.
Numa pesquisa feita em
2011,pela UFRJ apontou que os negros e pardos representam 54,1% dos desempregados e/ou desocupados no
país. Isso quer dizer que 46, 9% são não afrodescendentes. Aqui fica à partida
algo que me parece injusto. Os negros que representam neste caso 54%, por
questões históricas, têm mais possibilidade de acessarem uma faculdade que os
outros 46% da população que também têm marcas profundas deixadas pela história.
O Censo 2010 apurou
que, dos 16 milhões de brasileiros vivendo em extrema pobreza (ou com até R$ 70
mensais), 4,2 milhões são brancos e 11,5 milhões são pardos ou negros. Ou seja,
esses 11,5 milhões de pessoas tem mais possibilidade de acesso à universidade
do que os outros 4,2 milhões de pobres que a história não os beneficiou no
século XXI pelo os que os seus ascendentes possam ter feito em séculos
passados.
Não coloco aqui em
questão a história suja da escravatura. O que não se pode é prejudicar outros
4,2 milhões pois esses não estão tirando proveito algum no Séc. XXI pelo o que
a história nos mostrou no Séc. XV e seguintes.
Sei também que se
buscou amenizar a injustiça das cotas para negros e pardos criando-se cotas
para os alunos do ensino público básico e médio. Para estes ficam 50% das
vagas, e para os negros e pardos 20%. Ou seja, quem estuda em colégio público
no Brasil são cidadãos de classes menos favorecidas, onde o negro tem uma
grande participação nas salas de aulas, o que de fato confirma as estatísticas
que usei como exemplo acima. Assim sendo, os negros que estão na maioria nas
escolas públicas, disputarão com cotas de 50% + 20% o que se não é garantia de
uma vaga é um facilitador bastante injusto para os demais concorrentes a uma
vaga nas universidades públicas.
Penso se não seria
mais simples, mais coerente, e por isso mais justo, adotar-se apenas as cotas
para alunos da rede pública do ensino básico e médio.
Por que da definição
de critérios que aparentemente buscam corrigir distorções da história criando
novas distorções?
É claro que as
estatísticas que aqui apresentei, embora reais, não sejam absolutamente do
“tamanho” que passo aqui, mas conceitualmente me parecem o bastante para passar
para os leitores os valores que defendo. O Brasil ainda tem sim grandes
diferenças sociais, mas não concordo em soluções paliativas onde se invertam
injustiças. É quase acreditar no ditado que diz que “ladrão que rouba ladrão
tem 100 anos de perdão”.
O que o Brasil
precisa, e urgentemente, é melhorar a qualidade no ensino fundamental e médio
das escolas públicas. Fazendo isso o índice de aprovação nas provas de acesso
às universidades das classes menos favorecidas melhorarão com bons níveis de
competitividade com os alunos da rede particular.
Já sobre as cotas para
os índios, que sendo justo, também estão contemplados nesta lei de cotas para
negros, pardos e índios, até posso, e talvez deva, parar e avaliar de forma
diferente. Isso porque os índios no nosso país continuam sendo tratados como nos
tempos coloniais, inclusive no paternalismo criminoso, como achar que é bonito
induzir os mesmos a não adotarem conhecimento tecnológico e por isso se
manterem à margem do desenvolvimento. Manter culturas e os seus valores não é
sinônimo de manter parcelas dos cidadãos do planeta à mercê da competição do
mundo ocidental, que se nos parece cruel é real e não volta atrás. Só poderá
ser melhorado, mas sem hipocrisias paternalistas ocidentalizadas.
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Moçambique
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
ProSavana... e a logística?
| Áreas com relevo adequado à agricultura mecanizada. |
Em Maio deste ano estive em Moçambique, acompanhado por mais
um diretor da empresa para quem trabalho, para avaliarmos o potencial para
investirmos na agricultura, em especial no milho e soja. As terras e condições climáticas, com alguns cuidados, são
de um grande potencial para se atingir bons níveis de qualidade e
produtividade. A vontade do Estado, dos governos central e provinciais nos seus
vários níveis, também é aparente para que encoraje os investidores.
O problema fica na logística, tanto no que se refere a
transporte, mas sabendo-se que não é a única variável para a capacidade de
escoamento da produção ser eficiente. Há a necessidade de armazéns graneleiros,
ou silos, nas próprias regiões de plantio como nas estruturas portuárias. A
capacidade de produção de Moçambique, por questões populacionais e mesmo
econômicas desta população, vai além da demanda ou capacidade de consumo do
país e a exportação não se dá apenas colocando a colheita sobre camiões e os
enviar até à China.
Nessa lógica organizacional da logística de escoamento da
produção, como do acesso aos fertilizantes e defensivos, ainda está muito
imaturo o desenho que o Estado pretende implementar. Aqui devo fazer um parêntese,
alertando que tão importante quanto o escoamento da produção é o acesso aos
insumos, pois a tecnologia avançada que o mundo exige para se ser competitivo
não está somente nos equipamentos de ponta, mas também bastante dependente de
um adequado equilíbrio de nutrientes no solo, até para garantir que a terra
continue sendo um dos poucos recursos naturais renováveis. E estas necessidades são possíveis se houverem
boas condições de acesso a fertilizantes e defensivos químicos. É claro que os
custos dos mesmos devem ser compatíveis, mas trato aqui especialmente o tema de
logística, que também depende de transporte e de pontos de armazenagem e/ou
pontos de distribuição.
| Manutenção das estradas. |
Percorri um pouco mais de 3.000 km de estradas, entre idas e vindas, partindo da
Beira e por isso atravessando parte da província de Sofala, como das províncias
de Quelimane, Nampula e Cabo Delgado. Além das vias principais como a EN1,
grande parte das estradas rurais, de terra batida, têm condições bastante
razoáveis para um bom escoamento sobre rodas. Temos no Brasil, em algumas
regiões agrícolas, vias sem as mesmas condições e não se deixa por isso de ver
bons volumes de produção nas mesmas. Ou seja, pelo o pouco que vi as estradas
não são um obstáculo para a movimentação de produtos e insumos. Além desta via,
em algumas das regiões por onde passei, o potencial de transporte por ferrovia
é muito bom, talvez proporcionalmente aos tamanhos de cada país, até melhor do que
temos no Brasil. É claro que com o aumento de fluxo, tanto as rodovias como as
ferrovias demandarão de ainda mais
manutenção.
A questão fica realmente na implementação de uma política de
logística por parte do governo. Não quero deixar aqui a visão que deva ser o
governo a garantir essas condições, mas se o estado não abraçar a ideia de que
no seu programa de incentivo à agricultura através de investidores como de
incremento na capacidade técnica da agricultura familiar moçambicana há que se
dar um bom espaço para logística dos insumos e produtos, penso que será um projeto
que estará fadado ao insucesso.
O governo moçambicano precisa criar equipes de articulação
entre os vários perfis de investidores que possam vir a se instalar no país.
Posso mesmo afirmar que nos contatos que tive com pessoas do
Ministério da Agricultura e de outros órgãos públicos provinciais, não percebi
qualquer planejamento ou trabalho nesse sentido. Em todos os níveis destas
autoridades o que se percebe é que têm a expectativa que o investidor leve, e implemente,
essa rede de forma completa. Chegamos a ouvir que acreditam que o investidor na cultura de soja possa inclusive instalar indústrias como de esmagamento de soja, para produção
de óleo e farelo. Isso é pensar pequeno e limitar a motivação de grandes investidores.
Além de ser muito difícil encontrar um investidor que
participe em todas as etapas da economia, como plantar, colher, transportar
insumos e produção, armazenar, manufaturar, distribuir os seus produtos, ter as
suas próprias prateleiras para oferecer ao consumidor final, não é também este um
perfil adequado para uma economia que tenha pretensões de melhor distribuição
de renda e que os investidores puxem para cima não só a qualidade técnica dos
pequenos agricultores como das demais áreas da economia do país.
A empresa para quem trabalho no Brasil, até atua em várias
das etapas que, talvez exageradamente, descrevi acima. Nós plantamos soja,
milho, e cana de açúcar. Até temos a capacidade de armazenar toda a nossa
produção de grãos. Mas o nosso negócio a seguir, de armazenar a nossa
capacidade, não sobrevive se também não prestarmos serviços de armazenagem para
outros produtores, inclusive para o estado brasileiro nos seus estoques
reguladores. Nós até temos uma estrutura em um porto brasileiro para escoar os
nossos volumes direcionados para a exportação, de plantio próprio e comprado
junto a produtores, mas também não este negócio sobreviveria se ficássemos restritos
aos volumes por nós gerados. Para pagar a conta e termos alguma rentabilidade
nesse negócio, precisamos também ter outros clientes. Na cana de açúcar até que
a produção total é direcionada para uma usina de álcool do grupo e esta é
somente abastecida pela nossa produção de cana. Entre soja e milho,
movimentamos anualmente mais de 2 milhões de toneladas e não temos um único
caminhão ou trem (comboio) para o fazer. Isso vale também para o escoamento de álcool anidro e hidratado. Simplesmente não é o nosso negócio.
Até temos duas unidades de processamento de soja para produção de óleo bruto e
farelo, mas não refinamos este óleo. Não é o nosso negócio. Tem gente sabendo
trabalhar com isso melhor. Vendemos o nosso óleo degomado para eles, no mercado
interno ou de exportação. É mais inteligente e acaba sendo mais saudável para a
economia. Contratamos transportadores para movimentarem o nosso produto, pois
são especialistas nisso e por isso mais competentes que nós.
Volto a dizer: no projeto de busca de investidores no
agronegócio moçambicano, está faltando uma perna no seu planejamento que é esta
questão da logística e de um trabalho direcionado para os vários perfis de
investidores necessários para que a agricultura do país decole. Condições se
têm, precisa-se é organizar melhor o que se quer e como fazer.
| Literalmente pequenos produtores na agricultura familiar. |
E como moçambicano, não posso deixar de pedir. Moçambique
deve buscar esses investidores, precisa deles, mas nunca esquecendo de
implementar políticas que garantam benefícios para o pequeno agricultor e demais
população rural do pais. As duas condições são totalmente compatíveis, mas há
que induzir e garantir que assim aconteça.
Não se espere dos investidores que tenham na sua essência um perfil filantrópico. Isso
é responsabilidade do estado com apoio de ONG’s sérias... mas só as sérias!
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