quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A Beira, por Alberto Feliciano Marques Pereira

A Beira foi uma cidade que meu viu jogar ao berlinde nas covas feitas nas ruas de terra batida do Macúti. Entre a Ponta Gea e o Macúti vivi intensamente a minha infância entre os 5 e 12 anos, de 1965 e 1972 e passei a me entender como beirense ainda que tivesse nascido na capital Lourenço Marques. Se às vezes a traí, só pela Vila Pery quando por lá morei de 72 a 75.
Todos os outros lugares por onde passei por Moçambique foram sempre amores momentâneos. As paixões ficaram de fato pelas praias da Beira e depois mais tarde pelo Pôr do Sol do Chimoio.
Sabemos que todas as histórias têm passagens mais e menos bonitas, e a da Beira não haveria de ser diferente. A visão do Alberto Feliciano Marques Pereira, em 1966, pelo livro “A Arte em Moçambique”, foi-nos contada assim:



terça-feira, 9 de novembro de 2010

Lula viaja para Moçambique para inaugurar fábrica de medicamentos à Aids

Lula em  Moçambique, 09/11/2010
Origem: Site do MSN

Clonei o título deste post - melhor do que dizer que plagiei - de um artigo do site da "Folha", onde em pequena nota fala do objetivo da visita do Lula a Moçambique.
De imediato me lembrei de algo que escrevi a 25 de Março deste ano aqui na Lanterna Acesa sobre o tal investimento brasileiro em terras moçambicanas. O fiz incentivado por um artigo escrito pelo Machado da Graça, um respeitado jornalista do país que recebe o Lula como visitante para cortar faixas.
Dizia então o Machado da Graça que a a tal fábrica de remédios era de fato uma fábrica para embalar medicamentos para a AIDS (SIDA) e que os comprimidos eram enviados do Brasil.  Ou seja, que a tal transferencia de tecnologia ficava pelo investimento na estamparia em uma qualquer gráfica, que haverá de ter dono, e pelo que eu entendo agora também parte dos tais 13 milhões de reais para uma linha de empacotamento de comprimidos.
Será que o Machado da Graça e outros, como eu, estarão enganados e que o Brasil estará de fato passando a tecnologia na fabricação destes remédios e não apenas na embalagem dos mesmos?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A Arte em Moçambique

Fazem uns 3 a 4 anos atrás, ou até talvez um pouco mais, que encontrei em um sebo aqui em Curitiba uma bela edição, relativamente bem conservada, da “A Arte em Moçambique”, de Alberto Feliciano Marques Pereira, editado em 1966.

Um material vasto e de muito interesse que vai da arte rupestre à arquitetura militar, da arte religiosa do Séc. XVII a XIX à escultura, prosa e poesia moçambicana.

Tão interessante quanto é ler já na abertura algo dito por Costa Almeida, como “É preciso conhecer o Ultramar para se ter uma idéia exata da verdadeira grandeza do nosso País”, e depois ler um texto de Fernando Couto. Ler algo de Dom Custódio Alvim Pereira, Arcebispo da então Lourenço Marques, como: " Mas estes, digo-o com orgulho, são a glória e a coroa de quantos trabalhamos nestas terras da África Oriental, por Deus e pela Pátria e depois lemos da poesia de Noêmia de Sousa: “Quero te compreender, minha África, Quero penetrar-te, sonhar contigo, descobrir-te nua e verdadeira, sofrer os teus desalentos, esperar contigo, sempre contigo! Porque só assim merecerei viver...”.

Sem prazos e sem compromissos, tentarei aqui no andar dos dias indo colocando, em formato de imagem, umas e outras páginas com textos e imagens registradas neste interessante registro sobre a “A Arte em Moçambique” vista em tempos que se tentava lidar com a imagem das Ultramarinas com valores regionais, mas sempre ligados à “Pátria”. Diz o Costa Almeida no texto que estarei colocando hoje, na íntegra, em formato de imagem: “ A facilidade e rapidez das suas comunicações com a Metrópole e com os territórios vizinhos, os numerosos visitantes nacionais e estrangeiros que chegam com freqüência cada vez maior, o súbito interesse de algumas nações estrangeiras por problemas que só a nós dizem respeito, tudo tem contribuído para que o Ultramar passasse para a primeira linha das certezas e Moçambique seja uma das mais promissoras parcelas do mundo português.”





* Clique com o mouse sobre as imagens para as aumentar de tamanho e se necessário ajuste o zoom para melhor leitura.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Será verdade?

Por muito tempo fui fã do Luis Inácio Lula da Silva e das conquistas do seu governo, respaldadas muitas delas pelo bom trabalho do governo anterior, mas o seu comportamento dos últimos meses, principalmente a partir da confirmação da sua candidata para o substituir, candidata esta que que atendeu a sua necessidade de ser seu próprio cabo eleitoral.
A escolha de um(a) candidato(a) desconhecida atendeu totalmente essa estratégia. Ninguém vota numa desconhecida mas vota em mim.
E no final tenho que aceitar que conseguiu atingir o seu objetivo, e confirmar que o seu nome tem de fato uma grande penetração junto ao povo brasileiro. Afinal, se não se confirmou que os badalados 80% da população brasileira vendo o seu governo como sendo bom ou muito bom tenha votado maciçamente na sua desconhecida mas à sua semelhança, conseguiu que 55% dos eleitores apostassem na sua candidata, ainda que 45% não tenham comprado essa idéia.
Parece que isto foi o bastante para que o Lula confirmasse uma promessa...promessa que vejo ser mais para  a sua vaidade do que para terceiros; vai registrar em cartório o que acredita serem conquistas do seu governo. Para isso já alocou um responsável em cada um dos Ministérios para fazer algo como um inventário catologando conquistas, números e obras em andamento.
Agora a população através dos seus impostos também tem que pagar esta conta.

Adenda: Mais informações, aqui!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

gaudium et spes, o espaço do Dr. Carlos Adrião Rodrigues

Eu sou reconhecidamente, por mim e por pessoas chegadas a mim, um tanto distraído. Tão distraído que nunca tinha me apercebido que o renomado advogado luso-moçambicano Dr. Carlos Adrião Rodrigues tem o seu espaço na blogosfera, ainda que não escrevendo com a freqüência que agora eu gostaria que tivesse.

Abaixo coloco uns retalhos de um dos post’s do seu blogue “gaudium et spes”. Selecionei meia dúzia de parágrafos para dar uma idéia da importância de um dos seus textos, intitulado "História do Zeca Russo ou o assassinato de chefe de policia”. A história começa no ambiente do Moçambique colônia e acaba no Moçambique independente.

Não indico que leiam os parágrafos salteados que aqui coloco, mas sim que cliquem com o mouse sobre qualquer parte destes parágrafos para migrarem imediatamente para a integra do texto no blogue do autor, até porque lá poderão ler ouros textos tão interessantes quanto este.

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O Zeca Russo foi uma figura mítica na Lourenço Marques colonial. Filho ou sobrinho da moça das docas, figura que povoava os primeiros poemas do poeta Virgílio de Lemos, era jovem, bem parecido, simpático no trato mas cedo se começou a meter pelos trilhos do pequeno crime. Um furto aqui, uma burla acolá, adquiriu também a fama de ser uma espécie de Zé do Telhado que roubava aos ricos para dar a pobres. Não seria bem assim, mas a verdade é que ajudava a mãe, pessoa pobre que o adorava e não fazia a menor ideia da origem do dinheiro que ele lhe dava. Ao mesmo tempo Zeca ajudava familiares e amigos também pobres, com pequenas importâncias, cuja posse atribuía sempre ao trabalho ou a pequenos negócios de ocasião. Segundo me contou a sua advogada, Ruth Garcez, nesta fase ele sempre teve a preocupação de disfarçar e justificar a origem dos fundos que doava a familiares e amigos pobres, de modo que estes tinham por ele grande estima.

Nessa altura, o nosso grupo (eu, o Eugénio Lisboa, o Rui Knopfli, o Fernando Magalhães, o Zé Craveirinha e outros) colaborávamos ( à borla ), na TRIBUNA cuja redacção era chefiada pelo Gouveia Lemos, que, esse, não trabalhava à borla mas se via à nora para receber o vencimento. A Tribuna era o jornal da oposição, tanto quanto a censura deixava, e funcionava democraticamente. Assim, perante tal boato, o Gouveia Lemos ouviu-me primeiro, como jurista do grupo.Eu expliquei-lhe que essa coisa de entrega administrativa de presos policia a policia de países diferentes não existia no nosso direito e que a sua prática podia transformar a detenção pela policia moçambicana em sequestro, o que seria grave A única medida admissível era a extradição,naquele caso inaplicável, porquanto o Tembe era português e o crime porque seria julgado na África do Sul era punido com pena de morte,contrátia à ordem jurídica portuguesa o que impedia a extradição..Portanto o boato merecia uma notícia desenvolvida ou mesmo um artigo de fundo.


O 25 de Abril, em Lourenço Marques, foi um pouco estranho.Logo de manhã, pelas 8 horas, uma parente minha que trabalhava na TAP, me telefonou avisando que algo tinha acontecido em Portugal. A partir daí, comecei a dar trabalhos forçados ao meu “ Nordmend world wide”, que apanhava tudo quanto era estação a transmitir em onda curta, enquanto deixava outro rádio ligado para a rádio local que se limitava a repetir o noticiário da noite anterior. Mas a EN,de Lisboa não deixava dúvidas, pois transmitia o comunicado do MFA, dando conta, sem pormenores, da revolução. A BBC e a France International davam mais pormenores, todavia escassos. De modo que quando às 10 horas, um militar ligado ao serviço de informações do exército me telefonou a perguntar se eu sabia se o golpe era do Kaulza ou do Spínola, foi com muito gozo que lhe respondi que era do MFA.


sábado, 9 de outubro de 2010

Carta para a família, comentando as eleições.

Em e.mail para algumas pessoas da minha família, onde adicionei alguns amigos especiais, comentei sobre as eleições o que reproduzo abaixo.

***
Querida Mana, família, e amigos especiais,


Vou então dar a minha visão sobre as fotos do tal e.mail, que anda rodando os e.mails brasileiros, e “entretantos”.
A Dilma pertenceu de fato a um grupo armado que lutou contra a ditadura militar brasileira. A correlação das fotos de vítimas à imagem da Dilma não passa disso. Não são elas vitimas de balas disparadas pela Dilma. O que se sabe, inclusive, é que ainda que a Dilma tenha pertencido a um grupo guerrilheiro na década de 70, nunca teria disparado uma arma. Usarem essas imagens para abater a candidata do PT chega a ser piada, ainda que de mau gosto.
Dizer que o Serra é um ditador é outra piada de mau gosto. O Serra sofreu tanto com a ditadura militar como tantos outros democráticos ou até mais do que alguns ditos mais à "esquerda". Teve que se exilar porque senão entraria dentro e naquela época ninguém sabia se depois saía.
Tu sabes como sempre fui, e sou, PT. Mas passei a ser muito mais o PT do Lula. O PT que teve a sabedoria de levar em frente um projeto econômico que nunca foi do PT há época de quando o mesmo tentou as primeiras vezes se eleger presidente, e sim que começou no governo Itamar Franco, goste eu ou não, quando tinha o Fernando Henrique como ministro. Ali se começou a costurar a grande virada da economia brasileira e depois, como presidente, o Fernando Henrique solidificou os trilhos a serem percorridos. Sou PT do Lula que criou, aí sim bem diferente do governo do PSDB, projetos como o Bolsa Família. Não me venham com a história que o que se tem é que criar empregos e não dar esmolas. Emprego não se gera, para todo mundo, de um dia para o outro. E em quanto não se tem emprego para uma família há que subsidiar, e não dar esmolas, para que haja um mínimo de condições de vida para os menos privilegiados e não olhá-los como se fossem animais na busca da sobrevivência. Sou PT do Lula que garante a liberdade de imprensa, ainda que ultrapasse alguns limites quando critica a imprensa de forma generalizada.
A minha grande frustraçãocomeça quando aparecem os escândalos de corrupção dentro do PT (não do Lula), e perceber um Lula acuado devido aos apoios políticos de que depende, e não se posicionar claramente contra estes atos. Ajuda a trabalhar para que tudo fique debaixo do tapete. Faz isso também por uma outra característica que começa a ficar evidente: a vaidade! Não manchem a imagem dos companheiros porque estarão manchando a minha. O Lula começa a mostrar que está ficando extremamente vaidoso, o que é diferente de orgulhoso. O vaidoso fica surdo, não ouve críticas. O vaidoso é perigoso porque quando fica excessivo, cria artimanhas para manter a sua imagem intacta e outras tantas para que seja ainda mais adorado.
Com esta minha preocupação com a vaidade do Lula, que se pode transformar perigosa, e ao tentar interpretar a candidata fabricada pelo PT a minha frustração sobre um projeto político de longo prazo e eficaz para este nosso Brasil dá uma soluçada.
É que de fato não gosto da Dilma. Alguém que faz cirurgias plásticas que não me parecem estar vinculadas à vaidade legitima de uma mulher. Foram cirurgias claramente direcionadas para ter uma imagem física (facial) que seja mais simpática a uma parte de ingênuos eleitores.
Tenho a convicção que como uma figura criada por um grupo que perdeu para os escândalos os seus principais candidatos ao cargo máximo dos brasileiros, terá a Dilma grandes dependências do PT que não gosto. Do PT do MST com perfil de guerrilha que a Dilma diz não aceitar hoje. Do PT que tem sim relações com as FARC que tanta gente mata na Colômbia e que luta, esse PT, para que saia este grupo da lista de grupos terroristas. É uma pena ver um movimento tão legitimo como o MST ser tão mal pilotado politicamente.
Tenho receio que esses pilotos tenham mais poder de manipulação com a Dilma do que têm até então do Lula com a sua própria personalidade. Tenho muito receio que esses pilotos tenham muito mais poder de persuasão junto à Dilma do que no futuro o Lula tenha sobre a mesma.
Por isso o meu voto "não é" da Dilma.
Ainda que com a sensação de um soluço, confio mais na sequência de um bom projeto político para o Brasil dando o meu voto para o Serra.

Beijos,

Zé Paulo



PV seja sempre PV

Por António Maria G. Lemos

Existe um texto correndo na internet que parece que foi escrito por um Professor de filosofia da UFES, autor dos livros Iara e a Arca da Filosofia, que não li. Digo “parece”, porque na NET-manipulada de hoje, há tanta coisa correndo em nome “de” que se ele ou ela soubessem, voltariam a morrer. Por isso deixemos o professor em paz, e vamos ao texto em si.

Confesso que achei o texto meio chorão e panfletário demais, principalmente se veio de um professor.

A minha opinião sobre que penso que a Marina vai fazer, ela e o partido PV, é o de optarem pela neutralidade e deixar que os eleitores que os apoiaram no primeiro turno escolham por si próprios. Os religiosos que a apoiaram, - espero que a turma do Bispo Macedo & Cia não esteja por trás dela, que é dos poucos "poréns" que eu teria a apresentar à candidatura dela - não vão com o "pragmatismo religioso do PT", que convida a Líbia e o Iran, e faz pressão para a seleção canarinha ir fazer política em Teerã. E por isso, creio que eles não vão querer apoiar o PT.

Por outro lado o professor coloca no seu texto, a sigla PSDB/DEM, como se isso representasse que o PSDB iria fazer concessões ao DEM que passassem da linha do partido do PSDB. Como se havendo a sigla PT/PV realmente significasse que o PT agora iria fazer o que realmente não fez nos últimos dois mandatos no poder. Balancear os interesses e prioridades econômicas com as da natureza.

Das poucas coisas que poderia repreender no governo PT, seria a sua política externa de um cinismo atroz, compactuando com ditaduras, quando eles mesmo sabem o que é sofrer debaixo de uma. O Amorim para se defender dessa acusação diz que é ingenuidade não ir por esse caminho, e o governo que não faz que jogue a primeira pedra. Um misto de pregão cristão com anarquia de valores, que nos leva a pensar que se é assim, porque não produzirmos cocaína também, e concorrermos no mercado da droga com o Afeganistão? Afinal sempre haverá quem não possa jogar uma pedra e prefira a Coca do que a Heróica.

Fora a alergia que tenho à política externa do PT baseada no "atire a primeira pedra que nós devolvemos pedregulho", foi no governo PT, e não no PSDB que o Brasil aceitou que os produtos agrícolas geneticamente modificados entrassem na agricultura do pão nosso de cada dia. Também comprovado por organizações não governamentais de respeito internacional, está provado que com o governo PT, a desmatação não só da floresta Amazônica, deu um pulo bem drástico. Claro que os mais populistas do PT dirão que isso são campanhas do USA. Vende-se bem esse argumento junto às populações menos informadas. Vide Chaves e Morales.

Comprovando assim que o PT, sem DEM, em termos de PV, desmatou mais do que o PSDB do governo do Fernando Henrique. Porque é que agora seria diferente com o PSDB/PV?

Conclusão, Marina não se deixe manipular nem por um nem por outro. Você sempre mostrou saber reconhecer os prós e contras dos governos Lula e Fernando Henrique Cardoso. Quem é informado e não burlado também sabe os passos que ambos deixaram calcados na História do Brasil . Por isso escolha com honestidade e conseqüência na interpretação dos valores e filosofia do seu partido, se quer ou não fazer aliança com PT, PMDB ou com ...o PQP. Mantenha-se fiel a si e ao partido e escolha o que achar melhor para o Brasil, que de política de auto-proclamação pessoal já existem excessivos exemplos na política, que o resto será História, que você e o PV estarão escrevendo.

Adenda:

PS. Depois de 3 mandatos de um partido no poder, mostra a História mundial, que a tendência é começar a enferrujar e a corromper. Por isso se der PT mais uma vez, nas próximas eleições serei a favor da mudança, como o fui, há 3 mandatos atrás.



terça-feira, 7 de setembro de 2010

Falso procurador...

Na cauda do PT do Lula sempre percebemos haver a banda podre. Tão podre que se enche de insegurança e acabam por adotar estratégias assustadoras.
Cada vez ficam mais fortes as evidências que mais este escândalo, o da quebra de sigilo de dados da Receita Federal referente a pessoas ligadas ao candidato tucano a presidente, está sim ligado a pessoas de uma das bandas podres do PT.
E queiram ou não queiram, a insegurança deve sim bater na porta de quem pensa em votar na Dilma do PT... de que banda?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Ainda as touradas...do João Tunes

A argumentação do Paulo Santiago para bater nos comentários dos anti-touradas no “post” do João Tunes, do Água Lisa, tem pontos interessantes que penso devem ser refletidos.

1- Começa por se mostrar, o Paulo Santiago, um apreciador das touradas, diferentemente dos comentadores anteriores, mas que democraticamente aceita quem não goste e até, cheio de bom senso, sem imposições das suas verdades. No entanto classifica de falso moralista um dos comentadores anteriores (eu?!), exatamente porque não pensa como ele;

2- Classifica de falso moralista porque esse comentador estaria levantando a questão que no pulo do boi para as arquibancadas quem leva a pior é uma criança de 10 anos levada, possivelmente, pelo seu pai. Tenta esclarecer que crianças também se machucam numa outra bancada qualquer, até mesmo em um cinema. Imagino a cena de um boi sendo atiçado e maltratado entrando por um cinema adentro, ou até mesmo um personagem de um filme, maltratado pelo inimigo, saltando da tela e sair ao estalo com o pessoal da platéia. Penso mesmo que o Paulo Santiago imagina ser saudável levar uma criança de 8 aninhos assistir o “Exorcista”...é que neste caso podemos mesmo dizer, ainda que simbolicamente, que algumas cenas saiam da tela e entrem nos pesadelos e inseguranças desta criança.

Aqui o Paulo Santiago não separa as causas de um possível pânico. Coloca tudo no mesmo tacho. Não deixa de ser uma forma de analisar, ainda que longe da “minha verdade”, ou melhor, da minha lógica de analisar um evento.

3- Defende o Paulo Santiago que quem não gosta de touradas, e aqui ele não aponta o dedo só para os falsos moralistas, se esquecem que os touros nascem e são criados para serem toureados, ou seja, para serem torturados, como se isso fosse um ponto positivo e não negativo. Bem, não deixa de ser uma forma de se ver o tema, ainda que longe de passar perto da “minha verdade”, ou seja, da minha lógica ao analisar um evento, neste caso o evento especifico “touradas”. É que não consigo ver algo como positivo como se criar e treinar cães que servirão apenas para um dia serem cães de briga...nem galos, nem qualquer outro animal irracional sendo induzido por ditos animais racionais a viverem para morrerem para divertir. Mas penso que esta “minha verdade” deve passar mesmo longe da verdade do Paulo Santiago. E neste caso tenho até receio que o Paulo Santiago passe a defender a minha verdade; não vá ele propor para se exterminar os pobres cães e galos, pelo menos o das raças que fisicamente melhor se adaptam ao estilo do “esporte” a serem envolvidos.

4- Diz também o Paulo Santiago que os anti-touradas esquecem-se da mesma forma que os toureiros travam uma luta leal e nobre com o boi (teimo em achar que é boi e não vaca, ainda que não castrado). Não conta ele é os detalhes dessa lealdade, como antes do tal “matador” contar com a estratégia de se fazer com que a força do boi se iguale ao mesmo. Neste caso igualar-se por baixo. Não detalha ele que depois da cornetada no “shofar” entram na arena um boi, aproximadamente três toureiros, mais de meia dúzia de banderileros com as suas leais lanças tendo na ponta uns doces arpões, um ou dois cavaleiros, os famosos picadores dos bois, e ainda mais uma meia dúzia de auxiliares de banderilleros e picadores. Todo este nobre grupo, em forças de igualdade com o boi, trabalham para que este animal de chifres canse, perca forças até jorrar sangue pela boca, e ofegante encare um leal e nobre matador para lhe dar o golpe final com a sua espada, real ou de mentirinha quando se adia a morte para a tal segunda-feira.

5- É que defende o Paulo Santiago que a tourada em Portugal, diferente da Espanha e outros lugares, não se consuma na morte do boi dentro da arena por herança do Salazar, com o seu espírito de falso moralista. Não é que aqui concordo inteiramente com o Paulo Santiago? Os defensores do Salazar realmente apregoam que a ditadura deste fenômeno não matou assim tanta gente e que só torturava um pessoal assim que meio avesso às suas verdades. Ou seja, que o Salazar no fundo era bom homem. É que parece que só matava os bravios e selvagens... os ditos que tinham uma visão radicalmente diferente da verdade dele...mas nunca aos domingos, por ser um dia santo...contam que esses bravos homens só levavam o golpe final às segundas!

5- E o fechamento do Paulo Santiago é triunfal. Parece mesmo que em pose de grande toureiro. Diz ele: “Terminando, só vai à tourada quem quer... Só acredito no moralismo dos anti-touradas quando passarem a ser vegetarianos...”.
Fico só na dúvida se o boi chegou lá pagando bilhete, como convidado ou como convocado.
Sim...mais uma dúvida! Será que o Paulo Santiago é conhecedor do que se trata de uma cadeia alimentar? Olha que neste caso não falo aqui da cadeia do Salazar. Falo da sequência de seres vivos alimentando-se uns dos outros.

Será que os leões também toureiam gazelas? Penso que não, afinal são irracionais.



* Foto roubada no Blog do CKO

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domingo, 8 de agosto de 2010

Cuidado com o prejuízo político!!!

Ex-tenistas brasileiros famosos reagiram fortemente contra uma colocação do Lula a um adolescente que questionava a não existência de tênis em um complexo desportivo no seu bairro. A revolta dos ex-tenistas tem sim razão de ser, mas não pode ficar limitada à colocação do Lula que qualificou o tênis como um esporte de burguês.
O adolescente, orientado ou não por terceiros, foi ao encontro do Lula quando este visitava um compelxo esportivo, em companhia do Governador do Rio, o senhor Sérgio Cabral. O adolescente filmou a sua conversa, mais discusão do que conversa, e registrou também os comentários entre o Lula e o Sérgio Cabral quando o primeiro, depois de ter indicado que o garoto adotasse a natação em vez do tênis de burguês, ouviu do adolescente que a população não tinha acesso à piscina.
O Lula, preocupado com o prejuízo politico com esta falta de acesso da população, orienta Cabral para que coloquem policiais ou bombeiros e deixem a população usfluir da piscina...tudo pelo prejuízo politico!!!
Mas pior do que as colocações do Lula, foi o comportamento do Cabral.
Vejam o video que roubei para aqui coloca-lo.


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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

65 anos

Em 06 de Agosto de 1945 houve um dos maiores crimes de guerra que se tem conhecimento.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

In memoriam

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Estes, de quatro patas, não têm a opção se não entrar na arena...como por exemplo têm os que lá os pôem e nem sobre patas andam!

domingo, 1 de agosto de 2010

Tourada é uma questão cultural? E... também é?

Ouvindo Francis Cabrel interpretando La Corrida, vou-me afastando de "más companhias".

Bastardo

No GP da Hungria deste domingo, diferente do GP anterior na Alemanha, “o bem venceu o mal”.

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Depois de vermos na semana passada uma ordem anti-desportiva fazer com que um Massa sem brios cedesse a primeira colocação ao chorão Alonso, vimos hoje uma grande ultrapassem de Rubens Barrichello sobre o Schumacher, quando este último, de forma irresponsável, o espremeu ao muro na tentativa de interromper o seu objetivo.
Logo após a ultrapassagem, pelo rádio com a equipe, Rubinho qualificou o ex-campeão de algo como “bastardo”.
Não deveria ser assim, talvez, mas gostei de ouvir tal desabafo, ainda mais vindo do Rubinho...e claro por se direcionar a (des)qualificação ao Schumacher que deve ser o maior ídolo comportamental de Fernando Alonso.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Gira discos


Fazem uns meses, havia comprado um Gradient Garrard para voltar a ouvir uns poucos LP's de vinil. Penso que perto de uns 70, não mais do que 80, de vários estilos. De Led Zeppelin a Louis Armstrong, de Caetano Veloso a Carlos do Carmo, e destaco uma coletânea muito especial do Zeca Afonso. Especial por ser do Zeca e por ter-me sido dada por um querido e saudoso amigo, o Quim Mancelos.
Pois não tive sorte com o tão desejado Garrard que com uma bela aparência, e teoricamente comprado de um vendedor de usados sério, não se deu a dar música para os meus ouvidos.
Primeiro tive uma tremenda dificuldade de comprar a agulha. Foi mesmo algo como procurar uma agulha no palheiro.
Na verdade quem a encontrou foi o meu irmão, a quem havia comentado a dificuldade que estava tendo e pedi-lhe que nas suas andanças, ao ver lojas direcionadas para equipamentos de som e discos, em especial as que trabalham com LP’s, fosse perguntando. O gajo é mesmo bom de palheiros e encontrou-me a peça rara. Apareceu-me, logo uns dois dias depois que havia-lhe feito o pedido, após o almoço lá no escritório e a me deu de presente. Já não consegui me concentrar durante a tarde toda. Já não me lembro bem que desculpa dei lá à turma, mas lembro-me bem que saí um pouco mais cedo que o normal.
Desde esse dia, que vivi uma grande alegria, vinha vivendo uma grande frustração...que cáca! Não deu música o Garrard e mesmo com todas as promessas do vendedor vir aqui a casa para o me arranjar, lá se passam uns bons mesitos.Tentei fazer de tudo por ele. Limpei os contatos o quanto basta, várias vezes, coloquei e recoloquei a agulha dezenas de vezes, olhava e olhava de novo todos os fios a ver se estava tudo ligado, media voltagem, rodava o prato com um LP, sempre na expectativa de um milagre. Som, só mesmo aquele que vem baixinho e metálico direto da agulha. Ainda que quase tivesse um orgasmo ao ouvir aquele ruído, nada de música para valer!...
Hoje, no meu horário de almoço, ao ir ao Mercado das Pulgas, pois haviam me dito que lá talvez arranja-se umas fitas para gravador de rolo – essa do gravador Teac vale uma outra história, mas essa só de alegrias – não obtive sucesso com o objetivo da visita.
Depois de ter aproveitado para explorar muita velharia boa, desde equipamentos de som antiqüíssimos, projetores de Super-8, de slides, mesas, cadeiras, aquecedores de água a gás do meu tempo de meninice, e tantas outras coisas boas de se ver e de sonhar em tê-las, ao despedir-me da senhora que me havia atendido e me deixado à vontade para fazer o tour pelo enorme galpão da Casa das Pulgas, apercebi-me que em uma prateleira descansava um “gira-discos” Kenwood P-58. Pareceu-me que havia também olhado para mim e cheguei mesmo a vê-lo a piscar-me um olho.
Fui lá olhá-lo com atenção. Um tanto empoeirado mas com boa aparência. E me chamou atenção que o cristal da agulha me parecia em muito bom estado. Será que teve pouco uso? Perguntei à senhora se o mesmo estava funcionando, e a resposta foi um tanto evasiva: “Penso que não”. Aquele penso que não, sem um tom definitivamente negativo deixou-me ainda mais enamorado. Perguntei agora quanto ele valia, e me informou que por R$ 70,00 podia o levar. Algo em torno de 40 dólares. Respondi-lhe que se me fizesse por R$ 50,00 (U$ 28,00) o levava. Ela aceitou a proposta... foi o bastante para o crime se consumar.
Paguei, meti-me no meu velho Fiat Spazio, ano 1984, e me mandei para o escritório. Tarde de reuniões...acabou passando rápido. Em um intervalo ainda fui visitá-lo à minha sala e liguei-o à tomada. Funcionou perfeitamente. Rodava o prato, e os comandos automáticos (!) a funcionarem perfeitamente...puts, agora esperar chegar a hora de me mandar para casa.
Cheguei em casa, fui dar a minha caminhada a pé com a minha mulher. Não tive coragem de inventar uma unha encravada para cancelarmos a caminhada de hoje...
No retorno, depois de fazermos o nosso lanche / jantar, fui montar o animal.
Perfeito!!! Som limpo, rotações perfeitas, tanto nas 33 como nas 45 rotações.
O primeiro LP a rodar foi Machine Head do Deep Purple, que se vê de relance na foto que acompanha este post, comprado em 1977, em Campina Grande, Paraíba, quando eu tinha os meus 16 anos, de idade. Quando comecei a escrever isto, com algumas pausas para apreciar mais atentamente a música, rodava um dos grandes de todos os tempos, Louis Amstrong, Hello Dolly, uma herança do meu Pai que foi um dos poucos que veio conosco de Moçambique em 1975. Ouvi isto muito na Beira, e depois em Vila Pery, entre os meus 8 anos de idade aos 14.
Agora, já quase vos dando boa noite, para que possam ir descansar, ouço o LP A Trick of the Tail, do Genessis.. Esse comprado no Rio de Janeiro em 1976, antes de ter-me mudado para o nordeste brasileiro. Tempos de Aterro do Flamengo, grandes tempos cariocas!!!
Mas agora aqui do sul do Brasil, Curitiba, vos dou boa noite. Descansem bem...eu vou ficar mais um pouco... vou colocar a vaquinha do Pink Floid a pastar (Atom heart mother).
Fiquem bem!

Ah! Para os curiosos, a fita que está no gravador da foto é a "Big Band Hits of the 30's and 40's.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Revista Índico - LAM


A nova Índico, revista da LAM, Linhas Aéreas de Moçambique, foi-me dada a conhecer aqui...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Máquina Ligada

Criei hoje um novo espaço, a qual dei o nome de "Máquina Ligada", para dali compartilhar com os leitores da "Lanterna Acesa" algumas fotos clicadas por mim e por outras pessoas a quem estarei convidadno para ali colocar o que por aí andam registrando.
Já aproveito para formalizar o convite ao meu irmão António Maria, craque na arte de fotografar, para nos presentear com algumas das sua clicadas.

Vá até lá  por este link...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Mais Velho X Mais Novo



Retalhos da crónica “As 3 gerações” de Machado da Graça

(...) Segundo esta teoria houve, na História do Moçambique livre, 3 gerações: A do 25 de Setembro, a do 8 de Março e, agora, a da Viragem.
Já houve um articulista que perguntou o que foi feito, no meio disso tudo, da geração que acolheu a independência, com todos os seus problemas e desafios. Estou totalmente de acordo com ele mas quero ir mais longe.
E penso que nos devemos perguntar se essa geração do 25 de Setembro saiu do nada. Qual foi o papel dos Craveirinhas, Noémias de Sousa e tantos outros que formaram, ideológicamente, muitos dos que viriam a pegar em armas. Ou, pelo menos, muitos dos que viriam a dirigir os que pegaram em armas, o que não é bem a mesma coisa.(...)

(...) Tudo isto para dizer que esta divisão, actual e simplista, em 3 gerações é, em termos teóricos, uma aberração sem ponta por onde se lhe pegue. (...)

(...) E onde é que fica a geração do carapau e do repolho? A geração do “não há”? (...)

(...) Não me parece que seja possível falar de gerações, muito bem definidas, em todo este processo. E, muito menos, reduzí-las a 3.
Houve, na nossa História, um processo que se foi desenvolvendo, umas coisas levando a outras até se chegar ao hoje que vivemos. Coisas boas e, também, coisas más.
Mas, nesta nova definição das gerações, há uma outra coisa que me faz espécie: O que quer dizer “geração da viragem”?


Retalhos da crônica Respondendo a Machado da Graça: Datas não constituem compartimentos estanques, por Júlio Muthisse

(...) Na sua última crónica, o conceituado jornalista Machado da Graça alega existir uma teoria das três gerações com a qual diz não concordar. Não concorda, entre outras razões, porque não sabe “o que foi feito, no meio de tudo isto, da geração que acolheu a independência, com todos os seus problemas e desafios”. Pergunta também, ”...qual foi o papel dos Craveirinhas, Noémias de Sousa e tantos outros que formaram ideologicamente muitos dos que viriam a pegar em armas...”.(...)

(...)As pessoas que ele e João Mosca diz que receberam a independência, onde estavam quando a geração do 25 de Setembro recuperava a nossa dignidade a ferro e fogo? Se já eram grandinhos, deveriam se ter juntado à geração do 25 de Setembro que congregava pessoas de todas as regiões, de todas as etnias, de todas as raças. Digam-nos onde estavam enquanto os outros lutavam. (...)

(...)A história de Moçambique não pode ser vista de forma desgarrada e, na sua análise, as datas não devem constituir compartimentos estanques. Entendo as datas como representativas de determinados marcos importantes, não de acções isoladas mas de processos que se preparam, organizam ao longo do tempo e se efectivam em datas e espaços devidamente localizados.
É assim que vejo o 25 de Setembro. É um marco importante em todo o movimento secular... (...)

(...) O país não esqueceu esses compatriotas. Um aspecto grosseiro na análise do Mais Velho quando fala do 25 de Setembro e da geração que o protagonizou, é afirmar ou pensar que se dá relevo apenas aos que pegaram em armas e expulsaram os colonialistas de Moçambique. (...)

(...)Com o nível de conhecimento que eu atribuo ao Mais Velho, não posso crer que ele não saiba que para além da frente militar e dentro do quadro do 25 de Setembro, tivemos a actuação das frentes políticas, diplomáticas, culturais, sociais; que enquanto uns combatiam empunhando armas, outros actuavam na organização, na cultura, na mobilização, reconhecimento e em tantas outras missões e frentes. (...)

(...)Portanto, não acho que o Presidente da República tenha instituído uma “Geração de Viragem”. Acho, isso sim, que a mensagem é de que os moçambicanos de hoje podem e têm capacidade para lutar e vencer a pobreza. A insistência do Presidente da República é no sentido de despertar as “forças” dos moçambicanos para aquilo que são as prioridades do momento. (...)

(...)Conquistada a independência, construídos os pilares pelos quais assenta a máquina administrativa do Estado a todos os níveis, continuamos a assistir muitos moçambicanos que vivem no limiar da pobreza, com carências a todos os níveis. O trabalho dos moçambicanos de hoje na luta contra este flagelo, pode fazer emergir no futuro o que orgulhosamente chamaremos de Geração de Viragem. Gostaria de ser parte dela pelo que, Mais Velho, coloquemos mãos a obra.


Agora eu...

Não conheço o Machado da Graça, o Mais Velho, como também não conheço Júlio Muthisse, que passarei desde já a chamar do Mais Novo. Não defino estes cognomes pelas idades, pois não as conheço, mas sim para dar sequência à semântica que o Mais Novo usou na sua crônica e talvez até com uma certa correlação com a maturidade apresentada por um e por outro.
Não os conhecendo, não pretendo defender ou atacar um ou outro, mas sim usar as crônicas de ambos, e as idéias ali apresentadas, para tentar ainda que à distancia, e que não vejam pecado nisso, mostrar o que entendi e não entendi dos textos em questão e o meu próprio entendimento, um moçambicano que saíu da sua terra natal um pouco antes do 25 de Junho de 1975. Tenho receio que com esta última característica os mais novos de Moçambique até nem me ouçam até ao fim.
O Mais Novo sai em resposta à crônica do Mais Velho em um tom de discordância ao posicionamento deste último. Mas vou lendo o seu texto e chego a pensar que ele só estava a brincar nas suas primeiras linhas, pois me parece que ele vai solidificando e concordando com visão questionadora do Mais Velho em relação ao já badalado desenho das “3 Gerações”.
Só que também percebo que se o mais novo afirma que “A história de Moçambique não pode ser vista de forma desgarrada”, defende ainda assim o conceito das 3 gerações, o que fica um tanto contraditório pois acaba por dar especial luz a um período, e mesmo tentando disfarçar, colocando o foco apenas em uma certa parte dos responsáveis pela conquista da liberdade que os moçambicanos conquistaram.
O Mais Novo induz os seus leitores a acreditarem que o Mais Velho tenta desvincular de datas representivas os nomes de Cravirinha e Noêmia quando este fala de Craveirinhas e Noémias. Esquece, ou quer fazer os seus leitores esquecerem, que a colocação destes nomes no plural é exatamente uma forma figurativa de mostrar que houve mais do que um ou dois “Craveirinha”, que também houveram Pereiras, Rodrigues, Albinos, Rabecas, Silvas, e que alguns por falta de outra alternativa ou por convicção ficaram, e que outros mais por convicção do que falta de alternativa acabaram por deixar Moçambique antes ou depois do 25 de Junho. E não vou nem mesmo aqui detalhar os vários tipos de convicção que fizeram uns e outros abandonarem o sonho moçambicano, porque é sabido que o sonho de uns era de facto o pesadelo de outros, ainda que ambos tivessem convictos que deveriam abandonar o que eram os seus sonhos.
Não seria sério da minha parte desqualificar a luta armada na conquista da Independência de Moçambique. Mas é também desonesto não conhecer ou não querer conhecer a realidade de Moçambique nos tempos coloniais onde nem todos eram “colonialistas”.
É desonesto, por exemplo, não dar a devida importância a uma parcela importante do jornalismo moçambicano dos tempos coloniais na sua participação em procurar, dentro de todas as dificuldades de uma ditadura salazarista, transmitir a verdade sobre a dita sociedade “colonialista”, ajudando assim, em muito, que grande parte da população fosse mais receptiva aos movimentos em favor da liberdade de Moçambique. É desonesto também achar que além da Frelimo e do jornalismo de então não haviam outras estruturas da sociedade que abriam caminhos e clima para que a resistência à luta pela independência não fosse maior, fossem estas células da sociedade ligadas às artes ou não, como exemplificaram o Mais Novo no seu ponto de vista, e o Mais Velho no seu. Penso que era isto que também o Mais Velho buscou mostrar na sua crônica, além de outros recados que tentou passar.
No final da sua crônica o Mais Novo busca esclarecer o que seria a geração da viragem, mas esqueceu de nos tentar esclarecer de forma clara o que seriam as duas outras gerações anteriores. Como elas estariam correlacionadas com o não desmembramento da história e com a necessidade da virada.
E tenho, de novo, entrar em sintonia com o Mais Velho, até mesmo pela forma pouco clara e pouco coerente da explicação dada pelo Mais Novo em relação à terminologia “Geração da Viragem”.
Aqui por terras tupiniquins, em embates esportivos, usa-se o termo de se “virar o jogo” quando começamos perdendo. Penso que se temos uma evolução, ainda que gradativa, mais lenta do que gostaríamos, devemos ter é uma expectativa, se acreditamos de forma honesta do que foi feito até então, de que tenhamos uma geração mais focada e dando prioridade de fato para os menos favorecidos. Que devemos deixar de discursos aparentemente revolucionários mas envelhecidos e darmos passos mais largos, ainda que consistentes, aos reais valores da revolução.
Claro que sim, o mundo muda e nós devemos mudar com ele, mas temos que ser honestos conosco mesmo para avaliar o que não está correndo exatamente como se sonhou. E para isso os mais novos devem se preocupar em conhecer a história que os mais velhos têm a contar. Não se faz história sem se conhecer história.
Mas... que bom que todos nós parecemos concordar é que não devemos aceitar o tal “do vira o disco e toca o mesmo".

(Para os mais novos, disco era o famoso LP, que em tempos modernos é o CD - neste caso não dá nem para virar o disco! -, mas um como outro têm como objetivo mandar música aos nosso ouvidos)
        

sábado, 3 de abril de 2010

38 anos sem o Pai e jornalista Gouvêa Lemos

Convido os leitores da Lanterna a irem, por este link, ler sobre o dia que o Pai e Jornalista Gouvêa Lemos partiu.
Me sinto um felizardo por sentir saudades...

quinta-feira, 25 de março de 2010

Contaram-me que o "Brasil" está a brincar com os moçambicanos!!!

Há situações em que ficamos tristes, quase que com um sentimento de vergonha.
Por exemplo, aconteceu-me isso quando li hoje uma crônica, que com a devida vênia republicarei aqui na minha humilde Lanterna Acesa, do renomado jornalista Machado da Graça do jornal “Savana” de Maputo, Moçambique.
Como natural de Moçambique e tendo a minha família sido acolhida neste Brasil de todos, em um capítulo das nossas vidas que tanto precisamos dessa acolhida, a qual passei a amar como também meu sem nunca ter deixado de amar Moçambique. Este país que me fez seu cidadão. Este país que me fez conhecer um metalúrgico  que se fez Presidente da República onde na minha história brasileira não vi um melhor. Um país que me deu dois filhos, uma carioca e um curitibano. Um país que me deu orgulho ao noticiar que faria uma parceria com o meu também Moçambique na transferência de tecnologia com a produção de anti-rectrovirais para o combate do HIV (AIDS / SIDA)...
Mas acabo por ler a tal crônica de um renomado jornalista moçambicano dividindo com os seus leitores a decepção com o andar (!) do tal apoio noticiado pelo “meu” Lula quando de uma visita a Moçambique há uns anos atrás.
Leiam-na e entendam o meu sentimento de tristeza e vergonha!


A talhe de foice
Por Machado da Graça

A brincar com os moçambicanos

Aqui há uns anos, se bem me lembro no decurso de uma visita do Presidente Lula da Silva ao nosso país, o Brasil comprometeu-se a apoiar Moçambique na construção de uma fábrica de medicamentos anti-rectrovirais.
Na altura achei óptimo. Uma prova clara da verdade de uma cooperação sul-sul para a resolução dos gravíssimos problemas que enfrentamos.
Uma transferência da tecnologia, que o Brasil possui, e nós não a possuindo, tanto dela precisamos, dada a actuação da epidemia entre nós.
Mas, rapidamente, o entusiasmo foi esfriando. Os nossos amigos brasileiros foram começando a arrastar os pés, fazendo roçar a chinela na pedra da calçada, e as coisas não andaram.
Tempos depois, muito tempo depois, perante a nossa estranheza, começou a circular a ideia de que, numa primeira fase, nós só iriamos fabricar as caixinhas, e os comprimidos a colocar lá dentro, viriam já feitos do Brasil.
Era uma coisa totalmente diferente daquilo que estávamos à espera. Tecnologia para fazer caixinhas já nós temos há muito mais de 100 anos. Portanto, não iriamos aprender nada. Iriamos empacotar uma exportação de um produto brasileiro.
Mas, ao menos, isso seria rápido. Em 2010 a coisa estaria a funcionar.
Só que agora (Correio da Manhã 22/03/10) descubro que o Congresso Brasileiro aprovou, para começar em 2011, a fabricação das tais caixinhas.
E acho que aqui a brincadeira ultrapassou todos os limites.
Em primeiro lugar, a que propósito é que a fabricação de caixinhas de medicamentos em Moçambique tem que ser aprovada pelo Congresso Brasileiro? Não têm nada mais importante para tratar?
Depois, tenho que perguntar, porque é que só para o ano é que começa a fabricaçpão das caixinhas? Eu, se quiser fabricar caixinhas, vou a uma tipografia, das muitas que existem em Maputo, e, um mês depois, tenho as caixinhas no meu armazém.
E não gasto nada de parecido com os 7,4 milhões de dólares que o jornal diz que os brasileiros vão gastar.
Que raio de negociata está por trás de tudo isto? Quem é que está a ganhar a parte de leão deste bolo enorme?
Quem está a perder já todos sabemos. São os doentes do SIDA em todo o nosso país. Mas, com esses, quem é que se incomoda? Se não gerarem lucros para os poderosos, não existem. Podem morrer, que ninguém se vai preocupar com eles.
E o lúcro da negociata estará do lado de lá e do lado de cá. Não sei qual dos lados já “falou como homem” e qual já escutou.
Mas que as ma$$as devem estar a circular a alta velocidade, não tenho dúvidas.
O problema social e de saúde não existe nem para brasileiros nem para moçambicanos.
Para quem decide, a única preocupação é: Quanto vou eu ganhar com este negócio?
Alguém pode-me dizer que os tais decisores também podem ser vítimas de não haver anti-rectrovirais baratos no mercado.
Nada de mais falso.. À custa da corrupção e da roubalheira esses têm capacidade de comprar os antirectrovirais ao preço de mercado.
Por isso estão nas tintas...
A questão do SIDA é daquelas que não deixa ninguém indiferente. Perante ela toda esta questão dos custos e dos lucros assume aspectos muitíssimo mais pornográficos do que uma pornstar num filme XXX.
Será que o Presidente Lula da Silva sabe que isto está a acontecer?
Se não sabe, talvez seja altura de usarmos as novas tecnologias e para ele passar a saber.
No fundo, no fundo, é a palavra dele que está em causa.
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*Imagem do site Club of Moçambique

Em 01/04/2010, fico otimista que de fato o Presidente Lula, ainda que através dos seus auxiliares imediatos, venha  buscar entender o que se vem passando com a evolução do compromisso assumido com o povo moçambicano. Digo isto pois há uns minutos atrás recebi a mensagem abaixo:

infoap@planalto.gov.br para mim mostrar detalhes 16:58 (25 minutos atrás)

Prezado Senhor,

Em resposta a sua mensagem endereçada ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, informamos que ela foi encaminhada à Assessoria Especial - Política Externa/PR para análise e eventuais providências.

Cordialmente,

Claudio Soares Rocha
Diretoria de Documentação Histórica
Gabinete Pessoal do Presidente da República

domingo, 21 de março de 2010

Orlando Zapata Tamayo - Uma vitima da luta pela Liberdade de expressão.

Por António Maria G. Lemos

Lula metalúrgico quando lutava pelo direito de falar.

Ao contrario da política interna do governo Lula, a externa segue o caminho fácil e de puro interesse político, de um lugar de destaque no pedestal internacional. Para alcançar tal objetivo, não lhe importa o nível das alianças. Se ditadores votarem por ele nos palcos internacionais, então passam também a ser seus “amigos”, independentemente dos valores antagônicos aos seus, que eles defendam.
Se as masmorras dos seus “aliados” estiverem cheias de pessoas que nunca mataram ninguém e tudo que fizeram foi lutar pela liberdade de expressão, por essa estar algemada em seus países por interesses religiosos ou políticos. Assim mesmo, a política internacional do governo Lula, baseada num pseudo pragmatismo, esquece o que milhares de pessoas sofreram no Brasil durante os anos de ditadura.
Cuba usou muitos anos o seu papel de vítima, isolada pelo boicote internacional imposto pelos falcões imperialistas americanos, para explicar ao seu povo, o porque de se ter que viver sob estado de segurança máxima, procurando em qualquer critica expressada de forma pacífica uma forma como taxar alguém como “aliado imperialista”. Mesmo depois dos seus aliados do passado terem reconhecido erros fatais políticos, como os verdadeiros culpados da miséria econômica do seu povo, terem mudado os seus cursos políticos. Hoje quando vemos os países do Leste, ditaduras passadas, renascerem das cinzas econômicas. Onde uma Polônia tem a chefia da Comunidade Européia, e outros países vizinhos do Leste, se integrarem num mundo global, com os seus cidadãos atravessando fronteiras culturais, econômicas e de ensino. Cuba bate o pé, feito menino pequenino, que quer ganhar a qualquer preço uma razão para poder continuar exercendo o seu direito da mais velha Ditadura da América Latina. Com o governo que teme a liberdade de expressão e a internet, mantendo uma comunicação sob o poder absoluto e irrefutável dos irmãos Castro. (Até mesmo uma das filhas que é opositora não só do seu pai, como de todo o esquema político que ele representa, não pode voltar a Cuba, sem correr o risco de ser presa).
No meio de todo esse absurdo, o nosso governo foi lá mostrar a sua solidariedade, que até é legítima quando se trata de defender o fim do boicote internacional, que na verdade cada vez mais existe no papel do que na pratica. (Veja-se as empresas que lá vendem os seus produtos, e sem falar nos investimentos internacionais na área do turismo, que lhes rende muitos dólares e uma sociedade paralela, com duas moedas oficiais circulando. O peso do povo, e o peso dos gringos). No entanto foi vergonhoso ver que o Lula não teve a coragem política para mencionar os valores democráticos que o Brasil defende, não só no país, como deverá desejar para todos os povos amigos. Enquanto a comitiva brasileira se regava em festejos de solidariedade entre povos latinos, bem ao estilo populista a serviço da máquina de informação dos donos da casa. um dos presos políticos de Cuba, o senhor Orlando Zapata Tamayo, que estava em greve de fome, falecia num dos cárceres de “Cuba Libre”.
Sem armas ou uso de violência, Zapata Tamayo, lutou pelos direitos primordiais humanos e democráticos que um dia o nosso presidente também lutou, mas que infelizmente hoje passaram a ser secundários, na sua luta de ser o novo Homem no pedestal internacional.
Senhor Presidente, o cidadão cubano Orlando Zapata Tamayo, seja em termos ideológicos ou de coragem civil, não tinha nada comparável com os nossos “gangsters” que dominam as nossas favelas, e que por falta de vontade política e recursos financeiros para as policias locais, continuam amedrontando e governando o dia-a-dia de grande parte das nossa população trabalhadora. Exilada nas grandes cidades do país.
Senhor Presidente, valerá mesmo pena se pagar qualquer preço, inclusive o de fechar os olhos a injustiças praticadas pelos nossos parceiros econômicos? Negando aos povos com quem nos relacionamos - seja por motivos políticos ou religiosos - que eles tenham também o direito de viver e exercer os princípios e Direitos Humanos mais elementares, que nós com muito suor e lágrimas conseguimos conquistar no Brasil?
Andamos sempre defendendo valores democráticos que na verdade, em termos ideológicos, vemos os partidos que acreditávamos também os defender, dando-lhes pontapés.
O cidadão cubano Zapata Tamayo e muitos outros que estão hoje presos ou exilados mundo a fora, são os Chicos Buarque, Carlos Prestes, etc, exilados e prisioneiros dos tempos obscuros do Brasil de ontem.
Homens e mulheres que lutam pelo direito de debater as diferenças de opinião, e lhes ser permitido redigir textos como este, sem que o preço a pagar seja o veredicto de um tribunal a serviço da ditadura, que os julga à masmorra e tortura do silêncio do pensamento.
Não se esqueça senhor Presidente. Nação sem memória ou valores, é nação vendida a futuro incerto. Por tanto, levando em conta o seu próprio passado e engajamento político, não coma no prato que já cuspiu. Trate os Zapata Tamayo do mundo afora, com o devido respeito que eles merecem. Se comporte à altura do solidário povo brasileiro que o elegeu, pela luta, coragem e verticalidade de princípios, que marcavam o seu caráter de então.
Povo que respeita e deseja para todos os povos do mundo; Liberdade de Expressão, para poder denunciar o abuso de poder impetrado em nosso nome, para um suposto bem da nossa Nação.

António Maria G. Lemos

quarta-feira, 17 de março de 2010

Irena Sendler

"Não se plantam sementes de comida. Plantam-se sementes de bondade e amor. Tratem de fazer um círculo de bondade e estas sementes crescerão mais e mais... muito mais".


(Irena Sendler)


Corre nestes dias um e.mail, retardatário, que nos relembra o falecimento de uma heroína que falaeceu a 12 de Maio de 2008. Algumas pessoas estão assimilando como se ela tivesse acabado de falecer. Não vejo este equivoco como importante. Importante de fato é, por qualquer meio lícito, lembrarmo-nos desta Mulher e dos ensinamentos que nos deixou.

Irena Sendler faleceu reconhecidamente como uma das grandes heroínas quando do Holocausto dos judeus na II Guerra Mundial.

A sua coragem fez com que mais de 2.500 crianças judias tenham sido salvas, quando como alemã tinha informações privilegiadas sobre os planos nazistas na invasão à Polônia.

Como sinal de solidariedade e também como forma de não chamar atenção sobre si, tinha a Estrela de David tatuada no braço e andava pelas ruas do Gueto de Varsóvia convencendo as famílias a deixarem-lhe levar os seus filhos daquele lugar para que os mesmos tivessem esperanças de sobrevivência. Quem acreditou nela salvou os seus filhos. Quem não conseguiu acreditar nela, o que é bastante compreensível, acabou por acompanharem a retirada dos seus filhos pelos nazistas quando estes foram encaminhados por trens a caminho dos “campos da morte”.

Usou de todos os artifícios possíveis para dali retirar estas crianças, desde informar aos nazistas que tirava crianças do bairro com tifo, até treinar o seu cachorro a ladrar quando avistava um nazista. Este cão andava sempre na caçamba da sua camionete, onde ali transportava crianças dentro de sacos e cestos como se fossem mercadorias (batatas e outros). Ao ladrar os nazistas acabavam por não se esforçarem a revistar o seu carro e por outro lado o barulho do latido abafava possíveis sons originados pelas crianças.

Esta Mulher não só salvava as crianças como olhava a possibilidade destas crianças virem a encontrar, tempos depois, algum familiar; anotava os nomes verdadeiros destas e as sua novas identidades e quando do fim da guerra entregou duas garrafas de vidro onde constavam estas listas de nomes, que haviam ficado enterradas no jardim de uma vizinha, ao Dr. Adolfo Berman que foi o primeiro presidente do Comitê de Salvamento dos Sobreviventes Judeus.

Chegou a se presa pela GESTAPO, cruelmente torturada e condenada à morte. Não foi executada porque um soldado alemão, quando a levava para a execução, desviou o caminho dizendo que a direcionava para um “interrogatório especial” e libertou-a. Passou a estar na relação dos poloneses executados e viveu até ao fim da guerra na clandestinidade mas sempre atuando a favor da proteçção dos judeus.

Se foi um dia reconhecida como uma heroína, mostra também que prêmios como o Nobel da Paz são extremamente injustos, fazendo com que ele(s) se tornem sem valor algum. Esta Mulher chegou a ser indicada para o Nobel da Paz em 2007, mas um tema na moda, que não deixa de ser importante se assim for tratado, direcionou o ex vice-preesidente americano Al Gore com a defesa do meio ambiente. Um premio para quem nem mesmo consegue convencer o seu país a ter uma posição mais responsável por algo que também aflige o mundo e que além de conceitos bem apresentados em um documentário, não fez absolutamente nada.

Melhor prémio será não esquecermos da Sra. Irena Sendler e dos conceitos de solidariedade e humanismo desta que deve ser referencia para todos nós.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Tragédia no Haiti


Zilda Arns
Fonte:

Um terremoto preenche de forma trágica a já penalizada história do Haiti. E neste capítulo triste, entre os milhares de vitimas fatais, temos já a confirmação de 12 brasileiros mortos.
Se a morte de uma pessoa não tem mais valor ou menos valor como ser humano, entre estes 12 brasileiros está uma cidadã do Mundo que como tal está acima da média de um cidadão comum.
Zilda Arns é uma figura que transpirava as melhores energias nos ambientes que transitava, que trabalhava com todas as suas forças em trabalhos filantrópicos como na “sua” Pastoral da Criança onde era fundadora e coordenadora internacional que com ajuda de mais de 260 mil voluntários dá apoio a quase 2 milhões de gestantes e crianças menores de seis anos e 1,4 milhão de famílias pobres, com um projeto que atende mais de 4.000 municípios brasileiros, e levava a sua mensagem e apoio a projetos similares pelo mundo. Uma personagem que vive em função da solidariedade, de ser solidária, e que ganhou tantas condecorações, como Heroína da Saúde Pública das Américas , que foi candidata ao Prêmio Nobel da Paz (2006), não é de fato uma pessoa comum. Como ser humano não era mais de que nenhuma das outras vitimas desta tragédia. Já como cidadã estava acima da grande maioria de nós, mortais.
Zilda Arns morreu fazendo o seu trabalho enquanto dava uma palestra em uma Igreja na capital do país mais pobre das Américas.
Sei que ela estará neste momento convocando todos a se levantarem para ajudar o povo do Haiti E como cidadãos não podemos fugir desta convocação fazendo o que pudermos ainda que dentro de limites individuais, que nunca serão pequenos quando estes esforços se conjugam.
Paz à Alma das vitimas fatais, esperança e conforto aos sobreviventes.