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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Moçambique - Comunicado de Imprensa da UNAC


Fazem 21 anos que Moçambique havia conquistado a paz depois de décadas de guerra; antes contra o colonizador e depois numa guerra, também *burra, pela luta do poder. Digo havia conquistado pois hoje montam o circo para que se jogue tudo a perder. E de novo a bucha de canhão é a população mais sofrida do país. 

Tenho recebido regularmente Comunicados da organização UNAC – União Nacional de Camponeses. Ainda que em alguns temas específicos tenha eu eventualmente uma visão diferente, como por exemplo em alternativas de investimentos internacionais na agricultura de Moçambique, a UNAC vem me cativando pela forma séria que trata dos interesses dos camponeses moçambicanos.
Dois ou três dias atrás recebi por e.mail um Comunicado de Imprensa onde a UNAC reivindica o imediato cessar fogo entre forças do governo, diga-se Frelimo, e Renamo, um dito partido de oposição a este governo.
Penso que o que está dito neste comunicado é o anseio da grande maioria dos Moçambicanos e de quem ama Moçambique, especialmente quando entendemos a abordagem da UNAC. 
Se a agricultura moçambicana já é frágil, deixando a economia do país tão frágil quanto, deixar que dois elefantes birrentos lutem sobre a machamba alheia é querer de fato destruir definitivamente com a Nação. 

*1 Tenho toda a guerra como sendo burra.

Segue o comunicado em questão...




Comunicado de Imprensa
Os Impactos da Situação Politica e Militar no Desenvolvimento da Agricultura
em Moçambique


(Maputo, 13 de Fevereiro de 2014) - A União Nacional de Camponeses (UNAC), movimento de camponeses de Moçambique que luta pela defesa dos direitos sociais, económicos e culturais dos camponeses, manifesta profunda indignação e repúdio contra as mortes, assassinatos e deslocação de milhares de seus companheiros e concidadãos provocadas pela crescente deterioração e agravamento da situação politica e militar. Solidariza-se, igualmente, com todos os camponeses e camponesas, famílias e cidadãos vítimas desta conflituosa e perigosa situação com a qual nos confrontamos 21 anos depois de termos alcançado a Paz, fruto do diálogo, entendimento, reconciliação e espírito de humanidade e fraternidade entre os moçambicanos outrora desavindos.

A crise da Paz, que prevalece em Moçambique, intensificou-se a partir de Abril de 2013, provocando a emergência de uma tensão politica e militar que atingiu proporções alarmantes e profundamente ameaçadoras do processo de reconciliação, consolidação e aprofundamento do Estado de Direito Democrático instaurado no Pais há mais de 20 anos com o fim da chamada “guerra de 16 anos”. O Pais tem enfrentado diversos impactos negativos desta crise, especialmente para pessoas que vivem nas comunidades, Distritos e Províncias de maior confrontação militar e bélica. Centenas de milhares de famílias camponesas incluindo crianças, mulheres e pessoas com necessidades especiais foram forçadas a deixar suas casas, perdendo muitos bens e fontes de subsistência.

Muitos sectores da sociedade moçambicana incluindo intelectuais, activistas, organizações religiosas e da sociedade civil e cidadãos comuns, confrontados pelo ambiente de retorno à guerra, têm alertado para os brutais impactos sobre a estabilidade política e social do País, apelando com urgência para o restabelecimento do clima de paz, democracia e desenvolvimento e respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais. Os constantes ataques e confrontos militares entre supostos homens armados da Renamo e as Forças Armadas de Defesa de Moçambique, incluindo Agentes de Segurança e da Força de Intervenção Rápida, com maior incidência nas zonas rurais onde reside maior parte da população moçambicana, têm causado graves e conhecidas consequências sociais e económicas com particular destaque para os sectores da agricultura, educação, saúde, transporte e comércio.

Os efeitos políticos, económicos e sociais mais perversos da actual crise política e militar incidem-se sobretudo nos distritos de Machanga, Chibabava, Maringué, Gorongosa, Nhamatanda e Dondo em Sofala; Moatize em Tete; Macossa em Manica; Rapale e Mecuburi em Nampula; Homoine, Funhalouro e Vilanculos em Inhambane. Muitas famílias e cidadãos residentes nestes distritos encontram-se deslocados e ostentando o estatuto de “refugiados internos” de guerra que lhes é negado pelas autoridades governamentais e estatais nacionais e internacionais.

Dados na posse da UNAC revelam que existem, em todo o País, mais de 16 milhões de camponeses, os quais dependem e vivem, maioritariamente, dos resultados da produção agrícola por eles desenvolvida. Os efeitos resultantes desta tensão politica e militar ameaçam comprometer, seriamente, a campanha agrícola 2013/2014 lançada por sua excelência Presidente da República, Armando Guebuza, no dia 08 de Novembro de 2013 último, na cidade de Xai-Xai, Província de Gaza, pondo em causa os objectivos da presente época, previstos no Plano Económico e Social de 2014 além de perigar a soberania alimentar dos moçambicanos.

Projecções do Plano Económico e Social-PES 2014 do Governo de Moçambique apontam para um crescimento de 7,1% na produção agrícola global, prevendo-se que a produção de cereais seja cerca de 2.3 milhões de toneladas, com destaque para o milho contribuindo com 1.679 mil toneladas e 362 mil toneladas de arroz. Mais de 90% da produção alimentar nacional é assegurada por camponeses e camponesas, por sinal, os mais afectados pela guerra que assola o País. Caso esta situação persista até ao mês de Março deste ano, prevê-se um impacto brutalmente negativo para a presente campanha agrícola, com maior incidência na província de Sofala.

A Província de Sofala, a mais fustigada pelo conflito, segundo dados do Governo Provincial, na campanha 2012/2013 produziu cerca de 1.789.010 toneladas de culturas diversas, com uma produtividade média por hectare de 2.39 toneladas, representando um aumento em pouco mais de 20% comparativamente a campanha precedente (2010/2011). Os Distritos de Nhamatanda, Gorongosa, Marringué, Chibabava, Machanga e Dondo que contribuem com mais de 50% da produção global a nível daquela província, vêm a produção agrícola comprometida por causa do abandono das machambas e áreas de cultivo pelos camponeses, ou ainda devido ao cultivo limitado de áreas como resultado da incerteza, incluindo o não funcionamento dos serviços de apoio a produção.



Dados analisados pela UNAC apontam para existência de cerca de 345.000 camponeses e camponesas atingidos, directa e indirectamente, pela guerra num total de cerca de 69.000 famílias, nos distritos de Machanga, Chibabava, Maringué, Gorongosa, Nhamatanda e Dondo em Sofala; Moatize em Tete; Macossa em Manica; Rapale e Mecuburi em Nampula; Homoine, Funhalouro e Vilanculos em Inhambane. Estes dados referem-se às famílias refugiadas e as que enfrentam condicionalismos de circulação e segurança, impostos pelo clima de guerra, para desenvolver a actividade agrícola.

Relatos populares e de fontes credíveis confirmam casos de intimidação e perseguição de camponeses e camponesas por ambas as partes. Camponeses em pleno exercício de suas actividades têm sido confundidos de pertencer ou colaborar com uma das partes do conflito, alegadamente por continuarem a viver em áreas de conflito. Os Distritos de Gorongosa e Chibabava, por exemplo, têm registado muitos casos desta natureza. Por outro lado, muitos camponeses e camponesas têm sido deslocados e alojados em centros de acomodação precários, sem mínimas condições de habitação, água potável e frequentemente passando fome.

A prevalência do especto de guerra e consequente violação de direitos tais como: o direito à vida, o direito à habitação condigna, o direito à alimentação adequada, o direito ao trabalho digno, o direito à liberdade de circulação e de viver em qualquer parte do Pais contrasta com a recente posição dos chefes de Estado e de Governo africanos de adoptar a agricultura como uma prioridade da agenda continental, assumida durante a realização da 22ª Cimeira da União Africana, entre os dias 30 e 31 de Janeiro de 2014 em Adis Abeba – Etiópia.

Aliás, este posicionamento e aparente reconhecimento público da agenda da agricultura pelos líderes africanos somente fará sentido se o clima de Paz prevalecer em Moçambique, em África e no Mundo de tal maneira que como País Africano possamos, finalmente, sonhar por uma eventual garantia no cumprimento integral e implementação prática da Declaração de Maputo de 2003, relativa ao compromisso de aumentar o orçamento para agricultura para níveis de dez porcento, a qual Moçambique subscreveu. Na esteira deste suspeito despertar para com o sector da agricultura destacamos também a decisão da Assembleia-Geral das Nações Unidas de declarar 2014 como Ano Internacional da Agricultura familiar, o que reforça cada vez mais a urgente necessidade da Paz que as famílias camponesas precisam para reafirmar a sua condição camponesa e continuar a assumir os seus compromissos imprescindíveis com o Povo, pautando sempre pelo espírito de reconciliação nacional.

Neste momento crítico, de medo e de terror que paira no seio das famílias camponesas espalhadas por todo o País, nós, camponeses e camponesas entre a liderança, membros e todos os militantes da União Nacional de Camponeses, reiteramos nossa solidariedade e apoio total e incondicional aos companheiros e companheiras, que, com coragem e determinação, têm acolhido nas uniões distritais e em suas casas os companheiros refugiados. Igualmente, reafirmamos o nosso compromisso inalienável com a agricultura camponesa e engajamento na luta pela realização dos direitos constitucionais de defesa à vida. Continuamos firmes na nossa luta, orientados e em total acordo com o preceito constitucional segundo o qual a agricultura é a base de desenvolvimento do nosso País.

Os camponeses e as camponesas exigem às partes beligerantes a cessação, imediata, das hostilidades, abandonando a via armada, como única alternativa para resolução das divergências em disputa. É imperioso o fim de todos os ataques e confrontos militares que em nada contribuem para o desenvolvimento de agricultura camponesa e soberana muito menos no bem-estar social dos Moçambicanos e Moçambicanas. De igual modo instamos às partes para que reestabeleçam o mais urgente possível mecanismos mais alargados, inclusívos e efectivos de diálogo transparente e democrático.

“De enxada na mão e com os pés firmes na terra sonhamos por um Moçambique viável e melhor, onde todos possamos sentir-se filhos e filhas de camponeses e camponesas desta terra pela qual lutamos e libertamos”!

UNAC

Camponeses Unidos Sempre Venceremos!
Maputo, 13 de Fevereiro de 2014

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

História de Moçambique através de anúncios da década de 60 (4)

E a história continua... através dos anúncios da "Voz de Moçambique". Em Abril e Maio de 1963.



















Série 3 

Série (Atual)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

90 minutos de Chimoio - Década de 70

Após uma curta temporada no Brasil, pouco mais do que 2 ou 3 meses em 1972, voltamos a Moçambique agora sem a companhia e proteção do Pai que se mandou para outras dimensões sem aviso prévio.
Nasci em Maputo, mas passei os meus primeiros anos de vida na Beira. A nossa primeira casa nesta cidade era na Ponta Gea e em um pulo estávamos no ATCM para ver largadas de etapas de rallys, entre outros eventos automobilísticos. Ali, como qualquer criança, criava o meus ídolos. Projetava o meu futuro igual àqueles que dominavam ali as baratas, com roncos mais sonoros que qualquer rugido dos leões mais poderosos da Gorongosa.
O “S” de Sena e o “F” de Fittipaldi eram naqueles tempos o “S” de Serras Pires e “F” de Feijão. Serras Pires era para mim sinônimo de corredor, não me importava a idade dos membros desta família. Ir à praia do Inhangau e parar a meio caminho no charmoso Mini Gurué dos Serras Pires não era só diversão. Era o orgulho infantil de compartilhar do ambiente da família de corredores. Era história para contar na segunda feira na Escola do Macúti. Eram os Serras Pires e os caranguejos gigantes que caçávamos na Praia do Inhangau.

Mas falava eu que havíamos voltado a Moçambique, em 1972. Desta vez nem Lourenço Marques, atual Maputo, nem Beira. Depois de um ano letivo no Zónué, perto de Vila Manica, onde vivi e estudei acarinhado pelos tios Moreira de Carvalho (Tio Manel e Izabel e Tio Zé e Augusta), fui ao encontro da minha Mãe e irmãos em Vila Pery. E para não ter tantas saudades da Beira, aparece a turma de corredores na cidade para disputarem os 90 minutos de Chimoio e antes da corrida fazem uma etapa de controle de habilidade e tempo. Nunca havia esquecido esse dia, e para minha felicidade o muito querido Tio Zé, e filhos, têm registrado umas poucas imagens desta etapa em 8mm. 
Cliquem abaixo...



sábado, 11 de janeiro de 2014

Visita a Moçambique - 4a. Parte


Para fechar o domingo.


9 de Maio de 2012 às 11:47


Depois de um cafezinho bom e quentinho, voltamos a subir a marginal e vieram nos trazer ao Hotel Hoyo Hoyo. A Maria deixou-nos para ir atender outro compromisso, mas a Teresinha ficou a nos dar apoio. Fez questão de vir ver se os quartos eram os que havia reservado. Pela desenvoltura dela no hotel e no relacionamento com os funcionários fiquei a pensar se ela está na profissão certa. Parece-me uma verdadeira operadora de turismo ou de uma agência especializada em dar apoio a pessoas que vêm a Moçambique, a turismo ou a trabalho.


O Hoyo Hoyo é um residencial simples, limpo e com um restaurante de comida goesa. Boa comida goesa. Já fui me imaginando naquele primeiro fim de tarde comendo umas chamuças e a tomar uma cervejinha. Afinal ainda era domingo!

O quarto pequeno, mas aconchegante. Uma varandinha que dá para a traseira do hotel onde se vê um jardim bem tropical.

A Teresinha alerta que já passavam do meio dia. Não tinha apetite, talvez pela adrenalina, pelo excitamento com o que já tinha visto nas poucas horas que desfrutava de Maputo e suas gentes. Ouvi também do Marcos não estar com fome para almoçar logo... pois, não era bem a adrenalina que me tirava a fome. É que para nós eram um pouco mais do que as sete da manhã do Brasil. Mas estávamos em Maputo e acompanhados pela Teresa que não tinha nada com isso. O fuso aqui lhe pertence e nem me atrevi a lembrar-lhe o nosso. Ela propõe almoçarmos no Piripiri. Magicamente me bateu a fome! Pensei cá comigo: Essa foi um golpe de mestre da prima! Uma galinha do Piripiri!!!

Seguimos para lá e depois de atravessarmos a antiga Pinheiro Chagas, agora Eduardo Mondlane, fomos por ela por dois quarteirões até à Av. Julius Nyerere onde se vê logo o prédio onde fica instalada a Embaixada de Portugal que próximo, à sua esquerda, fica o Xenon. Chegando à Julius Nyerere vamos à direita até à esquina da 24 de Julho onde entramos de novo à direita e chegamos ao Piripiri.

Foi o primeiro momento que me faltaram joelhos... tipo as pernas dobrarem por falta de fixação. Sensação esquisita. Talvez tivesse mesmo há muito tempo a guardar a vontade de comer uma galinha do Piripiri. Só consigo explicar dessa forma. Depois peço a umas amigas curitibanas e freudianas para me ajudarem a entender isso. Parei realmente para refletir no momento que estava passando. Tipo filme com um nome “O retorno”. Vivi e vivo um filme... eu estou num filme!

Como a educação manda, e naquele momento ajudava-me a fazer as coisas devagar, deixei a Teresinha e o Marcos entrarem na frente e passo em seguida para o lado de dentro do restaurante. Na primeira mesa que visualizei estava um super simpático casal e reparei que o senhor fez algum comentário com a esposa, tipo é o Zé Paulo. Um raio de memória atualizada me fez perceber que estava de frente de um antigo vizinho de quarteirão no Macúti, na Beira! A reação foi de um automático abraço. Era o Tonecas! O Tonecas!!! Tenho falado tanto com a Manecas e ela me havia mandado uma mensagem pelo Face dizendo para eu o procurar. Só fui ler essa mensagem depois de o ter encontrado. Era o Tonecas, sem marcarmos, no primeiro lugar que entrei e já reencontro um antigo vizinho da Beira em Lourenço Marques... em Maputo, melhor dizendo. Juntamos mesas e almoçamos prazerosamente em um bom papo. Boa conversa que acabou por ser fonte, através do Pedro, o antigo Tonecas, e da Teresinha, de visões sobre o Moçambique atual que nos são importantes, mesmo que aparentemente subjetivas, para nos ajudarem nas avaliações que viemos aqui fazer.

O casal Nogueira já havia feito o seu pedido. Nós pedimos, claro, uma galinha do Piri-Piri...sem piri-piri... Trouxeram agora o piri-piri. Dois! Um verdinho e outro vermelhinho. O verdinho quentinho e super gostoso, e o vermelhinho super quente, como dizem os baianos no Brasil. Uau! A galinha ficou mesmo à Piri-Piri. Boa como nunca! Cerveja 2M tirada na máquina e servido no fininho, ou seja, o chopp na tulipa super gelado!

O preço da galinha para os três foi de 600,00 meticais, mais a cerveja e refrigerante. Algo em torno de 40 reais. Barato para os padrões brasileiros. Bom para apreciadores de galinha ao Piri-Piri.

Será que começou bem a semana em Moçambique? Só não pensem que me esqueci daquele fim de tarde tomando uma cerveja e comendo chamuças. Começamos por uma Laurentina, depois veio a Manica e por fim a 2M, mas não mais tirada na máquina no fininho. Todas elas muito boas, mas a Manica, tanto para o meu paladar como para o do Marcos, é a mais redonda. Pelo menos antes de ultrapassarmos as duas primeiras porque depois a gelada é sempre a melhor.


Vamos agora é tentar dormir, que amanhã temos agenda a cumprir...

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Visita a Moçambique - 3a. Parte

Cambiar a moeda que estamos em Moçambique.


7 de Maio de 2012 às 21:54

Saímos do aeroporto com destino ao Shopping Maputo, pois queríamos trocar uns dólares; afinal esta economia funciona é em Meticais. Os números aqui são grandes e isso porque faz relativamente pouco tempo que foram cortados três zeros da moeda nacional. Faz-me lembrar do tempo dos planos econômicos brasileiros, em especial o Plano Real, onde também no Brasil houve a necessidade de se cortar zeros para se ter uma visão mais consistente do valor da moeda. O cambio com o dólar está próximo a 25 Meticais. Em relação ao Real brasileiro esta, em valores arredondados, valendo 15 Meticias.

A primeira avenida que buscamos para ir até ao Maputo Shoping foi a Av. Acordos de Lusaka, salvo erro, e a primeira coisa que me chama atenção é uma placa, tipo outdoor, que o ator, a personagem comercial de uma rede de telefonia celular, é um negro. Não que fosse isso uma novidade para mim. O mundo hoje nos proporciona acesso às informações de forma ainda mais rápida do que atravessar o Atlântico e o continente africano em oitos horas em um Air Bus 330. Já havia visto comerciais de Moçambique com este perfil. É claro que este anuncio nem mesmo me deveria chamar atenção, não pelo motivo que aqui levanto. Mas o facto é que aqui estando me chamou. Estava em um Moçambique diferente! Pode haver ainda muito a mudar, a melhorar, a se ajustar, mas Moçambique é mesmo outro e o ter um anuncio onde o agente promovedor de um produto é negro só pode nos apontar que algo de mais justo, coerente, existe na sociedade deste país de tenra idade. Vê-se a movimentação de muita gente, mais velhos e mais novos, crianças, em uma maioria de negros que nem eram filhos de e ou “mainatos” lá de casa ou do meu vizinho. Era uma população ativa, com movimento, com altivez de um povo que antes me tratariam por menino, e com os cabelos brancos que tenho agora talvez por patrão sem mesmo que lhes pagasse uns cifrões por um serviço prestado. Até porque não havia a necessidade de se ter um funcionário para ser tratado como patrão no Moçambique do antigamente. Mas imagino que até o fim da temporada por cá ainda veja outdoors com atores de outros tons de pele. Digo isso por questões conceituais, de valores necessários em qualquer sociedade, para não ficar com a impressão de uma politica de exceção ao inverso em relação aos tempos da outra senhora, como mesmo por questões mesmo econômicas. Ou seja, que a população consumidora não seja identificada restritivamente pelas cores da pele porque o resultado das vendas podem não ser as que se esperam ou as que se poderiam alcançar.

Seguimos adiante e logo me deparo com uma praça, tipo retunda (balão ou rotatória para os brasileiros), onde está um imponente monumento aos heróis moçambicanos. No extremo de um alto mastro balança uma bela Bandeira de Moçambique que para ela direciono o meu olhar e disfarçadamente, para que não me gozassem os que me acompanhavam no carro, principalmente o colega brasileiro que possivelmente não entenderia o gesto e o valor que o mesmo me tinha naquele momento, ainda que ali havia uma forma de brincar comigo mesmo,... sim, levei a mão próximo à testa como a ela batesse continência. Não a ela, mas a tudo que ela representa e que ainda haverá de representar.

Vou chegando a um lugar familiar, um conjunto de prédios com uma distribuição que me está gravada na memória até então.
Prédios da Coop
Era ali que a minha prima Kikas, e os irmãos moravam num décimo andar do “PH 4” junto aos tios Perdigões. Aquela prima... acho que vocês podem me entender. Um dia, já no Brasil, ela deixou de ser a minha prima Kikas para ser a minha mulher Cristina, mãe da carioca Sofia, que foi concebida em Recife, e do curitibano Filipe, os meus filhos. Pois é Sofia e Filipe, estou aqui onde de alguma forma começou a ser formatada a vossa vinda ao mundo. Ali, naquele décimo andar, muitas vezes eu e a vossa mãe brincamos de marido e mulher, eu e ela formando um casal e os vossos Tio Tó Maria e Tia Jana formavam outro. Trocar? Nã, nã, nada disso! Já naquele tempo não tinha cá troca troca!!! O nosso filho era um boneco de pano, que era um macaco que ficava ensopado de tantas injeções que lhe dávamos com uma seringa cheia de água. Ainda lá vou amanhã para ver aquilo com calma e fotografar. Vou lá ver se encontro a Xandinha Guimarães a brincar na caixa de areia que ficava no parquinho entre os PH2 e 3. Já deu para perceber que os prédios iriam agradecer uma pintura. A movimentação de pessoas na região é imensa. A avenida que passa por trás dos prédios, de algumas más memórias em um setembro trágico, tem vida, muita gente, é a mesma COOP, mas 37 anos depois, com mais agitação mas com má manutenção predial, pelo menos no que percebi no visual externo.

São Marchilde, Polana, marginal, aquela do passeio dos tristes das tardes de domingos, e lá chegamos ao imponente Maputo Shopping.
A caminho da Marginal... 
Não poderíamos demorar, pois a Maria que nos ciceroneava e pilotava o veículo que carregava as malas e a nós, tinha ainda compromisso. Em quanto “parqueava” já nos foi deixando à porta e fomos os três, eu, Marcos e a Teresinha, andando para a casa de câmbio. Trocamos a moeda internacional, o tal dólar, por meticais da economia local. Depois fomos a uma loja de uma operadora de celulares onde comprei um chip para poder me comunicar aqui com um custo mais adequado do que estar a usar o do Brasil. O Marcos também contratou um serviço para poder ter acesso a dados pelo aparelho do celular, o que lhe é fundamental para acompanhar o mercado internacional de cereais.

Depois a Terezinha acabou por convencer a Maria que ela ainda poderia dispender de um tempinho para irmos tomar um café antes de nos levar para o hotel. Saímos do interior do shopping para o estacionamento e fomos nos direcionando para um café que fica ainda dentro do recinto do shopping, tipo uma esplanada. Nisso vem ter comigo um senhor, simpático e sorridente, e já me vai estendendo a mão para uma troca de apertos de mão e me diz: “ Tudo bem? Estive consigo no aeroporto...” Porra!!! Estes gajos me apanharam. Não paguei o almoço do homem. O sorriso dele me faz lembrar muito o do rapaz simpático do aeroporto. Deve fazer parte do grupo cobrador de pedágio para que as malas sejam abertas. Pelo menos uma delas!

Antes que pudesse eu viajar ainda mais na maionese, sinto a mão da Teresinha agarrar-me o braço e a dizer-me: Não dês asa a esse gajo. Puxa conversa contigo e daqui a pouco está a te pedir dinheiro. Quando olhei para tentar marcar a cara do senhor simpático já não lhe pus os olhos. Mandou-se! Acho que o gajo reconheceu a voz da Terezinha de alguma outra ocasião.

Amanhã tem Piri-Piri...

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Visita a Moçambique - 2a. Parte

A retirada das bagagens

7 de Maio de 2012 às 7:33


O avião encosta junto ao finger, mas depois de uma espera de algo em torno de 5 minutos desistem de fazer aquilo funcionar e colocam umas escadas para descermos. Teriam eles ouvido as minhas preces? Eu quero é pisar o chão moçambicano, pensava eu. Nada de tapetes ou passarelas artificiais.

Descemos do avião, com a mochila com as máquinas fotográficas e notebook nas costas, pasta em uma das mãos, me fizeram refletir e decidir por ainda não ser aquele momento certo para me abaixar e tocar com as palmas da mão aquele chão de concreto do pátio das aeronaves. Aproveitava o sentido do olfato e relembrava os cheiros de Lourenço Marques. Incrível a capacidade da memória dos 5 sentidos, inclusive a dos cheiros. Cheiros africanos da agora Maputo.
Seguimos para a sala de desembarque onde temos pequenos balcões com formulários em branco para preenchermos. A burocracia de todos os países. Formulário para sair, formulário para entrar. Com o documento devidamente preenchido nos dirigimos à funcionária da alfandega que irá vistoriar a nossa documentação. Pensei cá para mim: “Que esta miúda não seja partidária do senso de humor sádico da menina de Guarulhos e não me faça nenhuma partida!” Nada! Pegou o formulário, olhou o visto no passaporte e “Seja bem vindo!”. Soube-me mesmo bem ouvir aquilo.
Vamos para a esteira esperar a nossas malas. Sempre aparece aquele lado negativo da possibilidade do extravio da bagagem, mas logo apontam na entrada da esteira. Enquanto tiro a mala da esteira aparece um rapaz de cara simpática a me dar o bom dia e diz: É uma mala só? Ao qual respondo que sim, que a minha era uma só, mas havia também a do meu colega. ”Podes deixar. Diz-me só qual é que eu pego. Levo-as lá fora para vocês. Trabalho aqui e assim eles não vão abrir as malas para as ver”. Certo, mas e quanto é que me vais cobrar de frete para nos levar essas malas lá fora, perguntei-lhe. “Ê, pá! Não te preocupes. Isso é o meu serviço”. Bem, vamos lá. Não me vai quebrar assim tanto. Lá fora tenho a minha querida prima Teresinha e a filha Maria que se necessário ajudam-me a por o rapaz no trilho. Colocamos as malas e bagagens de mão na esteira do raio “X” e ao saírem do outro lado, com o rapaz simpático a recebê-las, o policial da alfandega já vai pedindo para colocar a minha sobre a bancada que a queria vistoriar. O rapaz já não muito sorridente vira-se para mim e diz: “Não te preocupes, só vai ver e mais nada!” Sim, sem problema nenhum. Deixei-o ver. Até porque não estava ali em posição de deixar ou não ver, mas não havia nada, a principio, que pudesse comprometer a minha idoneidade. “Abra o cadeado...! Puts, onde coloquei a chave dessa merda? Mochila no chão, abro-a e depois de uma procura por dentro das bolsinhas acabo por a encontrar em uma delas. Abro o cadeado, os zíperes, e ficam expostas as minhas roupas. Camisas, meias e cuecas a serem vistoriadas e no meio aparece logo um do cd’s de música brasileira que trouxe para aqui presentear amigos. “Traz aqui coisas?” Não. Uns quatro ou cinco Cd’s, digo eu em tom de voz aparentemente baixa. “Cd’s? Quantos?” Uns 5 ou 6, talvez, respondo eu em um tom um pouquinho menos baixo. “Pergunto se uns 50, 100?”, questiona ele de uma certa forma ríspida, tipo moçambicano mesmo. Não, não, uns seis ou sete, respondi eu mais à vontade. Mandou-me fechar a mala e liberou-me já olhando para o meu colega a perguntar-lhe: “ E na sua, traz alguma coisa?” Não, só roupa, no estilo seco mas sorridente do Marcos. “Tá bem, não precisa abrir!.” Porra! Será que este gajo percebeu que eu era um ex-colonialista e quis me mostrar que as coisas não são como eu possa imaginar? E o rapaz sorridente, que dizia que me prestava um serviço exatamente porque assim não me abririam as malas?
Saímos para o saguão, onde vejo logo a Teresinha a abrir os braços para consumar em um abraço mútuo. Um prima muito querida que não a via há mais de 37 anos. Ela, que vem já há uns meses articulando alguns dos contatos que vamos aqui ter com o objetivo de buscarmos dados para avaliação de possíveis investimentos por parte da empresa para quem trabalho. Em seguida se aproxima a sua filha Maria. Tão bonita e de simples trato como o nome Maria. Uma miúda super simpática.
Vamos até ao carro, depois de já sermos questionados pelo rapaz simpático se o carro estaria longe, mas depois que lhe foi identificado onde estava se prontificou em deixar as malas junto ao mesmo. Ao colocarmos as malas no carro veio finalmente a cobrança do frete. ”O senhor me dá 50 reais porque os homens lá dentro pediram-me um almoço.“ Cinquenta reais? Perguntei-lhe eu. Foi o start para a Teresinha entrar em ação:
- Como é? Pediram-lhe almoço? Mas quem lhe pediu almoço?
- O homem lá dentro, para não lhes abrir a mala. Respondeu o simpático.
- Como não abrir a mala. Mas eles abriram a minha mala! Intercedi eu.
- Não, nada de almoço. Nós somos daqui e o meu primo esta a chegar para nos visitar não vai pagar nada.
- Espera, mãe! Não adianta ficares nervosa. Deixa que eu vejo isso. Diz a Maria e me transmite que vai ter calma para resolver isso de forma que fiquemos todos felizes e contentes. E vira-se então para se posicionar junto ao rapaz simpático.
- Ouça lá! Nós somos de cá e não entramos nessas. Não tem almoço nenhum. Tome lá este ajuda (talvez uns 5 meticais). Se quer, quer! Se não quer, não vai ter mais!
- Mas com isto não compro nada! Tenho que levar o almoço para o homem. Responde o rapaz.
- Qual almoço! Disse de forma definitiva a Maria, a doce sobrinha prima que aqui tenho, mas que mostrou ser tão objetiva quanto a mãe Teresinha e a sua avó Izabel.
A Teresa acaba por meter mais 20 meticais, salvo erro, na mão do rapaz e diz-lhe. Tome lá isso. Não devia, mas...
Entramos no carro e a Maria pôs-se a manobrar enquanto o rapaz simpático ficou com uma cara nada de bons amigos a resmungar consigo próprio.


domingo, 5 de janeiro de 2014

Visita a Moçambique - 1a. Parte

Depois de aqui editar o ótimo texto do António Maria, Impressões de um turista e a fotografia em Moçambique, dentro do tema Moçambique, tomo a iniciativa de reeditar umas anotações que fiz na rede social Facebook sobre as minhas primeiras horas no país quando lá estive, em visita, em Maio de 2012.
Estas anotações foram feitas em quatro partes, e esta reedição talvez me venha a motivar a escrever sobre as impressões gerais que tive sobre o país que reencontrei durante os aproximadamente 20 dias que por lá estive.

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To Moçambique...

6 de Maio de 2012 às 18:37

Voo em Curitiba atrasado! O voo deveria sair às 13:15 hrs e esta previsto para as 14:00 hrs. Dez minutos depois já havia aumentado a previsão de atraso. Ainda não confirmado e já estava com uma previsão de duas horas de atraso. Deveríamos fazer a conexão em São Paulo às 16:00 horas. Parece que vai ser atribulado esse retorno a Moçambique depois de 37 anos ter saído do país de forma não muito planejada se transformando algo similar a uma ruptura entre a adolescência e a... e a ainda adolescência.
Consegue-se convencer a companhia aérea a nos acomodar em um voo da concorrente que sairia de Curitiba às 14:00 hrs. Peço á companhia original para me devolver a mala que já havia sido despachada, no que fui prontamente atendido e fizemos, eu e um colega, o novo check in. Agora o voo saiu pontualmente e chegamos a São Paulo uns minutos depois das 15:00 horas. Com a troca de voo agora tivemos que retirar a bagagem para fazer um novo check in, agora para o trecho internacional São Paulo a Maputo com conexão me Joanesburgo. Estávamos com tempo suficiente, mas a demora das bagagens criou uma certa angústia. Antes de embarcarmos ainda queríamos comer alguma coisa pois já passavam das 15:00 hrs e ainda não havíamos almoçado. No primeiro trecho um saquinho de amendoins e um refrigerante mostra o quanto o serviço de bordo vem caindo nos voos domésticos do Brasil. O grande aeroporto de Guarulhos com um visual de desgastado, precisando de uma boa revitalizada. Veem-se algumas placas com dizeres como “Desculpe o transtorno, estamos em obras para melhor atender os usuários”. Vai precisar de muita obra, de melhorias de infraestrutura, como de visual mais agradável de um aeroporto de uma das cidades que estará recebendo os turistas da Copa do Mundo que se aproxima em velocidade supersônica para os cronogramas das obras de preparação para este evento.
Saímos da sala de desembarque com as nossas malas com agilidade para o balcão da empresa aérea sul africana. Tínhamos a expectativa que enfrentaríamos ali uma grande fila já que sabíamos que o voo estava lotado e agora já eram quase 16:00 hrs. Ao lá chegarmos fomos atendidos de imediato e amavelmente pela funcionária brasileira da empresa. Não havia ninguém na fila! Em quanto procuro na mochila a minha carteira para pegar o meu bilhete de identidade de estrangeiro no Brasil, percebo a funcionária a desfolhar o meu passaporte português e de repente me pergunta: “O senhor pegou o visto de entrada em Moçambique?”. Pensei de imediato: ela deve estar a brincar ou afinal chegou foi a hora de acordar do sonho. Bom é que foi rápida a reação dela ao, antes mesmo de eu reagir ao seu questionamento, e me informar que já havia identificado o visto. Para eu me recompor é que não foi tão rápido, mas depois de ter o cartão de embarque pensei cá comigo. Esta gaja estava mesmo era a brincar comigo. Deve saber como estou me sentindo por dentro e quis foi tirar um sarro de mim!
Fomos fazer um lanche, um sanduíche beirute que estava muito bom, em especial para quem estava com fome. Em seguida fomos para o embarque e na alfandega a funcionária da Policia Federal, que verifica a documentação, foi mais camarada e não fez nenhuma piadinha. Carimbou o formulário de saída obrigatório para estrangeiros no Brasil mesmo que lá residentes e me devolveu o passaporte e o Modelo 19 (B.I. de estrangeiro) e me desejou boa viagem.
Parei, pensei: isto esta indo longe demais. Já não seria tempo de acordar? Às 17:30, já dentro do avião, mando um SMS para a minha mulher onde dizia: “Estou sentado dentro do avião. Afinal parece que é mesmo verdade que estou indo a Moçambique. Vos amo! Bjs.” Como estivesse me dando um beliscão, logo em seguida ouço um “blim, blim”, um aviso sonoro de entrada de um SMS no meu celular. Era a resposta da Cristina: “É mesmo, pai! Agora vais, que bom. Fico feliz que estejas realizando esse sonho. Bjs te amo muito.”
Oito horas de voo até Joanesburgo. Um ótimo voo. As estradas lá em cima em ótimo estado. Sem uma vibração, sem curvas, um ótimo atendimento da equipe de bordo. Como jantar um arroz soltinho com bife bem bom, considerando ao que se propõe uma refeição oferecida a 11.000 pés de altitude.
Problema só o não conseguir pegar no sono. Desliga a telinha na frente, liga telinha. Filme, jogo de Tetris, programas de TV, desliga, liga, filme, Tetris... e à uma hora da manhã acendem as luzes e começam a servir o café da manhã...bem, quando abri os olhos já estavam servindo o café da manhã. Afinal parece que havia cochilado. Mas a cabeça não parava de pensar, de trabalhar.
Abriram uma das janelas e o sol brilhava do lado de fora. Ali já eram mais de 6:00 hrs da manhã, levando em consideração a diferença de 5 horas no fuso horário. Um pouco depois começamos a sobrevoar Joanesburgo. Uma bela cidade vista de cima. Pousamos, desembarcamos, e conclui de novo. O nosso Guarulhos, Aeroporto Internacional de São Paulo, precisa mesmo, e urgente, de uma nova roupagem, uma melhoria de infraestrutura, como banheiros mais apresentáveis e limpos como os demais espaços do aeroporto. O aeroporto de Joanesburgo todo ele cheira bem. Belas lojas, um artesanato local lindíssimo, pessoas felizes, com sorrisos na cara.
Mas já estava bom de Joanesburgo. Queria mesmo era entrar logo no avião para chegar a onde vim. Maputo! Maputo já!
Agora com direito a um lugar na janela, começo a ver que nos aproximamos de Lourenço Marques... de Maputo. Saco da máquina
Primeiras imagens de Maputo
fotográfica e sem preocupações na qualidade do resultado das clicadas e sim com o registro daquele momento, disparo, disparo ao encontro da alegria de rever a terra onde nasci, da terra de onde me despedi de parte da minha adolescência, da terra que me ajudou em transformar em gente. É com certeza real sentir que parte das minhas moléculas pertencem a Moçambique e vice-versa. Isso não tem nada haver com sentimentos saudosistas, tipo como isto é bom ou como isto era bom. Ou como aqui é que devia estar vivendo. Nada disso, sem dores, só com muita emoção. Uma emoção legal.

Em terras moçambicanas...

Amanhã, se tiver tempo, conto mais...