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sábado, 21 de junho de 2014

Praça Afonso Pena na Copa em Curitiba



A Praça Afonso Botelho, em Curitiba, foi provisoriamente desapropriada da população curitibana para ser usada como espaço externo à Arena para atender a recepção do público e imprensa nos jogos da Copa que por aqui se realizam.
Interessante o quadro dos investimentos que vemos no painel. Relacionam como obras, os seguintes itens:
  • Instalação do canteiro (canteiro de obras da reforma do estádio)
  • Drenagem de Água Pluviais
  • Galeria técnica hidráulica /elétrica / T.I.
  • Pavimentação das vias internas.
  • Execução de piso provisório em blocos de concreto.
  • Iluminação

  1. Infraestrutura – R$ 1.511.915,59
  2. Iluminação Pública – R$ 267.000,00
  3. Instalações Complementares – R$ 4.000.000,00.

Me chamou atenção a seriedade destes números, ao ponto de serem transparentes até nos 59 centavos incluídos nos gastos com as obras de infraestrutura relacionadas na tabela. Mas achei estranho é a falta de clareza nos  4 milhões vinculados ao que chamam de Instalações complementares. A que se devem referir estes custos complementares que são o dobro dos custos das obras, aparentemente principais, que foram as de infraestrutura e  iluminação pública?
Me deu um nó!
Mas vamos esperar pela revitalização da Praça, como comprometido... não sei bem quem se comprometeu, mas alguém foi. Está lá no painel... embora para esta revitalização não sejam apresentados quais os custos para a mesma. Se calhar são as tais Instalações complementares... ou vem aí, de novo, um número de cifrões ainda maior? E de quem será a conta?
De qualquer forma, vamos reforçar aqui o checklist dos compromissos com os usuários da Praça Afonso Botelho:
  • Piso que compõe concreto com petit pavê, garantindo acessibilidade e preservando a memória da praça.
  • Nova pista de skate.
  • Playground com área de estar.
  • Nova pista de caminhada.
  • Decks de madeira para serem utilizados como área de permanência ou atividades diversas.
  • Edificação de aproximadamente 1.100 m2 que abrigará sanitários públicos, sala de ginástica, vestiários e escritório administrativo.
  • Quadra poliesportiva em concreto.
  • Quadra de futebol de areia.
  • Quadras de vôlei de praia.
  • Academia ao ar livre.
  • Espaço multiuso na concha acústica.
  • Permanência do módulo policial existente.

Vamos acompanhar tentando conhecer o custo também complementar com esta revitalização, o cronograma da mesma, como depois comprovar a qualidade das obras. Neste último tópico, que venha a ser superior ao padrão FIFA das obras que vimos até então. A impressão que tenho é que quando caírem umas chuvas o resultado será similar ao de uma maquiagem sobre um rosto suado.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Torcer pela Seleção...


Esta é a capa que venho usando nos últimos dias no meu Facebook. Pretendo mantê-la por um bom período, inclusive após o término do evento.
Sou um torcedor do futebol brasileiro, e não deixarei de torcer pela Seleção Canarinha. No entanto, sou um grande torcedor para que as incompetências na organização sejam claramente identificadas, independente dos motivos das mesmas. Seja porque se colocou gente desqualificada para gerir a organização de um evento deste porte, seja porque tivemos gente desonesta e aproveitadora desviando verbas para proveito próprio.
Os próprios jogadores selecionados, e comissão técnica, deveriam comprar esta bandeira. Se torcemos pelo sucesso destes, estes deveriam torcer pelo esclarecimento de tanta bandalheira estruturada em cima da competência esportiva deste grupo, trazendo prejuízos enormes para o país e população que os projeta neste milionário negócio que virou o futebol mundial.
Que venha o hexa e a *CPI com apoio dos integrantes da Seleção!


E que o Brasil dê um show na recepção aos turistas que por aqui pousarem. Se não através da infraestrutura que deveria ser esperada, que seja na simpatia e apoio ao turista.


*CPI - Comissão Parlamentar de Inquérito

sábado, 3 de maio de 2014

Em quem apostar para as próximas eleições presidenciais brasileiras?

Novo jargão das lideranças do PT, incluindo nelas o Lula e a Dilma:



“Não é possível agente aceitar gratuitamente que a elite brasileira tente destruir a imagem da empresa que durante tantos anos é motivo de orgulho do nosso povo, que é a Petrobrás.”

A habilidade de tentar envolver emocionalmente o povo brasileiro do Lula é imensa e está fazendo escola. Não vi até então ninguém atacar ou deixar de ter orgulho pelo o que a Petrobrás representa para o Brasil. O que venho vendo é atacarem os gestores dos últimos anos desta imensa empresa, que se não fosse tão sólida já haveria ter quebrado economicamente. Se a própria Presidente Dilma já assumiu em discurso que na negociata da Refinaria de Pasadena houve grandes prejuízos, a quem devemos questionar? Quem já foi apresentado, pela administração federal, como sendo os responsáveis por tal buraco criado nas contas desta orgulhosamente brasileira Petrobrás?

Não adianta o Lula, ao discursar no Encontro Nacional do PT, dizer que “se alguém, entre nós, cometer um erro, tem que ser punido.” Não adianta ficar no discurso. Há que mostrar por ações, e não só quando estamos em vésperas de campanha presidenciais, temendo os efeitos aceleradores da queda da Dilma nas pesquisas, jogarem aos leões o deputado federal do PT, sr. André Vargas, pelas evidentes ligações com o doleiro Alberto Youssef. 

Não adianta quererem criar a imagem do Presidente do STF, Joaquim Barbosa, como sendo o inimigo número um do país, quando este não foi o único a julgar o Mensalão, nem mesmo a definir sozinho as penas dos julgados e considerados culpados pela maioria dos juízes que compõem o colegiado do STF. Não adianta responsabilizar este por possíveis consequências trágicas em relação ao estado de saúde do Genoíno, se quem o avaliou foi uma junta médica que fez um laudo onde diz que a sua doença está estabilizada e sem risco de vida eminente. Ele, Barbosa, em cima do laudo apenas fez valer a lei e como tal o Genoíno teve que voltar à prisão no regime semiaberto. Se alguém deve ser responsabilizado, se vier acontecer o pior, não é o Barbosa, mas sim a junta medica que emitiu o laudo. O Barbosa só fez o seu papel, que é de fazer cumprir a pena. Não se trata de um novo julgamento.

Estive ouvindo alguns dos discursos deste encontro Nacional do PT, e em alguns momentos me emocionei por reviver um PT da década de 80. Porém, acabaram por me reforçar, algumas das passagens dos discursos, incluindo parte dos do Lula e da Dilma, como o PT está frágil. Como está o PT na defensiva!!! 

E quando se discursa na defensiva, argumentos de cristal são sonorizados. Não são apenas argumentos vazios. São argumentos incongruentes, incompatíveis com o que muito vimos vendo nestes últimos anos. Tipo faça o que eu digo, não faça o que eu faço.

O Lula ataca a elite, sem deixar claro quem é ela. Não haverão de ser, por exemplo, os grandes empresários que pagam altos valores pelas suas palestras. Não deverão ser os gestores da Petrobrás, que não são com certeza operários das fábricas que ele diz nunca ter ouvido falar terem tido labirintite. Que labirintite é coisa de classe média, diz ele como forma figurativa para dizer que é a essa classe a quem pertence, referindo-se ao internamento porque passou a semana passada em consequência de uma crise... Estou para saber quem da classe média brasileira é internado no Hospital Sírio Libanês por causa de uma crise de labirintite. 

Não seria correto da minha parte dizer que não gostei nada do que ouvi, e que não tenha concordado com algumas das afirmações, como os resultados efetivos dos programas sociais, como o nível de emprego nunca visto nas últimas décadas. Gostei especialmente de uma passagem pela humildade no discurso do Lula, quando assume que esta campanha não será fácil para o PT. Que fala na necessidade de retrabalhar a imagem do Partido, que fala de se construir uma nova utopia para o jovem brasileiro. Agora precisamos aguardar quais as efetivas ações que o PT, com a participação direta do Lula, terá para buscarmos um novo sonho, para se batalhar por um novo PT, um PT mais próximo do que foi na década de 80.

Eu tenho decidido. Não ser a minha torcida que isto venha a ser testado e avaliado com mais um mandato do PT na presidência. A relação de nomes para quem eu não vou torcer para estas eleições já a tenho feita, e dentro dela está qualquer candidato deste PT frágil e na defensiva.

Agora me falta uma outra difícil tarefa; a de concluir quem será o meu candidato, já que dois nomes que me conquistariam não aparecem nesta lista.


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Abaixo o acesso ao link do vídeo do Encontro Nacional do PT realizado em São Paulo neste último dia 02 de Maio de 2014:

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Moçambique - Comunicado de Imprensa da UNAC


Fazem 21 anos que Moçambique havia conquistado a paz depois de décadas de guerra; antes contra o colonizador e depois numa guerra, também *burra, pela luta do poder. Digo havia conquistado pois hoje montam o circo para que se jogue tudo a perder. E de novo a bucha de canhão é a população mais sofrida do país. 

Tenho recebido regularmente Comunicados da organização UNAC – União Nacional de Camponeses. Ainda que em alguns temas específicos tenha eu eventualmente uma visão diferente, como por exemplo em alternativas de investimentos internacionais na agricultura de Moçambique, a UNAC vem me cativando pela forma séria que trata dos interesses dos camponeses moçambicanos.
Dois ou três dias atrás recebi por e.mail um Comunicado de Imprensa onde a UNAC reivindica o imediato cessar fogo entre forças do governo, diga-se Frelimo, e Renamo, um dito partido de oposição a este governo.
Penso que o que está dito neste comunicado é o anseio da grande maioria dos Moçambicanos e de quem ama Moçambique, especialmente quando entendemos a abordagem da UNAC. 
Se a agricultura moçambicana já é frágil, deixando a economia do país tão frágil quanto, deixar que dois elefantes birrentos lutem sobre a machamba alheia é querer de fato destruir definitivamente com a Nação. 

*1 Tenho toda a guerra como sendo burra.

Segue o comunicado em questão...




Comunicado de Imprensa
Os Impactos da Situação Politica e Militar no Desenvolvimento da Agricultura
em Moçambique


(Maputo, 13 de Fevereiro de 2014) - A União Nacional de Camponeses (UNAC), movimento de camponeses de Moçambique que luta pela defesa dos direitos sociais, económicos e culturais dos camponeses, manifesta profunda indignação e repúdio contra as mortes, assassinatos e deslocação de milhares de seus companheiros e concidadãos provocadas pela crescente deterioração e agravamento da situação politica e militar. Solidariza-se, igualmente, com todos os camponeses e camponesas, famílias e cidadãos vítimas desta conflituosa e perigosa situação com a qual nos confrontamos 21 anos depois de termos alcançado a Paz, fruto do diálogo, entendimento, reconciliação e espírito de humanidade e fraternidade entre os moçambicanos outrora desavindos.

A crise da Paz, que prevalece em Moçambique, intensificou-se a partir de Abril de 2013, provocando a emergência de uma tensão politica e militar que atingiu proporções alarmantes e profundamente ameaçadoras do processo de reconciliação, consolidação e aprofundamento do Estado de Direito Democrático instaurado no Pais há mais de 20 anos com o fim da chamada “guerra de 16 anos”. O Pais tem enfrentado diversos impactos negativos desta crise, especialmente para pessoas que vivem nas comunidades, Distritos e Províncias de maior confrontação militar e bélica. Centenas de milhares de famílias camponesas incluindo crianças, mulheres e pessoas com necessidades especiais foram forçadas a deixar suas casas, perdendo muitos bens e fontes de subsistência.

Muitos sectores da sociedade moçambicana incluindo intelectuais, activistas, organizações religiosas e da sociedade civil e cidadãos comuns, confrontados pelo ambiente de retorno à guerra, têm alertado para os brutais impactos sobre a estabilidade política e social do País, apelando com urgência para o restabelecimento do clima de paz, democracia e desenvolvimento e respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais. Os constantes ataques e confrontos militares entre supostos homens armados da Renamo e as Forças Armadas de Defesa de Moçambique, incluindo Agentes de Segurança e da Força de Intervenção Rápida, com maior incidência nas zonas rurais onde reside maior parte da população moçambicana, têm causado graves e conhecidas consequências sociais e económicas com particular destaque para os sectores da agricultura, educação, saúde, transporte e comércio.

Os efeitos políticos, económicos e sociais mais perversos da actual crise política e militar incidem-se sobretudo nos distritos de Machanga, Chibabava, Maringué, Gorongosa, Nhamatanda e Dondo em Sofala; Moatize em Tete; Macossa em Manica; Rapale e Mecuburi em Nampula; Homoine, Funhalouro e Vilanculos em Inhambane. Muitas famílias e cidadãos residentes nestes distritos encontram-se deslocados e ostentando o estatuto de “refugiados internos” de guerra que lhes é negado pelas autoridades governamentais e estatais nacionais e internacionais.

Dados na posse da UNAC revelam que existem, em todo o País, mais de 16 milhões de camponeses, os quais dependem e vivem, maioritariamente, dos resultados da produção agrícola por eles desenvolvida. Os efeitos resultantes desta tensão politica e militar ameaçam comprometer, seriamente, a campanha agrícola 2013/2014 lançada por sua excelência Presidente da República, Armando Guebuza, no dia 08 de Novembro de 2013 último, na cidade de Xai-Xai, Província de Gaza, pondo em causa os objectivos da presente época, previstos no Plano Económico e Social de 2014 além de perigar a soberania alimentar dos moçambicanos.

Projecções do Plano Económico e Social-PES 2014 do Governo de Moçambique apontam para um crescimento de 7,1% na produção agrícola global, prevendo-se que a produção de cereais seja cerca de 2.3 milhões de toneladas, com destaque para o milho contribuindo com 1.679 mil toneladas e 362 mil toneladas de arroz. Mais de 90% da produção alimentar nacional é assegurada por camponeses e camponesas, por sinal, os mais afectados pela guerra que assola o País. Caso esta situação persista até ao mês de Março deste ano, prevê-se um impacto brutalmente negativo para a presente campanha agrícola, com maior incidência na província de Sofala.

A Província de Sofala, a mais fustigada pelo conflito, segundo dados do Governo Provincial, na campanha 2012/2013 produziu cerca de 1.789.010 toneladas de culturas diversas, com uma produtividade média por hectare de 2.39 toneladas, representando um aumento em pouco mais de 20% comparativamente a campanha precedente (2010/2011). Os Distritos de Nhamatanda, Gorongosa, Marringué, Chibabava, Machanga e Dondo que contribuem com mais de 50% da produção global a nível daquela província, vêm a produção agrícola comprometida por causa do abandono das machambas e áreas de cultivo pelos camponeses, ou ainda devido ao cultivo limitado de áreas como resultado da incerteza, incluindo o não funcionamento dos serviços de apoio a produção.



Dados analisados pela UNAC apontam para existência de cerca de 345.000 camponeses e camponesas atingidos, directa e indirectamente, pela guerra num total de cerca de 69.000 famílias, nos distritos de Machanga, Chibabava, Maringué, Gorongosa, Nhamatanda e Dondo em Sofala; Moatize em Tete; Macossa em Manica; Rapale e Mecuburi em Nampula; Homoine, Funhalouro e Vilanculos em Inhambane. Estes dados referem-se às famílias refugiadas e as que enfrentam condicionalismos de circulação e segurança, impostos pelo clima de guerra, para desenvolver a actividade agrícola.

Relatos populares e de fontes credíveis confirmam casos de intimidação e perseguição de camponeses e camponesas por ambas as partes. Camponeses em pleno exercício de suas actividades têm sido confundidos de pertencer ou colaborar com uma das partes do conflito, alegadamente por continuarem a viver em áreas de conflito. Os Distritos de Gorongosa e Chibabava, por exemplo, têm registado muitos casos desta natureza. Por outro lado, muitos camponeses e camponesas têm sido deslocados e alojados em centros de acomodação precários, sem mínimas condições de habitação, água potável e frequentemente passando fome.

A prevalência do especto de guerra e consequente violação de direitos tais como: o direito à vida, o direito à habitação condigna, o direito à alimentação adequada, o direito ao trabalho digno, o direito à liberdade de circulação e de viver em qualquer parte do Pais contrasta com a recente posição dos chefes de Estado e de Governo africanos de adoptar a agricultura como uma prioridade da agenda continental, assumida durante a realização da 22ª Cimeira da União Africana, entre os dias 30 e 31 de Janeiro de 2014 em Adis Abeba – Etiópia.

Aliás, este posicionamento e aparente reconhecimento público da agenda da agricultura pelos líderes africanos somente fará sentido se o clima de Paz prevalecer em Moçambique, em África e no Mundo de tal maneira que como País Africano possamos, finalmente, sonhar por uma eventual garantia no cumprimento integral e implementação prática da Declaração de Maputo de 2003, relativa ao compromisso de aumentar o orçamento para agricultura para níveis de dez porcento, a qual Moçambique subscreveu. Na esteira deste suspeito despertar para com o sector da agricultura destacamos também a decisão da Assembleia-Geral das Nações Unidas de declarar 2014 como Ano Internacional da Agricultura familiar, o que reforça cada vez mais a urgente necessidade da Paz que as famílias camponesas precisam para reafirmar a sua condição camponesa e continuar a assumir os seus compromissos imprescindíveis com o Povo, pautando sempre pelo espírito de reconciliação nacional.

Neste momento crítico, de medo e de terror que paira no seio das famílias camponesas espalhadas por todo o País, nós, camponeses e camponesas entre a liderança, membros e todos os militantes da União Nacional de Camponeses, reiteramos nossa solidariedade e apoio total e incondicional aos companheiros e companheiras, que, com coragem e determinação, têm acolhido nas uniões distritais e em suas casas os companheiros refugiados. Igualmente, reafirmamos o nosso compromisso inalienável com a agricultura camponesa e engajamento na luta pela realização dos direitos constitucionais de defesa à vida. Continuamos firmes na nossa luta, orientados e em total acordo com o preceito constitucional segundo o qual a agricultura é a base de desenvolvimento do nosso País.

Os camponeses e as camponesas exigem às partes beligerantes a cessação, imediata, das hostilidades, abandonando a via armada, como única alternativa para resolução das divergências em disputa. É imperioso o fim de todos os ataques e confrontos militares que em nada contribuem para o desenvolvimento de agricultura camponesa e soberana muito menos no bem-estar social dos Moçambicanos e Moçambicanas. De igual modo instamos às partes para que reestabeleçam o mais urgente possível mecanismos mais alargados, inclusívos e efectivos de diálogo transparente e democrático.

“De enxada na mão e com os pés firmes na terra sonhamos por um Moçambique viável e melhor, onde todos possamos sentir-se filhos e filhas de camponeses e camponesas desta terra pela qual lutamos e libertamos”!

UNAC

Camponeses Unidos Sempre Venceremos!
Maputo, 13 de Fevereiro de 2014

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

História de Moçambique através de anúncios da década de 60 (4)

E a história continua... através dos anúncios da "Voz de Moçambique". Em Abril e Maio de 1963.



















Série 3 

Série 4 (Atual)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

90 minutos de Chimoio - Década de 70

Após uma curta temporada no Brasil, pouco mais do que 2 ou 3 meses em 1972, voltamos a Moçambique agora sem a companhia e proteção do Pai que se mandou para outras dimensões sem aviso prévio.
Nasci em Maputo, mas passei os meus primeiros anos de vida na Beira. A nossa primeira casa nesta cidade era na Ponta Gea e em um pulo estávamos no ATCM para ver largadas de etapas de rallys, entre outros eventos automobilísticos. Ali, como qualquer criança, criava o meus ídolos. Projetava o meu futuro igual àqueles que dominavam ali as baratas, com roncos mais sonoros que qualquer rugido dos leões mais poderosos da Gorongosa.
O “S” de Sena e o “F” de Fittipaldi eram naqueles tempos o “S” de Serras Pires e “F” de Feijão. Serras Pires era para mim sinônimo de corredor, não me importava a idade dos membros desta família. Ir à praia do Inhangau e parar a meio caminho no charmoso Mini Gurué dos Serras Pires não era só diversão. Era o orgulho infantil de compartilhar do ambiente da família de corredores. Era história para contar na segunda feira na Escola do Macúti. Eram os Serras Pires e os caranguejos gigantes que caçávamos na Praia do Inhangau.

Mas falava eu que havíamos voltado a Moçambique, em 1972. Desta vez nem Lourenço Marques, atual Maputo, nem Beira. Depois de um ano letivo no Zónué, perto de Vila Manica, onde vivi e estudei acarinhado pelos tios Moreira de Carvalho (Tio Manel e Izabel e Tio Zé e Augusta), fui ao encontro da minha Mãe e irmãos em Vila Pery. E para não ter tantas saudades da Beira, aparece a turma de corredores na cidade para disputarem os 90 minutos de Chimoio e antes da corrida fazem uma etapa de controle de habilidade e tempo. Nunca havia esquecido esse dia, e para minha felicidade o muito querido Tio Zé, e filhos, têm registrado umas poucas imagens desta etapa em 8mm. 
Cliquem abaixo...



sábado, 11 de janeiro de 2014

Visita a Moçambique - 4a. Parte


Para fechar o domingo.


9 de Maio de 2012 às 11:47


Depois de um cafezinho bom e quentinho, voltamos a subir a marginal e vieram nos trazer ao Hotel Hoyo Hoyo. A Maria deixou-nos para ir atender outro compromisso, mas a Teresinha ficou a nos dar apoio. Fez questão de vir ver se os quartos eram os que havia reservado. Pela desenvoltura dela no hotel e no relacionamento com os funcionários fiquei a pensar se ela está na profissão certa. Parece-me uma verdadeira operadora de turismo ou de uma agência especializada em dar apoio a pessoas que vêm a Moçambique, a turismo ou a trabalho.


O Hoyo Hoyo é um residencial simples, limpo e com um restaurante de comida goesa. Boa comida goesa. Já fui me imaginando naquele primeiro fim de tarde comendo umas chamuças e a tomar uma cervejinha. Afinal ainda era domingo!

O quarto pequeno, mas aconchegante. Uma varandinha que dá para a traseira do hotel onde se vê um jardim bem tropical.

A Teresinha alerta que já passavam do meio dia. Não tinha apetite, talvez pela adrenalina, pelo excitamento com o que já tinha visto nas poucas horas que desfrutava de Maputo e suas gentes. Ouvi também do Marcos não estar com fome para almoçar logo... pois, não era bem a adrenalina que me tirava a fome. É que para nós eram um pouco mais do que as sete da manhã do Brasil. Mas estávamos em Maputo e acompanhados pela Teresa que não tinha nada com isso. O fuso aqui lhe pertence e nem me atrevi a lembrar-lhe o nosso. Ela propõe almoçarmos no Piripiri. Magicamente me bateu a fome! Pensei cá comigo: Essa foi um golpe de mestre da prima! Uma galinha do Piripiri!!!

Seguimos para lá e depois de atravessarmos a antiga Pinheiro Chagas, agora Eduardo Mondlane, fomos por ela por dois quarteirões até à Av. Julius Nyerere onde se vê logo o prédio onde fica instalada a Embaixada de Portugal que próximo, à sua esquerda, fica o Xenon. Chegando à Julius Nyerere vamos à direita até à esquina da 24 de Julho onde entramos de novo à direita e chegamos ao Piripiri.

Foi o primeiro momento que me faltaram joelhos... tipo as pernas dobrarem por falta de fixação. Sensação esquisita. Talvez tivesse mesmo há muito tempo a guardar a vontade de comer uma galinha do Piripiri. Só consigo explicar dessa forma. Depois peço a umas amigas curitibanas e freudianas para me ajudarem a entender isso. Parei realmente para refletir no momento que estava passando. Tipo filme com um nome “O retorno”. Vivi e vivo um filme... eu estou num filme!

Como a educação manda, e naquele momento ajudava-me a fazer as coisas devagar, deixei a Teresinha e o Marcos entrarem na frente e passo em seguida para o lado de dentro do restaurante. Na primeira mesa que visualizei estava um super simpático casal e reparei que o senhor fez algum comentário com a esposa, tipo é o Zé Paulo. Um raio de memória atualizada me fez perceber que estava de frente de um antigo vizinho de quarteirão no Macúti, na Beira! A reação foi de um automático abraço. Era o Tonecas! O Tonecas!!! Tenho falado tanto com a Manecas e ela me havia mandado uma mensagem pelo Face dizendo para eu o procurar. Só fui ler essa mensagem depois de o ter encontrado. Era o Tonecas, sem marcarmos, no primeiro lugar que entrei e já reencontro um antigo vizinho da Beira em Lourenço Marques... em Maputo, melhor dizendo. Juntamos mesas e almoçamos prazerosamente em um bom papo. Boa conversa que acabou por ser fonte, através do Pedro, o antigo Tonecas, e da Teresinha, de visões sobre o Moçambique atual que nos são importantes, mesmo que aparentemente subjetivas, para nos ajudarem nas avaliações que viemos aqui fazer.

O casal Nogueira já havia feito o seu pedido. Nós pedimos, claro, uma galinha do Piri-Piri...sem piri-piri... Trouxeram agora o piri-piri. Dois! Um verdinho e outro vermelhinho. O verdinho quentinho e super gostoso, e o vermelhinho super quente, como dizem os baianos no Brasil. Uau! A galinha ficou mesmo à Piri-Piri. Boa como nunca! Cerveja 2M tirada na máquina e servido no fininho, ou seja, o chopp na tulipa super gelado!

O preço da galinha para os três foi de 600,00 meticais, mais a cerveja e refrigerante. Algo em torno de 40 reais. Barato para os padrões brasileiros. Bom para apreciadores de galinha ao Piri-Piri.

Será que começou bem a semana em Moçambique? Só não pensem que me esqueci daquele fim de tarde tomando uma cerveja e comendo chamuças. Começamos por uma Laurentina, depois veio a Manica e por fim a 2M, mas não mais tirada na máquina no fininho. Todas elas muito boas, mas a Manica, tanto para o meu paladar como para o do Marcos, é a mais redonda. Pelo menos antes de ultrapassarmos as duas primeiras porque depois a gelada é sempre a melhor.


Vamos agora é tentar dormir, que amanhã temos agenda a cumprir...